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Texto
Pedro Miguel

Fotografias
Catarina Baptista

28 Março 2016

Diogo Augusto não consegue estar parado, seja nos The Jack Shits, nos Los Saguaros ou a solo, enquanto Hell Hound, o homem não pára, sempre com o rock’n’roll a rolar. A partir da inesperada nação do Belize, graças à internet e a uma guitarra, eis que surge ‘Diogo Augusto Sings for Only the Lonely’, uma reinterpretação a partir do mestre Sinatra e do seu ‘Sinatra Sings for Only the Lonely’.

Este é um disco só com edição digital, com a batuta da Experimentáculo Records, mas foi apresentado de forma diferente. Ao longo de diversas semanas, sete sites nacionais aliaram-se ao lançamento e fizeram a apresentação em exclusivo dos temas. Bran Morrighan; Threshold; Santos da Casa; Arte-Factos; Rua de Baixo e WAV foram os cúmplices desta edição, cabendo à Preguiça Magazine encerrar com chave de ouro e com a chamada bonus track.

Mas como isto não podia ficar assim, a Preguiça Magazine quis saber mais sobre este músico irrequieto da Marinha Grande, que se mandou à aventura com a sua companheira.

Preguiça Magazine: Antes de mais, como raio foste parar ao Belize?
Diogo Augusto: Apanhei um avião na Portela que me levou a Newark. Daí apanhei outro avião para Houston e, finalmente, apanhei outro para Belize City. Uma vez chegado, fui pendurado numa carrinha até à “cidade”. Não estávamos propriamente desempregados, mas ter emprego em Portugal não é necessariamente sinónimo de poder pagar as contas. Por isso resolvemos sair daqui à procura disso. O Belize foi mais ou menos fruto do acaso, o resultado de uma procura de emprego que não excluiu à partida nenhum país do mundo. Mas confesso que ir para um país que a maioria da pessoas nem sabe que existe tem a sua piada.

Como é a cena musical naquelas latitudes?
Não existe. Pelo menos em Belize City, onde estava, o conceito de instrumento musical é perfeitamente estranho. A música mais popular, o Soca, só precisa de colunas do tamanho de edifícios e gente a dançar. Fora isso, que é mauzinho, é um autêntico deserto musical. Consegui, ao menos, tirar a barriga de misérias quando consegui dar um salto a New Orleans. De um dia para o outro, passei de estar num deserto musical para estar no centro de quase toda a música que vale a pena. Foi um choque estar num dia enfiado no Belize e, no outro, a ver o Dr. John ao vivo no Tipitina’s.

Levas um pouco da Marinha Grande para todo o sítio para onde vais?
Para o bem e para o mal, sim. Nunca fiz propriamente parte da cena musical da Marinha. As coisas passavam-se e eu sabia quem eram as pessoas, mas passava-me tudo um bocado ao lado. Aposto que mais de 90% das pessoas da minha geração nem se devem lembrar de mim e, para dizer a verdade, quando saí da Marinha, senti-me aliviado. Fugi de lá assim que pude. Só muito mais recentemente é que comecei num processo de reaproximação, nomeadamente através de gente que faz lá coisas interessantes (Os Vizinhos). O que aconteceu foi que, por muitas voltas que desse, chegava sempre à conclusão de que aquela história do “podes tirar o rapaz da Marinha, mas não podes tirar a Marinha do rapaz” era mesmo verdade. Há qualquer coisa claustrofóbica na Marinha que sempre me fez impressão mas, agora que saí fisicamente de lá, consigo olhar com outros olhos e consigo perceber que a maior parte das coisas que faço são sempre mais ou menos determinadas por esse ambiente claustrofóbico.

Qual foi o propósito deste teu trabalho a solo? Não consegues estar parado, pois não?
Antes de me ir embora tinha um disco de Jack Shits novinho em folha e íamos começar com concertos para o apresentar mas depois tivemos de alterar os planos. A ideia de ir para o fim do mundo nunca me fez grande impressão, mas a ideia de não poder fazer música dava-me algum medo. Ainda tive que esperar uns meses para poder ir a New Orleans comprar uma guitarra decente, mas, assim que o fiz, a coisa começou a ganhar forma. Ainda há mais coisas para sair que surgiram lá. Um EP em dueto que está meio feito (a minha metade) e meio disco para uma coisa nova que, se tudo correr bem, há-de estar por aí em breve.

O Sinatra é o maior?
É um dos maiores. Este disco (Frank Sinatra Sings for Only the Lonely) pertence ao mesmo campeonato onde encontras o Born to Run, o Blonde on Blonde, o Moondance, o Closing Time, o Revolver ou o Pet Sounds… Andava a ouvir este disco em loop há mais de uma semana e, de repente, apercebi-me de que entre as letras deste disco e as letras de qualquer coisa dos Reigning Sound não há grande diferença. Pensei que os Reigning Sound poderiam fazer versões brutais daquelas canções. Como, infelizmente, não mando no que os Reigning Sound fazem, achei que os Jack Shits podiam fazê-lo. Mas, claro está, comigo no Belize, isso não resultaria. Foi aí que decidi experimentar gravar versões de todos os temas do disco. A ideia era trazê-lo para uma área mais “garage”, ainda que com as limitações de eu ser só um e de só ter comigo uma guitarra.

Entretanto, estás de novo em Portugal, e surpresa, ou talvez não, vais voltar aos espectáculos com os The Jack Shits. Conta lá isso…
A primeira coisa que fiz quando soube que vinha foi tratar disso! A coisa agora está difícil… O Samuel (Jack Straw) anda com a banda nova (os The Twist Connection, vão vê-los!), o Nicotine (Jack Suave) tem 43 bandas em actividade. Lá encontrámos forma de marcar no dia 2 de Abril no Pouca-Terra, no Barreiro (casa nova do Nicotine com a melhor programação musical de sempre). Lá mais para a frente somos capazes de fazer uma série de concertos mas, por enquanto, este é só para matar saudades e dar cabo dos ouvidos. Mas cheira-me que não há-de passar um mês até ter coisas novas…

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Diogo Augusto – sleep well (bonus track)