O Instagram da Preguiça: Strangers we never meet

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Esta semana iniciamos no Instagram da Preguiça a rubrica #preguicamagazine_projecto para vos apresentarmos alguns conjuntos temáticos coerentes que vão sendo desenvolvidos no Instagram.

Strangers we never meet é um projecto do @raulpcoelho que reflecte sobre o mundo digital e o impacto das redes sociais nas nossas vidas e que nos faz as perguntas certas para reflexões que se impõem. Conversámos com o Raul e convida-mo-lo a expor o seu ponto de vista.

Qual o objecto do teu projecto?
Explicando brevemente a minha natureza, e dado o mês do meu nascimento, muitos anos atrás, sou por tipologia observador. Não sou prático, nem inovador, nem organizativo. Gosto de ver, olhar, olhar à volta, observar, sentir, simplesmente estar! Por isso sento-me e observo, por vezes escrevo, ou leio, ou escuto música, e penso, e medito, e por aí aí adiante. Não tenho muitos amigos reais mas os que tenho são verdadeiros e existem mesmo.

O que te levou a desenvolver este caminho?
Como antigamente já é um advérbio que posso usar sem temor, a vida estando, num café, por exemplo, era isso, lia-se, conversava-se, escrevia-se, estudava-se e convivia-se. Havia interacção física, emocional, não havia comunicação à distância. Era preciso falar mesmo, meter conversa, uns com os outros. A vida de então, não tendo tecnologia, tinha proximidade de outro tipo.

O que pretendes comunicar com estas imagens?
Como é da preguiça de hoje que estamos a falar, todos cheios de maquinetas de todo o tipo, eu inclusivé, confessarei, a proximidade existe e está presente, é uma preguiça generalizada. Todos comunicam com todos em tempo real, os amigos são aos milhares, mas o que pergunto é: como é possível fazer a manutenção real deste tipo de convívio?

Conta-nos algo inusitado que te tenha ocorrido por causa do projecto ou como ele te modificou ou tocou.
Eu hoje chego, sento-me, sorrio, bebo o meu café, tiro o livro, e desde logo alinho a maquineta que me conecta aos outros virtuais como eu. Vejo o email, abro as ditas redes sociais, e lá vamos nós felizes conviver e eu a observar o que me rodeia. Dito de outra forma, todos convivendo à distância mas ali, naquela realidade presente, o convívio é nulo. A troca de olhares não existe, porque a atenção está numa pantalha de maquineta. Comecei sem recordar já como a apontar a minha maquineta para as estranhas à minha volta e elas nada, o seu mundo estava em outro lugar! São as estranhas que nunca encontramos nem conhecemos, nem agora nem jamais. Nem nós que estamos a seu lado, nem os seus ditos amigos e contactos que estão do outro lado da pantalha electrónica. E fica a pergunta: o que são hoje os relacionamentos? Poderíamos estar num café com todos os nossos amigos virtuais em carne e osso? O piropo em formato chat é igual ao piropo de viva voz em direcção à mesa do lado? Ou somos cada vez mais estranhos que nunca se encontram?