Paulo Kellerman convida e coordena, nós damos a caneta e o papel, depois é só juntar talento e os contos nascem. De 15 em 15 dias, há ficção na Preguiça Magazine.

Texto de Ana Moderno
Ilustração de Lisa Teles

Dois pacotes de massa farfalle colorida. Está. Bolachas com recheio de chocolate. Está. Embalagem de chá “noites tranquilas”. Está.

Conduzia o carrinho ao ritmo do interesse do conteúdo das prateleiras alinhadas nos corredores do supermercado. O meio de transporte dispensava carta de condução e tinha por combustível uma moeda de cinquenta cêntimos que seria recuperada. Cuidadosamente, os produtos da lista eram colocados no encruzilhado metálico que estremecia com o toque do consumo.

Maria Luísa gostava de fazer compras. Antes de sair de casa, verificava, por divisão, o que lhe fazia falta. O registo era assente num pequeno caderno de linhas que trazia sempre na mala de mão. Roupa confortável, cabelo em rabo-de-cavalo, um ligeiro toque de rímel e estava preparada para a saga semanal.

Dez minutos de carro bastavam para chegar ao supermercado com a dimensão e a variedade necessárias. Não faltavam as promoções, mesmo as mais agressivas. Daquelas que conseguem fazer adivinhar a eclosão de uma guerra, criando a necessidade do salve-se quem puder, do leve que ainda lhe pode fazer falta. Apesar de viver num país pacífico, Maria Luísa acabava por ceder a uma ou outra persuasão do marketing.

Na passagem pela secção das frutas e verduras atraiu-a a delicadeza e o respeito com que uma senhora de idade manuseava as beringelas. Usava óculos escuros e tinha os cabelos cinzentos alinhadamente atados num rolo. Vestia-se de acordo com o rigor da ocasião e movimentava-se com a morosidade que o corpo e os anos lhe permitiam.

Não conseguindo deixar de observar a anciã, Maria Luísa prosseguiu, metendo duas mangas oriundas do Brasil num saco de plástico transparente. Sorriu discretamente, vislumbrada pelo rosto enrugado. Era como se se olhasse num espelho que reflecte o futuro, numa antevisão de si própria. Talvez a senhora fosse viúva. Ou então deixara por momentos o marido, que já não saía de casa, para fazer as compras. Cuidaria dele, possivelmente. Seria um caso daqueles em que velhos cuidam de velhos. Não pode deixar de sentir um piedoso carinho pela senhora sobre a qual nada sabia, para além da sua condição de idosa e da aparente solidão.

Deixou a reflexão sobre o envelhecimento e rumou aos lacticínios. Afinal era das compras que vinha tratar. Escolheu os iogurtes que estavam em promoção. Marca nacional. Oferta de mais dois, na compra de quatro. Teria de consumi-los nos próximos dias. Tirana contrapartida do preço atractivo.

Encurtava o percurso até à caixa registadora. Faltavam apenas alguns produtos de limpeza. Na mudança de corredor, abrandou atraída pelas plantas de flores viçosas que se encontravam no topo da secção que deixara. Um pequeno jardim de supermercado que anunciava a chegada do dia da mãe. Ficou envergonhada por se lembrar da data naquela circunstância. Para sua remissão havia de presentear a sua mãe com algo mais personalizado, resistindo ao facilitismo que ali se expunha.

Junto aos produtos de limpeza, um miúdo irrequieto chamava persistentemente pelo pai que o ignorava enquanto lia o rótulo de um detergente para a máquina de lavar. “Pai, pai, paaaaai!”. Chamava, esganiçada, a criança hiperactiva. E do pai nem movimento, nem reacção. Maria Luísa sentiu o batimento do seu coração acelerar. Apeteceu-lhe esbofetear a ambos, ali mesmo, depois de um bom raspanete. “Não percebes que estás aos berros e que há aqui mais gente?” Diria ao garoto. “E o senhor, esqueceu-se que traz um filho consigo? Porque não vai dar um passeio com ele no parque em vez de o arrastar para as compras?” Diria ao pai. Depois, todas as pessoas daquele corredor aplaudiriam as suas palavras. E pai e filho dariam um abraço e deixariam o supermercado para ir fazer o sugerido passeio. Maria Luísa corou com o seu pensamento. “Que idiota” – pensou – “se fosse assim tão fácil fazer estas pequenas correcções ao mundo, estaríamos todos muito mais felizes”. Deixou a cena pai, filho, detergente e agarrou numa embalagem de esfregões para a louça.

Na fila para a caixa, ao nível dos olhos de quem espera, as guloseimas em embalagens coloridas chamam a atenção. Se tivesse fome, não resistiria, seguramente. Mas Maria Luísa já estava preparada para estas tentações. Abastecera-se bem antes de sair de casa. Pegou apenas numa embalagem com três pacotes de pastilhas elásticas de sabor a menta. Entretanto, deitou os produtos no tapete rolante. Uma pequena barra de plástico apartava as suas compras das do cliente à sua frente.

A sua tarefa foi suspensa pelo ruído da queda de um garrafão de água que a senhora das beringelas deixara cair atrás de si. “Não estou bêbada.” Diz a anciã justificando o pequeno acidente. “Acontece.” Tranquilizou Maria Luísa, achando graça à desculpa. Sem mais a acrescentar, ficaram ambas em silêncio enquanto aguardavam a vez de serem atendidas.

O súbito toque do alarme do supermercado interrompe o silêncio das duas mulheres e a rotina daquela tarde de segunda-feira. As campainhas das operadoras de caixa apelam em uníssono à ajuda dos seguranças. “Venho aqui tanta vez e isto nunca tinha acontecido. Terá sido algum ladrão? Já não se pode andar tranquila em lado nenhum.” Disse a senhora das beringelas. Maria Luísa respondeu com um sorriso. Era difícil o diálogo com aquele estridente ruído de fundo.

Os homens fardados inspeccionavam apressadamente as alas do espaço comercial, seguidos pelo pingue-pongue dos olhares dos mirones curiosos. O som do alarme parou passados poucos minutos, deixando eco na memória. Não havia sinal de ladrões e tudo retomava a normalidade.

“Sim, tenho cartão de pontos. Está aqui no meio de tantos outros da mesma família.” Disse Maria Luísa, antes de efectuar o pagamento. “Eu cá não gosto nada de usar esses cartões de plástico.” Interrompeu a senhora das beringelas, atenta. “Nem para pagar. Pago com dinheirinho e assim sei o que gasto”. “Lá isso é verdade”, concordou Maria Luísa. “Qual é o seu código postal?” Perguntou a operadora de caixa; sabe-se lá o número de vezes que repetiria por dia aquela questão. “E para que vocês querem saber isso?” Interferiu a senhora das beringelas. “Fins estatísticos. E para percebermos se compensa construir outro supermercado nas proximidades”. Respondeu pacientemente a funcionária. “Este para mim serve bem. Moro aqui perto. Até venho a pé.” Maria Luísa deu os quatro dígitos pedidos e pôs os sacos cheios no carrinho.

Com as compras transferidas para o porta-bagagens e cinquenta cêntimos recuperados, Maria Luísa estava pronta para o seu regresso a casa. Só não esperava que fosse tão tardio, sem imaginar o que ainda estava para lhe acontecer.
“Ó menina, espere um pouquinho.” Maria Luísa reconheceu a voz gasta da senhora das beringelas. “Diga, minha senhora.” Respondeu. “Por acaso a menina passa pelo hospital?” Questionou piedosamente a senhora. “Não, ia noutro sentido. Mas porquê, não se está a sentir bem?” “Não é isso, menina. É que eu vivo para aqueles lados. Costumo vir a pé, mas hoje exagerei na quantidade e os meus braços já não aguentam tanto peso. Se a menina tivesse a cortesia de me levar… Eu pago-lhe a gasolina.”

Maria Luísa teve pena da mulher. Não lhe custaria fazer aquele desvio. O hospital ficava ali mesmo ao lado. E os iogurtes não haviam de estragar-se, apesar do calor daquela tarde. Entraram as duas no carro.

“Oh, menina, muito agradecida. Felizmente, ainda há gente boa neste mundo. As pessoas hoje em dia já não confiam em ninguém. É casada, menina?” Maria Luísa estranhou a súbita questão, mas logo se lembrou que os velhos gostam de saber estas coisas já sem o medo de interferir na vida privada. “Não sou casada, não.” Respondeu Maria Luísa. “Pois, agora elas casam-se cada vez mais tarde para aproveitar a vida.” Comentou a mulher, perdoando Maria Luísa. “Qual é a sua graça, menina?” “Chamo-me Maria Luísa e a senhora?”. “Olhe que engraçado, eu também sou Maria Luísa. É um nome à antiga.” Disse a senhora, orgulhosa. “Sim, herdei-o da minha avó materna.” Disse Maria Luísa. “Olhe, menina, está a ver ali o café Alicranço? Vire a seguir à esquerda, por favor.” Instruiu a senhora. “Café Alicranço? Que raio de nome…” Pensou a condutora.

Maria Luísa fez o corte indicado. Duas Marias Luísas no seu carro. Uma velha e uma nova.

O bairro onde morava Maria Luísa, a velha, era pitoresco. Seria um dos mais antigos da cidade. Tinha casas geminadas, com jardins. As habitações, ainda que modestas, herdavam a classe e o carisma doutros tempos. “A minha casa é aquela ali à direita. A que tem a camélia.”

A casa tinha o número 13 pintado a azul num pequeno azulejo no pilar junto ao portão de entrada. Maria Luísa, a nova, parou o carro e ajudou a senhora a tirar as compras. “Pronto, Dona Maria Luísa, está entregue.” Disse Maria Luísa satisfeita pela boa acção. “Ó menina, muito obrigada pelo grande favor que me fez. Quanto é que eu lhe devo?” Perguntou a mulher. “Não deve nada, ora essa.” “Eu não gosto de ficar a dever nada a ninguém, menina. Pelo menos aceite um chazinho frio que hoje está um calor que não se pode.” Insistiu a mulher.

Uma bebida fresca saberia bem. Maria Luísa aceitou, para não fazer a desfeita e entrou atrás de Maria Luísa, a velha, com alguns sacos de compras. A casa era escura e os olhos de Maria Luísa não conseguiram adaptar-se logo dado o contraste com a intensidade da luz do exterior. “Siga-me, menina.” Disse Maria Luísa, a velha, adivinhando a desorientação da Maria Luísa mais jovem. Os sacos ficaram em cima da mesa da cozinha e Maria Luísa, a velha, conduziu a mais nova até à sala de estar. “Sente-se aqui que eu não demoro.” Ordenou senhora, apontando para o velho cadeirão de cor castanha. “Deixe-me ajudá-la.” Disse Maria Luísa. “Não é preciso, menina.” Retorquiu, autoritária, a mais velha, enquanto empurrava a jovem para o assento.

Maria Luísa assentiu. Percebia que a mulher queria mostrar que ainda possuía capacidade para receber bem as suas visitas. Sorriu. Os seus olhos já se tinham ambientado à parca luminosidade interior. A única luz que havia na sala vinha de uma pequena janela, atravessando uma cortina bordada e planando numa arca de madeira escura. Sobre a arca, um naperon branco servia de base a uma jarra de flores de plástico e a várias molduras com retratos em preto e branco. Maria Luísa levantou-se para ver de perto as fotografias. Tentou fazê-lo de forma discreta mas não conseguiu evitar o forte ranger do cadeirão ao mexer-se. Imobilizou-se durante alguns segundos adivinhando uma reacção do lado da cozinha. Nada. Ouviam-se apenas portas de armários a abrir e a fechar. Podia continuar.

As molduras estavam desalinhadamente expostas sobre o naperon. A desordem dava vida aos retratos. Rostos de crianças, de adultos e de velhos observavam Maria Luísa. Todos muito bem vestidos, preparados para a cerimónia da captação fotográfica. Maria Luísa reparou que havia uma figura que se repetia em vários retratos. Era um homem. Numa fotografia, aparecia vestido de uniforme militar, aparentando ser muito jovem. Noutra, trajava fato e gravata, tendo um rosto mais maduro. Era o mesmo homem, não havia dúvida. Tinha as sobrancelhas carregadas e um pequeno sinal junto ao olho esquerdo. Maria Luísa olhou para os outros retratos de família, mas foi atraída novamente pelo homem. Talvez fosse o marido de Dona Maria Luísa. Seria ela viúva? Era possível. Aparentemente vivia sozinha.

O olhar do homem era profundo e comprometedor. Maria Luísa não conseguia desviar-se do retrato. “Cuidado!”, entoa-se por uma voz de homem vinda do retrato. Maria Luísa consegue evitar um grito fechando a sua boca com as duas mãos. Sem pinga de sangue, regressa à poltrona. “Cuidado!”, repete a mesma voz.

“Quer açúcar, menina?” Pergunta Maria Luísa, a velha, da cozinha. “Que-quero.” Respondeu Maria Luísa, tentando disfarçar o choque. “É cá das minhas. O que é doce nunca amargou.” Gracejou a velha.

Maria Luísa virou-se para a janela, enquanto esperava, tentando evitar o malvado retrato.

“Fui eu que bordei a cortina.” Disse a velha, já na sala. Maria Luísa soltou um grito e deu um salto. “Ai, desculpe menina. Não a queria assustar.” Lamentou a anciã. “Eu é que peço desculpa. Estava distraída e não a ouvi entrar.” As palavras de Maria Luísa tremiam. “Eu pus as minhas pantufas porque já não aguentava os sapatos que trazia calçados. Por isso não me terá ouvido. Não a queria assustar.” Disse a velha. “Não tem problema, já passou.” Respondeu Maria Luísa sentindo todo o corpo arrepiado. “Credo, a menina ficou mesmo pálida. Parece que viu um fantasma. Tome este chá que vai ficar mais calma. É uma infusão de hortelã e de erva cavalinha. Está fresquinho.”

Maria Luísa pegou na caneca de porcelana decorada com flores amarelas e azuis. O chá cheirava bem, mas hesitou antes de bebê-lo. Teria a velha posto veneno em vez de açúcar? “Ah, mas que disparate. Esqueci-me dos biscoitos. Vou buscá-los.” Disse a velha. Maria Luísa não teve tempo nem ânimo para recusar. Enquanto a mulher foi à cozinha, Maria Luísa pousou a caneca com a intenção de trocá-la pela da velha. “São diferentes, bolas!” Não podia beber aquele chá.

Olhou novamente o retrato do homem em cima da arca. Esperou a temida palavra. Nada se ouviu. Observou os outros retratos e a jarra de flores de plástico. Pegou na caneca e muito suavemente levantou-se da poltrona. “Vamos lá regar estas flores mortas.” Pensou. Deitou metade do chá na jarra e regressou ao lugar, um pouco mais tranquila.

A velha entrou com os biscoitos. Não aparentavam perigo. Teriam sido retirados de pacotes comprados no supermercado. “Estava a olhar para aqueles retratos, em cima da arca. Aquele senhor que aparece em várias fotografias é seu marido?”. Arriscou perguntar Maria Luísa. “Era sim, menina. Enviuvei muito nova e nunca mais me casei”, respondeu a velha. “Lamento muito. Então ele também terá morrido muito jovem. Foi algum acidente?” Indagou Maria Luísa. “Não. Quer dizer, de certa forma foi. Morreu envenenado”. Maria Luísa engasgou-se. “Então, menina? Deve-lhe ter ido para o goto. Beba um pouco de chá.” Disse a velha. Maria Luísa sentia o sabor do seu sangue na boca. “Beba, menina, beba.” Insistiu a mulher, com a caneca às flores frente ao rosto de Maria Luísa. A expressão da velha tornara-se demoníaca.

Maria Luísa conseguiu recuperar o fôlego a tempo suficiente de afastar a caneca com a mão. “Já estou melhor.” Disse. Estava recuperada da tosse, mas o medo da velha era cada vez maior. Era urgente sair daquela casa com cheiro a mofo e a morte.

“Pois, como lhe dizia, menina, o meu marido deixou-me muito cedo. Partiu em dia de festa, no casamento de um primo dele. Era a primeira vez que comia marisco na vida. Não sabia que era alérgico – ele era muito delicado, coitado – abusou na quantidade e sentiu-se mal. Levámo-lo para o hospital, onde esteve em cuidados durante várias horas. Mas deve calcular como eram os meios naqueles tempos… Não resistiu e acabou por falecer.” Relatou a velha, entristecida. “Mas não tinha dito que o seu marido tinha sido envenenado.” Perguntou Maria Luísa, a meia voz. “Oh menina, valha-me Deus, então e aquele marisco que o matou, não era veneno?”

Maria Luísa não pôde deixar de sentir pena da mulher.

Um som de telemóvel quebrou o momento e recuperou o medo de Maria Luísa. “É o seu telefone, menina? Deve ser, eu não tenho”. Maria Luísa pegou na bolsa que tinha colocado na mesinha frente ao cadeirão e retirou o aparelho. Era o som de um lembrete para ir à esteticista – tinha escolhido aquela tarde para cuidar de si. E era também a deixa perfeita para deixar a casa da velha. “Está sim. Ah, sim, claro. Vou já para aí”. Maria Luísa fingiu atender o telefone.

“Tem de ir embora, menina?” Perguntou a velha, desiludida. “Coma ao menos um biscoito e beba o resto do chá”. “Agradeço imenso, mas tenho mesmo de ir. Fica para uma próxima.” Respondeu Maria Luísa, repensando no que dissera. Oxalá não houvesse nenhuma próxima. “Volte quando quiser, Maria Luísa. Agora já sabe onde vivo.” Gritou a velha, à entrada da porta de casa. Era a primeira vez que tratava a menina pelo seu nome.

Maria Luísa escapou-se o mais rápido que conseguiu. As mãos tremiam-lhe quando tentava pôr a chave na ignição. Não refeita ainda do não sabia bem o quê acelerou e afastou-se do bairro que agora lhe parecia endiabrado. Não ia sozinha. Transportava consigo um salteado de pensamentos que tentava ordenar em voz alta. Seria aquela mulher uma bruxa malvada que pôs termo à vida do marido? “Disparate, não existem bruxas. Sê sensata, Maria Luísa”. Mas como seria possível ter ouvido tão nitidamente a voz do homem. Cuidado! Cuidado! As palavras repetiam-se na sua cabeça. Teria sido imaginação sua? Algum delírio causado pelo calor? “Não pode ter sido. Eu ouvi muito bem”. “Marisco? Envenenado com marisco?”.

Por muitas voltas que desse não chegaria a nenhuma conclusão. Procurou uma esplanada sombria para beber alguma coisa fresca, sem álcool e sem perigo de velha. Comprou cigarros. Não fumava há dois anos. A culpa não lhe pesou. Mais pesada estava a sua mente, cheia de dúvidas. Apenas tinha a certeza de uma coisa. Não voltaria àquele supermercado.