Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Nacional 0 x 0 Sporting; Benfica 3 – 0 Paços de Ferreira; V. Setúbal 0 – 0 Porto

Valdemar Iglésias: “O sportinguista acorda sempre na manhã do mesmo dia”
Ser adepto do Sporting é um pouco como ser a personagem de Bill Murray no filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day, na versão original). Por mais que façamos o que quer que seja de diferente durante todo o dia, o resultado é o mesmo, neste caso, a nível desportivo. Acordamos sempre naquela manhã em que o Sporting continua em crise. Não julguem que não tentámos já tudo, porque já. Já experimentámos ver o jogo no velho José Alvalade, com tartan e pavilhão debaixo da bancada. Já experimentámos deixar de pagar quotas e abandonar aquilo a gestores ilustres. Já regressámos ao estádio novo, expulsámos os doutores. Fomos buscar treinadores forcados, velhas glórias de suspensórios, sujeitos simpáticos e com cara de miúdos e agora até o treinador adversário (que passou por aí de bestial a besta). Já apostámos nos miúdos, já contratámos velhos. Já tivemos Kmets, Grimis e Nalitzis e já tivemos a espinha dorsal do campeão europeu. O resultado é sempre igual. O sportinguista acorda sempre na manhã do mesmo dia. No ano passado resolvemos apenas desfrutar da coisa e esperar o melhor. Tal e qual o dia em que o Bill Murray “assalta” a carrinha dos valores, compra um Mercedes, se mascara de Clint Eastwood e engata uma jovem loira para ir ao cinema, nós sportinguistas vimos bom futebol, grandes jogas, fomos ao estádio apreciar a vida. Mas acordámos uma manhã de Maio e estava tudo na mesma. A meter os olhos no que a equipa está a fazer esta época, estamos obviamente, ou naquela cena em que Bill acorda cedo e se mete na banheira com uma torradeira, ou na que rapta a marmota para lhe dar uma lição de condução acabando ambos a explodir no fundo de um precipício… Espero que o Bruno de Carvalho encontre rapidamente a Andie MacDowell para engatarmos, encontrarmos o verdadeiro amor e despacharmos isto. Estou farto de acordar sempre no mesmo dia há uma década e tal.

Pedro Santos: “Classe, prestígio, envergadura”
Vamos falar do Maior? Vamos lá! Ao segundo texto para este espaço, a minha vida continua a mesma. Mais uma vez não vi o Maior por razões profissionais e, mais uma vez, o Maior deu-me uma alegria. Estou a ponderar pedir para ir trabalhar para não ver o clássico, o que acham? O Benfica continua o Maior, o Grande e o Glorioso. Diz algo de novo, pensam vocês, não consigo respondo eu! A utilização seguida das palavras maior e grande, só é permitida quando tentamos classificar a nova fase de superguerreiro do Son Goku, que passou para a cor azul. Sim, azul, porque amarelo é tão anos 90, txitxos. Sim, de hoje em diante, vocês são os txitxos. Vamos falar de bola? Primeiro, o regresso do campeão europeu. Velocidade, precisão de passe, arranque, matreirice aguda, aquele jeito gingão do vai-não-vai de quem está a dançar kizomba e mais vale ficar no balcão a beber minis. Este era o Eliseu que faltava no nosso Benfica. Sei que andam todos malucos com o pequeno diabrete espanhol, mas para mim era o Eliseu e mais 10. Uma boa jogada do Rui Vitória, colocar o nosso campeão europeu para ver se aquelas potências do futebol mundial, o Zenit ou Al-Ahli, se enganam e largam a nota preta por este falso lento. Depois, a loucura pela t-shirt do árbitro João Pinheiro. Estavam todos histéricos para ficar com a camisola, só pode. Até o Maxi apareceu, ou era o emplastro? Aquela malta anda muito nervosa, eu acho que é das francesinhas, aquilo é muito colesterol numa sandes. Mas calma, eu tenho a solução, arranjem alguns jogadores do Canelas 2010, vão ver que isto começa a piar fininho. Alguns estão na bancada por isso é só um saltinho para o relvado. Esses sim, são os verdadeiros jogadores à Porto. Comunicação não falta! Por falar em solução, então o JJ enganou-se? Antes do jogo com o Nacional, disse que já sabia a razão do empate e afinal nada?! Faz-me lembrar os gajos da GNR. O Pedro Dias esteve nesta quinta em Sabrosa, mas afinal já está na Galiza. Eu mandava vir os gajos do NCIS que em 1 hora descobrem tudo: a razão dos empates do Sporting e o Pedro Dias. Pelo menos deixamos de ver aquela imagem de azia do Bruno Carvalho no final dos jogos. Agora que venha o clássico. Vamos assistir ao massacre, natural, do glorioso. Aquele tipo de jogo mastigado que vai ser desbloqueado pelo nosso campeão europeu. Deve ser complicado digerir isto, até com o Eliseu eles ganham jogos. Para vocês é complicado, para nós é um espectáculo. Despeço-me com um até já, txitxos, e com o pensamento da semana: “Se deambulas pelas ruas da amargura a questionar as curvas desta vida, bebe menos.”

Nuno Brites: “Nuno Espírito Santo, uma espécie de Abel Xavier mas sem o cabelo”
Já não há respeito pelo FCP! Agora já só dá cagufa em provar os pitons dos jogadores do Canelas 2010? Onde está a mística? E fomos buscar o Maxi para quê? Noutros tempos ganhávamos campeonatos com jogadores contratados ao Salgueiros e mais alguns putos descobertos nos saltos na Ribeira. Prometiam-lhes almoços de tripa e umas francesinhas ao jantar e rendiam. Agora os meninos já só querem pratos finos italianos e vinho de garrafa. E depois os treinadores até podia ser maus, mas como falavam a táctica do “até os comemos c@r%&*!” a mensagem passava para as quatro linhas e muitas vezes também para os corredores de acesso. Agora falam como Nuno Espírito Santo, que é assim uma espécie de Abel Xavier mas sem o Faisal e sem cabelo. Ambos os jogadores que metiam a mão na bola e ambos ninguém os percebe. Isto enerva-me quase tanto como o Pedro Guerra ao Manuel Serrão! Mas voltemos às quatro linhas: tirando a nossa defesa, nem tudo é mau no ataque. Vejam só como joga o Marega! Mais três batatas a contar para as 17 que a nossa dupla já meteu nas redes! O Marega, sim, é um jogador à Porto. Bruto e tosco. Um finalizador nato, qual tigre do Mali. Eu também acredito que não há coincidências e a última vez que o FCP foi campeão havia o feriado do bolinho. E o feriado voltou este ano… pensem nisto! Na concorrência nada de novo. O Sporting está com a aflição do Natal à porta e o Jesus desespera com a falta de vaquinhas para aquecer o campeonato. O presépio do costume. Por falar em mama, o Benfica está fortíssimo a contratar jogadores a custo zero pagando apenas alguns milhões aos comissionistas. O meu pai pergunta-me porque não fui para empresário no mundo da bola. “A fotografia é a minha paixão”, respondi-lhe. Eu e esta mania das paixões… A minha mãe fez bolinhos para hoje. Vão bem com um Porto e eu estou a precisar de aquecer a alma. Façam o mesmo!