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Texto
Cláudio Garcia

Fotografia
Ricardo Graça

18 Março 2016

Se a vida de marinheiro dá cabo de ti, provavelmente já mereces uma pausa. Nós estamos para o mesmo e esta semana propomos lançar âncora no cais da petisqueira Sitiado, que fica ali como quem vai para as ondas gigantes da Praia do Norte, na Nazaré.

Todas as pessoas têm uma ideia, mais do que uma história. Há os que vivem cercados de discos e conhecem de cor as edições 4AD no ano de 1984 (e olhem que vale a pena), outros dedicam o tempo à investigação científica e àquela hipótese original, enfim, a diversidade da espécie humana não tem limites. A ideia do Wilson Ferreira é o restauro. Começou por aprender a restaurar obras de arte, caminho que o levou até Espanha. E foi em terras de Castela que se deixou enfeitiçar pelas artes mágicas das tapas com amigos, que são do melhor para restaurar a ordem natural das coisas. Entretanto, também andou por Tomar, cidade onde, passe o exagero, restaurou a fé nas lancharadas à mesa do café.

Desde há três anos, se o virem pelo Sítio de camisa xadrez, tatuagens e barba pré-hipster, podendo não parecer, tem estado entretido a restaurar uma parte da cultura tuga, um dia de cada vez. Sobre a mesa, a jigajoga envolve carapaus de escabeche, ovos rotos de atum, camarão e bivalves, enchidos, morcela com cebola caramelizada, moelas, pica-pau e fritada, farinheira com maçã ou mesmo cogumelos panados, um clássico. A não perdoar: casquinhas de batata, sequinho de patarroxa e panadinhos de polvo, que podem acompanhar com vinhos seleccionados e cervejas artesanais. Ou água, há gente para tudo.

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O espaço onde funciona o Sitiado é mais um exemplo de que nada se perde e tudo se transforma. O desfile em modo núcleo museológico prossegue à volta das cadeiras azul-pesca e inclui bicicleta pasteleira na parede, meias brancas com raquete, às vezes fado cantado ao vivo, candeeiros a petróleo e discos de vinil, quadros de ardósia, barquinhos de madeira, embalagens de restaurador Olex e da farinha Amparo, galos de Barcelos, peixes que parecem embalsamados, redes, latas de conserva, ou seja, um vasto repositório daquilo a que o Herman José costumava chamar imaginário. De todos nós, que antes de seres digitais já o éramos, seres.

Na esquina da Rua 25 de Abril com a Rua Amadeu Gaudêncio, um tirinho a pé desde o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, onde antes existia uma papelaria com jornais, tabaco e revistas, existe agora uma casa de petiscos que vive do triângulo amoroso entre a gastronomia, a arte e a decoração, aproveitando a feliz coincidência de Wilson Ferreira ser um fiel amante de todas elas.

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Por uma refeição média, nem muito nem pouco, apenas a comida e bebida que chega para viver a experiência, esperem pagar 15 euros por pessoa. É possível que encontrem turistas, mais do que locais. Afinal, na Nazaré eles chegam em vagas sucessivas de autocarros. Durante o Inverno, 80% dos clientes são mesmo estrangeiros, muitos deles surfistas.

Sitiado
Rua Amadeu Gaudêncio, 2
Sítio da Nazaré
Tel: 262 087 512
Abre às 16h30 de segunda a sexta (encerra à terça-feira) e nos sábados e domingos serve a partir das 12 horas
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