Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Dínamo Kiev 0 – 2 Benfica; Belenenses 0 – 2 Benfica; Sporting 1 – 2 Dortmund; Sporting 1 – 1 Tondela; Club Brugge 1 – 2 Porto; Porto 3 – 0 Arouca.

Pedro Santos: “Querem acabar já a brincadeira ou jogamos até Maio?”
O meu primeiro texto começa, desdenhar já, em desvantagem sobre os comparsas de análise futebolística dos clubes rivais. Ir trabalhar quando o Benfica joga não devia ser permitido em Portugal, na Alemanha (onde está o grande benfiquista das rastas) ou no Burkina Faso. Isto é que devia realmente importar, em vez da moda das hamburguerias gourmet, o presidente da ONU, a sardinha em lata ser chique ou o Pedro Dias. Antes de mais, grande vitória do Benfica, aka Glorioso, aka O Maior! Ligámos o pisca e agora vamos na faixa da esquerda, sempre a derreter alcatrão. Ser benfiquista é isto, escrever que o Benfica ganhou antes de o jogo começar. O termo técnico é lampião. O que posso dizer sobre o jogo? O massacre de sempre, quem tem um gajo no meio campo chamado Luís Miguel tem tudo. O Benfica é isto tudo sem o Jonas pistolas, com o campeão europeu a comer Big Macs na bancada e com o gajo mais caro do clube a entrar aos 75 minutos. Querem acabar já a brincadeira ou jogamos até Maio? Sobre o nosso campeonato, quero mandar um grande abraço ao Campbell. Aquele golo do empate aos 96, contra o antepenúltimo, foi festejado como se fosse da Champions… O JJ acardita em ti. Sobre o Porto não vou falar muito. Se aquela equipa começa a jogar à bola vamos ter problemas. Do Chelsea x Manchester United, dois apontamentos: o David de Gea foi um patrão naquele primeiro golo. Estava a fugir de alguém, só pode. E o Kanté a fintar e a marcar em câmara lenta!! por favor… nem no Fifa! Despeço-me com um xi-coração cheio de amor para todos e pensem nisto: a vida não é um pau de dois bicos, é um palito.

Valdemar Iglésias: “Que o Nelson Évora dê um bom lateral-esquerdo”
Na verdade, nós, os três cronistas, estamos para dar início à rubrica há algumas semanas. Aí desde que o Sporting silenciou o Santiago Bernabéu durante 80 minutos, mas se deixou perder na ingratidão destas coisas da bola, nos últimos momentos daquele jogo. Longe de mim pensar que o convite do Graça para passar a colaborar com a muy estimada e interessante Preguiça Magazine agoirou o que se previa apenas uma caminhada tranquila do Sporting no campeonato português, à qual se juntaria uma natural presença vitoriosa na final do Jamor e uma prestação europeia recordista para o clube, na Liga dos Campeões… Prescindiríamos magnanimamente da Taça Lucílio para quem a aprecia, por mim, jogando sempre com os B’s). De facto, de lá para cá, e desde que li, com alguma surpresa, o mail do fotógrafo da barbaça, o Sporting mais parece ter voltado a um passado recente, em que o cheiro a croquetes fritos empestava as bancadas de Alvalade enquanto o Vercauteren liderava a equipa ali no banco… Porém, estou tranquilo. Estou certo que se trata apenas da forma de o Jorge Jesus demonstrar que a recuperação de pontos do Rui Vitória na época passada não foi nada de especial. E, afinal, algo perfeitamente ao alcance daquele que se auto-intitula o maior dos técnicos portugueses e que um dia teve a elegância de mostrar, não o dedo do meio, mas sim quatro a um treinador cujo discurso, para ele, é, provavelmente, totalmente ininteligível – “que não se consegue ler”, para si, mister, que sei que lê aqui a Preguiça, força com isso, e tire o Elias, meta o Chuta-chuta de início, grande abraço ;). Do jogo propriamente dito, se eu fosse outro, poderia dizer que gostei da equipa, apenas não do tom dela. Mas não farei essa piadola fácil. Digo apenas que espero que o Nelson Évora, o homem que, com os calções de licra, mais parece trazer um alho-francês no bolso, e que foi apresentado ao intervalo como reforço para o atletismo, dê antes um bom lateral esquerdo. Estamos a precisar. Mais do que qualquer tipo de hortaliça aos três pinotes antes de aterrar na areia…

Nuno Brites: “Vi de perto a melhor defesa de sempre do Casillas, a Sara Carbonero”
Desculpem, demorei-me. Mas era a noite da Gala dos Dragões de Ouro e não podia falhar. E foi uma bonita festa. Arrisco-me a dizer que foi o momento mais alto do ano, logo a seguir ao chuto no rabo do Lotopegui e à Francesinha que despachei na Confeitaria Cunha. E por falar em rabo, foi com ele bem assente no Coliseu que vi de perto a melhor defesa de sempre do Casillas, a Sara Carbonero. E que defesa, senhores! A Iker, já só lhe falta agarrar uns cruzamentos em campo… No intervalo da gala apanhei o Nuno Espírito Santo nos lavabos a lavar as mãos dos maus resultados, depois de pingar uma vitória convincente no sábado, contra a equipa do fugitivo de Aguiar da Beira que é um verdadeiro matador e que distribuiu mais pânico num mês do que o Adrián López em duas épocas e tal. Agora estão os dois desaparecidos. Valha-nos o André Silva. Deu para ver que o nosso presidente está como o aço. Desconfio que a colecistectomia do ano passado foi apenas uma desculpa para trocar mais umas peças por novas no São João. Não há maleita que o afecte e da farmácia só os azuis são admitidos lá em casa. Antes que perguntem, o Pinto da Costa falou de tudo menos daquilo que interessa saber: os reforços. A Sílvia Costa joga em que posição? Enquanto isso e no Sporting, o capitão não joga, a equipa perde uns pontos e o presidente Bruno perde uns quilos. Noto que já estão a preparar o Natal. Já o Benfica, vendeu as jóias da coroa para ajudar o Jorge Mendes a trocar de Aston Martin e também porque tinham de resolver uns problemas na tesouraria, que isto dos vouchers ainda fica carote. Lá fora, agora é o Messi e mais nove e o Mourinho a avisar o treinador do Chelsea que se é para perder por muitos, não Conte com ele. Voltando a casa, por estes dias o mundo também ficou a saber o que é jogar à porto, segundo o dicionário da editora Espírito Santo: Ter compromisso, cooperação e comunicação, sendo que a união mais a determinação é igual a atitude. Por outras palavras, “bora lá c@r%&*!” Perceberam? Agora tenham medo do que aí vem!