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Texto e fotos
katy Deodato e Ricardo Santos

3 Maio 2016

Era uma vez um indiano, uma australiana e um casal de portugueses. Foram trabalhar para um hotel, mas só havia uma vaga. Quem limpasse os quartos do hotel mais rápido ganhava. A australiana demorou 2h30, o indiano desistiu e o casal de portugueses demorou 8 horas. Quem ganhou?

A nossa história até podia começar assim. A parte do tempo que demorámos a limpar é verdadeira. Surgiu-nos uma oportunidade de irmos ajudar num hotel gerido por um casal jovem de portugueses. Não viemos para aqui à procura dos “portugueses no mundo”, mas sabe muito bem encontrar alguns pelo caminho. É bom para sentir aquele calor: sabe bem o convívio que tanto adoramos, as conversas típicas e sempre com piadinhas tugas. É voltar a falar alto, é sentirmo-nos confortáveis numa terra tão distante.

O Karri Forest Motel é uma unidade hoteleira pequena com 26 quartos que tem por hábito dar trabalho a viajantes como nós. A dinâmica é sempre a mesma: ajudar em algo – limpezas, jardinagem, lavandaria, manutenção, cozinha. Mas havia uma tarefa que se repetia todas as manhãs: a limpeza dos quartos (já conseguimos fazer uma boa média) e muito profissionalmente demos conta do recado.

Ainda não apanhámos nenhuma surpresa desagradável, mas sempre que abro a porta imagino todos e mais alguns cenários. Assim uma cena mesmo à filme, um assassinato, ou restos de droga em cima da mesa, uma bebedeira daquelas de deixar a casa de banho suja.

Mas não, infelizmente não tenho assim nenhuma história de terror para vos contar, mas tenho uma com um final mega feliz para nós! O quarto nº14 deixou-nos um bilhetinho na mesa-de-cabeceira: “Thanks portuguese enjoy your stay”. Se este bilhete já nos deixou orgulhosos de estarmos a ser bem-sucedidos nas limpezas, o maior reconhecimento veio quando vimos que este era acompanhado por uma notinha assim bonitinha amarelinha, com um número redondinho: 50$. Incha, porco, vai buscar! Explosão de alegria, foi como uma injecção. É outro nível, é outra mentalidade.

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Ricardo, o empregado do mês


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Trekking Beedelup National Park


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Karri Forest Explorer drive

A equipa do hotel é toda porreira. Trabalhámos em conjunto com Ajay, um indiano que se perdeu pela Austrália há já uns anos e é o responsável pela sala do restaurante. Na cozinha temos a Carolina, uma algarvia de gema, que é a chefe de cozinha e também a melhor amiga do nosso estômago. Temos comido “que nem umas larvas”. Carolina prepara os seus pratos ao som de um rock  “old school”, denomina-se como uma chefe de cozinha do mundo e diariamente recebe grandes elogios.

Depois temos o Tiago e a Susana, um casal jovem da margem sul, impecáveis, simpáticos, muito dedicados e trabalhadores. Têm feito um excelente trabalho a erguer o bom nome do hotel depois de este não ter tido sucesso com a antiga gerência. Foram pessoas que nos receberam de braços abertos: o facto de falarmos a mesma língua facilitou a cumplicidade. Sempre tiveram a preocupação de nos proporcionar uma boa estadia, dando-nos tempo livre para explorarmos as redondezas.

E explorar significa calçar as sapatilhas e fazer caminhadas nos muitos parques naturais envolventes. Pemberton é uma pequenina vila (com cerca de 950 habitantes) no meio do nada, a 5 horas de viagem a sul de Perth. Mas o que torna esta terra especial é a sua envolvente. Pemberton é o lar de uma mata impressionante de eucaliptos (conhecidos por Karri). As árvores Karri são umas das mais altas do mundo, atingindo 90 metros de altura! Outrora as mais altas foram aproveitadas como ponto de vigia para prevenir incêndios.

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Karen National Park


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Let’s go to explore Australia

Bem pertinho do hotel há a Gloucester tree, uma dessas árvores à qual os visitantes corajosos podem escalar e maravilharem-se com a vista. Diz-se que só 20% dos visitantes é que têm coragem de subir ao cume. O Ricardo foi uma dessas pessoas e subiu os 58 metros. Eu ainda tentei, subi para aí 10 metros e já com muito sacrifício, acabei por desistir. Fica o desafio para eu ir lá mais uma vez tentar superar um dos meus maiores medos: as alturas. Não sei, não!

Esta zona é ainda muito procurada pelos seus muitos trilhos cénicos. Em Pemberton passa um dos maiores trekkings da Austrália (Bibbulmum Track), que liga Albany (sul) a Perth (norte). São cerca de 1000 km em trilha. Nós fomos fazer uma parte do trajecto, que nos permitia ver uma cascata. Ainda não choveu o suficiente para ver a força da água, mas todo o percurso é deslumbrante passando até por uma ponte suspensa.

Viemos para esta terra sem quaisquer expectativas, andamos sempre ao sabor das oportunidades e das boleias que vamos arranjando. Estamos contentes por podermos explorar uma Austrália completamente fora dos roteiros convencionais. Por aqui vamos ficar até dia 6 de Maio. O visto está prestes a terminar e forçosamente temos de sair do país. Por isso, daqui a 15 dias já vos escrevo algures por aí numa ilha do Pacífico.