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Texto, fotografias e vídeo
Katy Deodato e Ricardo Santos

24 Março 2016

Qual é a probabilidade de alguém querer ficar connosco quando logo no primeiro dia de trabalho o Ricardo esmaga o dedo do pirete da Jen (a dona da casa)? Passado dois dias, mais uma vez o Ricardo, estraga a moto 4 que servia para nos deslocarmos na quinta de 55 hectares. E como se não tivéssemos já feito merda suficiente, chegou a minha vez de mandar com uma enxada num tubo de rega enquanto arrancava ervas daninhas. Juro que pensei que íamos ser despedidos.

Mas vá lá, tivemos a sorte de estar com uma família que compreendeu o nosso pouco talento para o trabalho do campo. Tínhamos planeado estar aqui três semanas, mas a convite da família acabámos por ficar o mês de Março.

Queremos diferentes experiências e decidimos que depois da cidade era fixe irmos para o campo. Keisbrook, a 100 km a sul de Perth, é o que se assemelha ao nosso Alentejo: lindas planícies com montes no horizonte, hectares de quintas com animais e suas casas de campo.

A quinta da Jen não era diferente. Era como um típico monte alentejano: uma propriedade com diferentes paisagens fazendo dela um lugar muito especial. À solta tem 21 vacas, 20 vitelos, 12 galinhas, uma égua chamada Finlay, uma cadela (Kiwi) e um ganda boi (Valentino) de cobrição e por isso tivemos a sorte de ver nascer 3 vitelos.

A quinta começa a dar os primeiros passos tanto na produção animal como agrícola. O objectivo é conseguir tirar da terra todo o alimento para esta família se tornar auto-sustentável. A mentora deste projecto de vida é da Jen, uma mulher destemida, cheia de garra e com uma energia, que às vezes nós os dois juntos não conseguíamos acompanhar.

Neste workway estivemos praticamente o tempo inteiro na quinta, sem muitas horas livres e as que havia eram passadas na quinta. Aqui trabalhámos mais do que é suposto, foi sempre o dia todo, mas a família compensava-nos com bons jantares, bons banhos no lago da quinta, muita conversa, muitas histórias, muito vinho à mistura, logo, muita risada. Bons momentos mesmo. Muito podia contar sobre as aventuras deste casal que nos foram preenchendo os serões.

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Exterminadora implacável de ervas daninhas


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Desafio de construir um lago superado


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Foi bom enquanto durou… 2 dias

Fomos muito bem tratados, sentimo-nos como se fôssemos um casal amigo que vinha passar uns dias na quinta. Adorámos viver aqui e isso pode-se ver pelo tempo que cá ficámos. Foi bom, muito bom mesmo, viver e sentir a liberdade que só o campo e os animais nos conseguem dar: tudo isso tornou este workway muito especial.

Mais especial ainda foi o facto de a Jen e o Sam nos terem solicitado que fizéssemos um lago no jardim dos vegetais. Orgulhosamente e precisamente hoje terminámos o lago. Esta quinta terá para sempre algo construído por nós. Foi um desafio brutal e nem sei como e sem qualquer experiência conseguimos fazer sozinhos tal trabalho. Vou ter de meter isso no CV!

Dar de comer às galinhas, mudar as vacas de dois em dois dias para elas não atrofiarem por estarem sempre no mesmo sítio, brincar muito com a Kiwi, arrancar a praga das ervas daninhas, cozinhar e fazer o lago foram tarefas que cumprimos ao longo deste mês.

A Páscoa está a chegar e a família não hesitou em convidar-nos para passar esta época festiva com eles e com a sua grande família numa outra casa de campo em Albany. Não podíamos estar mais contentes com tudo o que nos estão a proporcionar: tem sido simplesmente fantástico.