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Texto
Cláudio Garcia

Fotografia
Ricardo Graça

19 Fevereiro 2016

E então a menina gorda, trapalhona, desarrumada e maria-rapaz tornou-se a miúda de capa na Preguiça Magazine. Ana Luísa Costa, 29 anos, modelo desde os 14, pós-graduação em marketing musical e fundadora da start-up Go For Music, autora da personagem Anita e profissional de stand-up comedy, acreditem ou não, a nossa cover girl de casaco pérola já foi uma adolescente com andar de pato, que vestia camisolas de Slipknot dois números acima, só para contrariar os estereótipos femininos. 

Andou anos em palcos de escola, oficinas de expressão dramática e espectáculos ao vivo, chegou a candidatar-se à Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, foi aceite em Coimbra, mas acabou a estudar Comunicação Social no ISCSP. Se neste percurso ganhou experiência, a mania de mandar piadas é de nascença, mesmo. Já que gordura não é formosura, pelo menos neste século, e namorados nem vê-los, aperfeiçoou-se na arte de ser engraçada. “Tinha de me valer de qualquer coisa para não ser completamente perdedora.”

É com alguma emoção que anunciamos o nosso contributo para fazer da Ana Luísa Costa humorista com agente e tudo. Tipo empresário, cachês, contratos, essas cenas. Está tudo explicado nos textos da Anita. Quando acabou de blogar por aqui, seguiu-se um curso de escrita criativa com o mui famoso (pelo menos à escala tuga) Rui Sinel de Cordes. A ideia era aprender técnicas de guionismo, lançar um livro e ficar super-rica, mas, once again, o destino tinha outros planos. Acabou a destacar-se no módulo de stand-up comedy e agora é patrocinada por uma sex-shop.

Ana Luisa Costa _ Preguiça_3

 

Sim, já actuou em clubes eróticos, entre varões e strippers, mas sem tirar a roupa. Costuma leiloar filmes porno, utiliza (salvo seja) alguns acessórios durante os espectáculos e mascara-se com inocência camuflada em ordinarice. No Carregado, teve o seu momento Monty Python: “Havia um gajo completamente bêbedo, a mandar bocas do fundo do bar. Acabei por chamá-lo para ao pé de mim, a pensar que assim acalmava. Grande erro. Agarrou-me ao colo e manifestava uma enorme vontade em fazer amor comigo. Mas lá acalmou”. Mulher num mundo de homens, costuma ouvir bocas dos outros comediantes e elogios do público (arriscamos nós: propostas também). Entretanto, os guiões da Anita não dão para enriquecer, mas avançam. Se tudo correr bem, vão chegar ao YouTube no próximo mês de Março através de uma parceria com os Comicalate (e por falar de imagens em movimento, a Ana Luísa entrou em dois episódios do programa Very Typical do Rui Sinel de Cordes, na SIC Radical, e numa ou noutra curta-metragem).

Ao mesmo tempo que tudo isto acontece, a cover girl de Leiria (que reside em Alfama, nasceu na Nazaré e estudou na Marinha Grande), é a fundadora da start-up Go For Music, projecto sediado no Centro de Inovação da Mouraria, em Lisboa, desenvolvido a meias com o italiano Antonio Colombini (que conheceu no Entremuralhas), que consiste num operador de viagens online para pescar turistas estrangeiros com o isco dos festivais de música ao vivo – e trazê-los a descobrir a cultura portuguesa a pretexto dos concertos de Verão.

Quanto aos trabalhos de moda, interessam-lhe cada vez menos. “Já faço pouquíssimos. E só o que gosto e quero. Considero-me em pré-reforma. Há muita gaja a trabalhar de borla e muitos fotógrafos da treta, que preferem não pagar ou pagar mal a quem não sabe, do que ter uma pessoa formada a fazer bem as coisas. Não tenho pachorra”.

No coração ficam dois desfiles especiais – Cordoaria Nacional e Lisbon Fetish Weekend para Armando Gabriel – e as sessões com Carlos Nascimento, o seu fotógrafo de eleição, que diz ser extraordinariamente talentoso. Ah, e também há o projecto musical Sonoplasta, onde dá a voz (mas não canta) e de vez em quando os dedos (ao teclado). Hiperactiva? Multifacetada. “Gosto de muitas coisas diferentes… Mas tenho um carinho especial pelo meio artístico, especialmente a representação e o stand-up”.

E daqui a uns anos, Nova Iorque? Paris? Berlim? Nada disso. “Alentejo… Costa Vicentina… Ou Algarve. Um sítio com mar, ovelhas e poucas pessoas”.