50 anos, União

Esta semana não podia fugir a algo que me diz muito: o 50.º aniversário da União Desportiva de Leiria.
Tinha jurado que nunca viria aqui falar de bola, mas a UDL ao longo da sua história foi mais do que um clube de bola. No meu caso, fui atleta na sua secção de andebol, pouco tempo mas fui. Eu e muita gente desta cidade envergou a camisola branca de castelo ao peito. Era um clube que movia muita gente e ainda hoje é uma força bem viva no panorama desportivo da Cidade e da região.

Como tudo na vida, teve os seus altos e baixos, mas eu só consigo pensar nos bons momentos que me proporcionou enquanto adepto que seguia a equipa de futebol nos loucos anos noventa e, até mais recentemente, no “renascimento” do Clube, na sua passagem pelas divisões secundárias. E tem sido bom, mas mesmo muito bom.

Muitos como eu também terão esses momentos bem gravados, mas não vou aqui falar deles, vou antes deixar o convite para a participação de todos no programa de comemorações dos 50 anos que um grupo de Grandes e Verdadeiros Unionistas organizou para que não passasse em claro esta efeméride.

Vai haver tertúlia Unionista, onde vários protagonistas irão partilhar as suas histórias e reviver bons momentos. Vai haver Jantar Comemorativo e outras tantas iniciativas que vos deixarei aqui em baixo para vocês conferirem.
Por esta semana é tudo.

Saudações Unionistas!

 Udle (1)

Texto de Alexandre Marrazes
01 Junho 2016

Cortem a água… não as laranjeiras

Chegou Maio, mês de grande alegria para os nativos do signo Penim e que neste mês rumam a esse sagrado santuário azul para pagarem o seu dízimo e reforçar a fé no seu colesterol. No sábado, obviamente que me desloquei lá para realizar a primeira “penitência”: aviar 4 farturas, não sem antes fazer o meu teste de obesidade. Fiquei feliz, consegui sem ficar entalado, sentar-me ao balcão naquelas cadeiras que distam umas das outras meia coxa da Sara Sampaio (vão lá fazer o teste e depois contem!).

Discutia entre a segunda e terceira fartura, a quantidade de gente que já tinha cumprimentado e que já não via há muito. A conversa não era longa, até porque a maioria são Fiéis da Fila, malta que se avia à sacada e depois vai a correr para a sua reclusão e encher o carro e o sofá de açúcar e canela. Mas não deixa de ser positivo constatar que ainda há pontos de encontro, locais que sabes que se lá fores podes encontrar alguém com quem conversar ou beber um copo.

Há uns anitos atrás, ninguém combinava nada, bastava sair sem planos, mas o convívio era garantido.
“Mas, ó Alexandre Miguel, achas que as pessoas só convivem em ambiente de copos e farra?”, perguntam vocês, na eventualidade de alguém estar a ler isto. Obviamente que não, Caros Leitores Leirienses Desmemoriados.

Leiria, felizmente, tem sido palco de grandes eventos de massas. Não vou enumerá-los porque também não o fiz com os pontos de convívio do antigamente, mas se houve evento que mais contribuiu para o Team Building dos leirienses, para o reforço de laços e troca de experiências em ambiente muito familiar e sem hora marcada, foi sem dúvida a primeira Semana Sem Água. Mais tarde tentou-se O Dia Sem Carros, mas não foi a mesma coisa. Talvez por ser menos tempo e porque era de dia e estava uma brasa do caraças e ainda ninguém se tinha lembrado de cobrir a Heróis de Angola. Acho que que essa ideia é viável, mas só se for uma cobertura em forma de “L” que apanhe o Terreiro, que aquilo agora está com pouca sombra.

Leiria anos 50 - Fonte das Três Bicas, Fotografia de Artur Pastor

A primeira Semana Sem Água em Leiria foi em Setembro de 2002 e que semana do caraças, pá.
Eu baptizei-a de Semana do Garrafão, soava melhor e em termos de Branding podia ser algo a explorar no futuro, já que estávamos a construir um Estádio para o Euro 2004 e íamos ter uma grande projecção mediática da Cidade e isso poderia ser aproveitado para promover um evento local ao nível duma Tomatina, mas com garrafões de água, corridas de autotanques tunados e eleição da Miss Fonte das 3 Bicas.

Tanta coisa nova que aprendi nesses dias: descobri que são precisos 20 litros para encher um autoclismo, descobri loiças que já não me lembrava que tinha, pois era sujar até acabar, descobri que havia miúdas giras nos Bombeiros (o autotanque da minha rua tinha excelente ambiente), descobri que havia gente capaz de fazer 40 km por dia para tomar banho e descobri que lá por ter um depósito de água a 50 metros de casa isso não fazia de mim um gajo especial.

Ao segundo dia resolvi aventurar-me com os meus 18 garrafões e ir conhecer outros “povos”. Rumei, destemido, à Marquês de Pombal e descobri todo um mundo novo. Na minha rua, a malta vinha à água de chinelos, calções, de Crocs e alguns de pijama, mas ali na Marquês não. Ali havia dresscode, era sábado à noite todos os dias, não havia água, mas havia Glamour. Ao quarto dia, uma Senhora dos seus 70 anos exclamava: “Se isto fosse quando eu tinha a sua idade, já tinha havido mortos, vocês são muito moles!!”. Tive de dar alguma razão à radical Senhora, mas confesso que preferia não tomar banho em casa do que todos os dias em Custoias, mas isso sou eu.

Bem, desejo-vos um bom Maio e se quiserem fazer uma petição para voltarmos a ter uma semana como deve ser, eu subscrevo.
Bem hajam…

Texto de Alexandre Marrazes
5 Maio 2016

Depois do Pedrógão, Punta Umbria ou Benidorm é para meninos!!!!

Estava uma tarde bem chuvosa, triste. Daquelas tardes em que só dá vontade de ficar em casa a fazer zapping entre a CMTV e a Sporting “coiso”. Mas como nem todos podemos ser o “Polícia da Moda” ou ter uma “Hora do Presidente”, há que comer asfalto para ganhar a vidinha.

Quase a chegar ao Pedrógão, decido virar à direita e ir a um local onde talvez não fosse há mais de 25 anos…. LOCOPINHA. Já sabia que aquilo estava encerrado mas o vislumbre daquele “monstro” abandonado ali no meio do pinhal, coberto de mato, “grafitado” com dizeres indecifráveis, abriu a minha caixa das memórias pedroguenses dos finais dos anos 80.

Nesses tempos longínquos, onde ainda não havia laranjeiras no Terreiro (e ainda bem), a malta só queria que chegasse o Verão para poder retemperar forças de um ano lectivo esforçado e cheio de bom aproveitamento.

Chegava o dia em que no Parque de Campismo se erguia o que mais tarde se chamou de Cambodja, um enclave onde quase toda gente se conhecia e onde os desconhecidos deixavam de o ser. Local verdejante e com amplas sombras, onde se podia respirar o mais puro ar do concelho.
E depois? Depois eram 3 meses a banhos de mar, de futeboladas na praia, de problemas amorosos cruzados, de concursos gastronómicos ao som do silvo do Campingaz.

Recordo hoje, que nessa altura já tinha sido instituído e estava bem enraízado algo que hoje está muito em voga, que são os circuitos pedestres nocturnos. O meu favorito era o Parque – Bar Azul – Casino – Conde – ……. – …….. – Tenda ou Casa de Alguém. E isto era assim quase todos os dias, o que se percebe bem porque na altura não havia net, telemóveis ou mesmo consolas.

Se esperavam pormenores sobre os hábitos e incidentes dessa altura, o melhor é pegarem no carro, irem lá e deixarem descer sobre vós tudo aquilo que o Pedrógão vos fez (esta é a parte em que percebes que não devias lá ter ido!).

casino (1)

Deixei a Locopinha para trás e passo no Casal Ventoso onde passei um dos mais glamourosos Reveillons da minha vida. Sim, o Pedrógão também tinha glamour… e multibanco… e GNR.
Não sei explicar mas detesto isto das memórias: sempre que ali vou sou obrigado a passar pela marginal e a contemplar o Pórtico do Tempo aka porta do Casino, que obviamente já não tem o vigor e imponência que tinha quando a atravessava rumo ao infinito musical de então, mas que continua ali formosa e quem sabe um dia destes alguém se lembra de fazer um Revival de qualidade duvidosa.

Entretanto, já estou a chegar à Vieira e vou ficar sem rede…………………………………………………

Texto de Alexandre Marrazes
21 Abril 2016

Colinho

Era inevitável que iria haver uma semana em que eu iria faltar ao nosso encontro semanal nesta página. Não foi por falta de aviso, até porque eu já me tinha alertado várias vezes do perigo da escrita semanal. Seria como ir ao ginásio uma vez por semana ou fazer uma qualquer dieta com direito àquele dia da semana em que podes comer duas fatias de pizza.
Ponderei desistir, agradecer a confiança depositada em mim pela Diretoria da página mas que não iria ser possível continuar.

Mas o impensável aconteceu, desde quinta-feira que a minha caixa de mensagens começou a ficar “atulhada” de mensagens de preocupação e incentivo. Destaco a mensagem da D. Arménia, uma senhora que sofria de distúrbios do sono e que, com a informação que já “bebeu” nesta rubrica, ganhou um novo alento.

Comovi-me com as mensagens de apoio de personalidades e forças vivas da praia da Leirosa, bem hajam. (Sim, a Preguiça é lida na Leirosa!)

Agradeço também o carinho das agentes da PSP que me mandaram parar na Heróis da Angola quando vinha da Ti Gracinda e que foram tão compreensivas e me deram força para continuar, e aos amigos sportinguistas que me ofereceram os bilhetes para ir ver o Braga ao Estádio da Luz.

Já não ficava assim sem palavras desde os 8-0 de Portugal ao Kuwait na inauguração do Magalhães Pessoa e não era fácil superar esse momento tão valioso e que se revelou tão duradouro e marcante para a Cidade.

Fiquei de coração cheio com as longas horas que o Graça passou aqui em casa a tentar convencer-me de que sou uma peça imprescindível para o desígnio expansionista deste projecto e que tinha de arranjar forças para continuar. És um Grande Urso Fofinho, pá! ADORO-TE!!!

Para a semana ainda não sei se irei começar com uma compilação dos meus romances históricos escritos na altura em que fiz trabalhos de topografia na Ota ou com a tão ansiada vinda à Luz das minhas dissertações sobre a importância para o tecido empresarial da região do Apeadeiro do Carriço.

Bem hajam e até para a semana.

Texto de Alexandre Marrazes
6 Abril 2016

“Não me apetece… Tenho sono!”

Hoje seria o round 2 desta colaboração. Sim, aquele dia em que um gajo ia “meter a carne toda no assador” e fazer um daqueles brilharetes escritos, que no final até moi-même ia ficar quase convencido de que sou mesmo um gajo ao nível duma Pipoca Mais Doce ou de outro qualquer top blogger.

Mas hoje é daqueles dias em que estou “bué” cansado, dói-me a cabeça, o problema sou eu e não vocês… Mas não julguem que escrever aqui é um exercício livre e desprendido. Nada disso, logo às 10 da manhã acabadinho de fazer 200 quilómetros, já me ligava aquele que mencionei no final do último e primeiro texto:

  • Olha lá, vais-me falhar, não vais? – disse ele.

Ocorreu-me logo que ele anda a ler o Chagas Freitas e como não sei em que parte vai do Prometo Falhar, não lhe respondi com um adaptado “casei-me com outra para que houvesse um ruído que te calasse em mim!”, mas com um afável “claro que não, caralho”. Isto para que percebam que, embora bem paga, esta colaboração não está livre de pressão e tem objectivos a cumprir.

Na verdade, não há desculpas para não escrever hoje. Os últimos dias têm sido férteis em assuntos para opiniões, indignações e lições de moral.

Os trágicos acontecimentos de Bruxelas são algo de que gosto de opinar e discutir, mas cara a cara, não em redes sociais ou blogs. Desde os atentados de Paris que não abro links ou comentários, fico maldisposto e começo mesmo a acreditar que o apocalipse é possível e que afinal é mesmo verdade que há quem vote no Donald; surpreendente, mas agora cada vez menos. Por isto tudo, prefiro as discussões ao vivo, mesmo que acabem com berros ou com alguém já farto de “bater no ceguinho” a sair para ir buscar cerveja, sempre é melhor do que “desamigar”, bloquear alguém.

Ao nível de futebol, os últimos dias também estiveram bem recheados, a União de Leiria esmagou o Angrense e volta a estar nas contas da subida de divisão e creio que começa a não se perceber porque é que não há maiores assistências no Magalhães Pessoa, numa altura em que era tão importante esse apoio.

Bruno de Carvalho fez três anos à frente do Sporting Clube de Portugal, deve estar a ser bom porque nem dei pelo tempo passar ou então tenho andado a prestar mais atenção a outras efemérides.

A Seleção Nacional volta a Leiria para uma jornada dupla de preparação, excelente oportunidade para ver o Bruno Alves, Quaresma e Eliseu ao vivo. A região, sempre agradecida, vai aproveitar e encher as dispensa com arroz e massas nos dias seguintes. Mais a sério, entreguem os viveres a quem mais precisa por esta Terra fora e como têm 50% de desconto ofereçam em dobro.

Em relação ao F.C. Porto e ao Sport Lisboa e Benfica, tudo normal e nada a assinalar… nem penaltis.
Parece mentira, mas não vou falar daquele jogador brasileiro natural de Bebedouro. Ia demorar mais de hora e meia e, como disse, estou com sono.

Despeço-me com amizade e, na tradição dos grandes fazedores de opinião, deixo-vos uma sugestão que com certeza acharão de grande utilidade.

Bem hajam.

Texto de Alexandre Marrazes
23 Março 2016

Leiria, 26.12.2015

Com o ano quase a acabar e o corpo já bastante combalido de tanto enfardanço festivo, jantares de empresa e outras festividades não programadas, lá saí para um sábado que se previa uma riqueza. A primeira etapa era mais um grandioso jantar da Confraria “Chupa-me os Pistons”. Um evento anual entre amigos, que há cerca de 20 anos trocam aleatoriamente prendas, sendo que uma delas perdura até hoje, uma maravilhosa cassete VHS de porno vintage, do tempo em que não havia silicone e as técnicas de depilação estavam ainda nos primórdios.

Pronto, mas a estes temas voltarei noutra ocasião que isto são coisas que merecem reflexão demorada. Adiante, jantar acabado e correria para o Beat Club, que estava para acontecer um dos melhores concertos do ano que estava a acabar. Na verdade, o concerto dos Phase foi verdadeiramente da genitália masculina, como testemunharam todos os que lotaram o espaço. Mas como não há bela sem senão, a noite fica estragada. Se há coisa que não gosto é de ser incomodado, e ainda mais por gente de barba que aparece sem se saber de onde e começam logo a segredar-te coisas ao ouvido em “húngaro”.

Depois de lhe dizer umas três vezes que não se ouvia nada do que a criatura tentava articular (o maravilhoso “barulho” que vinha do palco em volume a condizer também não ajudava), lá percebi que aquele indivíduo inconveniente me estava a convidar para escrever umas linhas por aqui. Vão ser 6 meses difíceis para todos. Para mim, que não faço a menor ideia porque me pediram isto, e para vocês, que talvez caiam na asneira de abrir um link de título sugestivo onde depois apareça esta rubrica.

“A culpa não é dele, foi de quem o lá pôs.”
Ricardo Graça (In Memoriam)

Texto de Alexandre Marrazes
17 Março 2016