Fazer um trabalho de design com um cliente é como viajar de avião. Em vez de trabalharmos juntos, vamos viajar juntos, ok?

Começando com a compra do bilhete, aquele momento em que a asserção de viajar em conjunto se torna uma realidade. Já passaste a fase do “era tão fixe irmos ali fazer aquilo numa altura qualquer, não era?” e temos de decidir para onde vamos, quando vamos e quem vai. Parece simples, mas, como é óbvio, pode correr mal, já que há a propensão para querermos ir para sítios completamente diferentes, numa altura em que só dá jeito a quem propõe e escolher a entourage errada. Ou seja, desde a ideia de “vamos viajar juntos” até entrarmos no avião há uma distância enorme e, no fundo, toda a gente sabe isto, a maior parte destas ideias acaba no momento em que são proferidas.

Ainda assim, depois de acertado o sítio, a data e o grupo de pessoas que vai, com as devidas cedências de parte a parte porque senão ia era cada um sozinho, temos de ver o que se lá vai fazer e como. Tem de haver um período de deambulação, de enriquecimento cultural, de momentos necessários à realização de tarefas práticas e pausas para nutrição. Ou seja, um plano mais ou menos definido com actividades que façam sentido a ambas as partes. Cada uma destas actividades envolve decisões, que não dependem de um mútuo acordo. Eu não curto muito picante, mas até conseguia ir comer um chilli desde que suficientemente bem argumentado ou obrigado, é quase o mesmo.

Agora, também é preciso decidir como é que se vai de um sítio para o outro no meio desta viagem. De metro, autocarro ou a pé são normalmente as hipóteses que tendem a ser escolhidas, mas podemos ir de tuk-tuk ou até alugar um carro e pode depender do tempo, das bagagens ou da disposição. O como e o quê são igualmente importantes, já que ir de carro ou a pé tem custos diferentes, por exemplo.

No final, o objectivo é vir da viagem com um acréscimo, seja algo tangível como um souvenirzeco ou apenas uma memória/ideia do tempo passado.

O design de um novo projecto é, no fundo, uma grande viagem em que embarcas com o cliente, com um destino mais ou menos traçado, alguma ideia do que vais fazer e a absoluta incerteza sobre o que a viagem será no final. Pelo menos foi o que me disseram na agência de viagens.