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Texto
Hugo Ferreira

23 Fevereiro 2016

É um rapaz com 23 anos que se apresenta ao mundo como one man band e com o b-a-bá das novas tendências musicais na ponta da língua. Entre samples, pads e teclas, usa e desconstrói o formato de canção a seu bel-prazer numa fórmula que pode parecer ora natural ora imprevisível, mas sempre bem embrulhada num arranjo vocal que atinge amplitudes apreciáveis e pouco comuns, tendo em conta que vem de uma única pessoa.

Há electrónica, há soul, há groove, há melodia e falsetes para dar e vender. Sobretudo para vender, dizemos nós. E ainda bem.

No final de 1991 nascia no seio de uma família com mãe professora e pai polícia. Aos 12 anos começava a compor e depois de aprender a tocar guitarra, bateria e piano, aos 14 anos já participava em festivais internacionais para novos talentos (o que, como muito bem sabemos, normalmente pode mais facilmente enviar os candidatos a estrelas para o rápido esquecimento e até destruir carreiras à partida do que ajudar à criatividade).

Com um disco quase pronto que aparentemente demonstrava um apego indisfarçável ao blues, acabou por se sentir a fazer o mesmo que tanto candidato a cantautor fazia e resolveu abandonar o caminho para se dedicar a ouvir quase todos os géneros musicais e a tentar explorar todo um novo leque de novos instrumentos e potencialidades tecnológicas que o século XXI tem oferecido à música. Em 2014 aparece com um punhado de novas canções que lhe rendem de imediato airplay na BBC rádio 1 e as atenções dos Brit Awards a da MTV Brand New.

Se alguns se preocupam com o facto de Garratt (é este o sobrenome de Jack) se aproximar de territórios que conhecíamos de Chet Faker ou James Blake, não é menos verdade que o facto de se apresentar sozinho em palco e conseguir colocar a sua voz em registos tão díspares dentro de uma sonoridade que ziguezagueia entre a pop e o alternativo lhe vão conferir uma rápida (e merecida) subida ao estrelato.

Phase, o disco de estreia, foi lançado na sexta-feira passada e é um tratado da música contemporânea. Nunca tanto hype foi tão bem entregue, parece-nos. Para já, vale a pena ouvir e ficar bem atento ao estranho mundo de Jack.