Anos 90. A discoteca Alibi, na cave do Centro Comercial Maringá, em Leiria, era um OVNI no panorama, até no nacional. Música “independente”, ou alternativa, ou como lhe queiram chamar, foi durante umas temporadas o refúgio de muito noctívago.

O DJ de serviço chamava-se Trigo e com ele a malta bailava, cantava ou olhava para o chão, numa pose urbano-depressiva, que, ditavam as normas da altura, parecia ser extremamente cool.

Uma dessas músicas de olhar para o chão era “Good For My Soul”, dos escoceses The Jesus And Mary Chain, do álbum Honey’s Dead (1992). A par dos singles “Far Gone and Out” ou “Reverence”, o disco surge numa época pré-trip hop, mas já havia qualquer coisa a despontar, pois a banda já dá algum uso a uma máquina de ritmos.

jmc

Na pista, o som planante da guitarra com uma batida a acompanhar dava o mote para uma sessão de dança quieta, sempre a olhar para o chão, talvez um discreto air guitar (sobretudo a partir do 1:07) e a coisa – já por vezes embalada por absinto – funcionava como marca registada do ser indie em Leiria. Passados todos estes anos, metade não se lembra e a outra metade (quase toda) renega. O habitual, portanto.