Na última semana do mês de Maio ocorreu a edição zero da Caldas Design Week.

Aliás neste mês, que agora passou, a cidade de Caldas da Rainha teve um intenso programa cultural, popular e de festas. Desde o bi-decano Caldas Late Night, passando pela Festa do Cavalo e terminando nas comemorações do Dia da Cidade.

Pelo meio houve também um ReSeclar, que promove a reutilização dos espaços da antiga Secla 2. Um grande complexo industrial cerâmico perto da ESAD.CR que albergou durante este mês festas, concertos, iniciativas de pintura de rua e que tinha um dos pavilhões reservado à Caldas Design Week, nomeadamente para a exposição colectiva Multitude – do ideal ao possível.

Neste espaço tiveram lugar 4 módulos expositivos dedicados a Cerâmica, Vidro, New Media e Objectos Anónimos. Cerâmica com ligação à cidade ou à ESAD.CR coordenado pelo Vítor Agostinho, vidro fruto de uma série de workshops no CENCAL no início deste ano coordenado pelo Samuel Reis, New Media com a curadoria do Arquivo 237 e uma exposição de Cruzetas/Cabides onde pedi a vários designers para desenharem O seu cabide/cruzeta. O design expositivo foi da responsabilidade de Jorge Carreira e Eneida Tavares. Houve também uma instalação de Inês Milagres. Com mais de 50 participantes, um dos objectivos de incluir a comunidade criativa foi alcançado. Tivemos também exposições de alunos na ESAD.CR e pelo meio um roteiro aos ateliers de criadores das Caldas da Rainha. Chegarmos perto dos 500 visitantes num evento tão específico realizado em pouquíssimo tempo é para nós um orgulho. Mas é pouco para o potencial de público que um evento deste género pode alcançar.

Módulo Expositivo de Cerâmica com a coordenação de Vítor Agostinho (© Luís Guedes)

Módulo Expositivo de Cerâmica com a coordenação de Vítor Agostinho (© Luís Guedes)

Falo de tudo isto não como visitante mas porque nasceu da nossa vontade, minha e de outros, de construir este evento, compacto, que pudesse servir aos agentes ligados ao design em geral, às indústrias criativas e à manufactura regional e nacional. Relativamente central face aos grandes pólos populacionais, Caldas da Rainha usufrui da condição de ter 2/3 milhares de criadores, das variadas áreas, a viver, estudar e produzir na cidade. É uma boa % para uma cidade com 50.000 habitantes!

Por isso sempre achámos que faz sentido haver uma Caldas Design Week.

Uma semana dedicada a mostrar o que de melhor se faz no design local e, se houver interesse, no País. Uma semana aberta a quem queira participar e mostrar e divulgar o seu trabalho e solícita de ideias, contributos, para criar uma comunidade forte e colaborativa.

Convenhamos que aquela Caldas também não é o epicentro da cultura nacional, mas tem potencial. Potencial para se poder criar pelo estímulo criativo, pela liberdade e sobretudo pelo desenvolvimento de uma cultura. Potencial para ligar criadores e indústria, por uma dinâmica de envolvimento. Potencial para que este evento passe de uma edição 0 para uma edição 1.