Falemos de coisas sérias! Não, não é mais uma equipa de futebol com quem a malta não joga por medo de levar nos cornos, nem tão pouco uma plataforma de crowdfunding chamada SPA (Só Para Angariar) em que qualquer semelhança com outra entidade com o mesmo nome é pura coincidência. Não, pá, aqui fala-se dessa grande modalidade olímpica dentro das discotecas, entretanto já extinta – segundo um estudo feito pelo National Geographic – chamada: Abertura de Pista.

Para os mais novos, fiquem sabendo que dantes uma pessoa não entrava assim de qualquer maneira pela danceteria adentro. Não. Dantes havia respeito e algumas regras. Em primeiro lugar, não se chegava quase às quatro da manhã, como hoje. Em Leiria, ali pelas duas e um quarto, já havia uma horda de noctívagos a fazer o percurso Terreiro – Alibi, qual peregrinação a Fátima, só faltavam os coletes florescentes.

Só o acto de entrar dentro do Alibi tinha a sua logística. Tinha de ser de preferência com alguém do sexo oposto, pois um gajo, a ir sozinho, arriscava-se a não conseguir entrar. Para os solteiros, envergonhados e pouco ágeis (como este escriba), a busca da donzela era, por si só, uma experiência interessante, um pouco como nos velhos clubes onde as senhoras estavam sentadas e os homens as iam resgatar para bailar. Elas eram as rainhas e senhoras e sentiam-se sempre bastante disputadas pelos pretendentes.

Uma vez lá dentro, a música não estava muito alta – era o chamado “ambiente de bar” – as luzes estavam baixinhas e só com a casa bem composta é que acontecia um dos momentos da noite, a já citada abertura de pista. Subitamente disparavam raios laser verdes, ou strobs de luz branca a piscar. E o som? Alto como convinha, uma bojarda de decibéis e ali no Alibi, o “bailarino profissional”, também conhecido por PADRE, entrava para a sua performance.

Quanto à música de entrada, chegou a ser esta, dos holandeses, L.A. Style, com o tema, James Brown Is Dead (1991). Um dos seus fundadores, Wessel van Diepen, fundou mais tarde os Vengaboys, o que não abona muito a seu favor, mas a julgar pela foto recente (em cima) até se pode dizer que envelheceu bem.

Já quanto ao PADRE, que será feito dele? Man, se vires este artigo, contacta-nos, ou se alguém o conhecer, que lhe mostre isto. Esperamos só que esteja bem. Ninguém lhe ficava indiferente, mesmo o indie mais intransigente. Entretanto o James Brown morreu mesmo, e quanto aos caros leitores, há quanto tempo é que já não ouviam esta, digam lá?