Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Porto 1 x 0 Club Brugge; Porto 1 – 1 Benfica; Benfica 1 – 0 D. Kiev; Dortmund 1 – 0 Sporting; Sporting 3 – 0 Arouca

Nuno Brites: “O azeite faz escorregar as coisas dos dedos, nomeadamente campeonatos”
Vamos lá ter calma… que até ao lavar dos cestos é a apanha da azeitona e o azeite faz escorregar as coisas dos dedos, nomeadamente campeonatos e assim. E não se riam os lagartos que também sobra colheita dele para a ceia do Natal! Ninguém me tira da ideia que tudo não passa de uma estratégia muito bem pensada para inchar o ego ao lampiões: “Ah, tu és bom! Tu és o melhor de todos e voas alto!”. Depois é vê-los tombar aos 92 minutos. Qual oratória para a Web Summit, isto é só o Nuno Espírito Santo a ser brilhante e a dar espaço aos lampiões para se espalharem. Vamos ao clássico: Casa cheia no Dragão e a equipa a dar tudo. Finalmente atitude! Até pareciam jogadores à Porto, carago! Tirando o Maxi, que nunca ultrapassou muito bem o trauma de ter sido separado à nascença do irmão gémeo, o chato do Emplastro, e que conseguiu completar um jogo inteiro sem levar qualquer cartão. Só por isso fez uma vergonha de jogo! Disseram-me que ainda tentou uma cócega na orelha do Eliseu mas o árbitro não foi na cantiga. Acredito que não tenha visto o Eliseu em campo ontem porque eu também não o vi! Não souberam aproveitar essa vantagem numérica, pelo menos até ao Herrera entrar em campo para equilibrar as coisas à base da asneira. Isso não foi bonito, ó Herrera! ÉS FEIO, mas podias ao menos jogar bonito! Se fosse o teu treinador, deixava-te fechado num quarto sem janelas calafetadas durante uma semana, a ouvir a música da Popota e sentado no colo do Donald Trump em fio dental. Ou ler em voz alta um livro inteiro do Pedro Chagas Freitas para o Pedro Guerra, só os dois, olhos nos olhos, a comer bacalhau com azeite e alho durante uma semana sem lavar os dentinhos. Agora escolhe. No Sporting duas novidades: o regresso do capitão e terem ganho um jogo. No final, o presidente Bruno – que anda muito nervoso com a cena da dieta no casamento – foi cobrar uma caixa de Castanhas Doces aos dirigentes do Arouca. O homem é difícil de se conter e desta vez ia levando na boca. Por falar em engorda, o Cristiano passou a meter na conta 500 mil euros por semana, limpos. Já dava para umas férias no Algarve, um bilhete para os quatro dias da Web Summit e para pagar a viagem sem regresso do Héctor Herrera ao México. Hasta la vista.

Valdemar Iglésias: “A verdadeira segurança defensiva vem de marcar cedo”
Depois da inovação táctica em Dortmund, a introdução de um sistema de 3 centrais para contrariar a ameaça germânica, que ficou tão perto do sucesso, a questão na cabeça de toda a gente, e principalmente da do treinador do Arouca, seria se ela transitaria para o jogo do campeonato. Passaram poucos treinadores na liga portuguesa com a loucura suficiente para implementarem um sistema que exige rotinas tão profundas dos seus defesas. Do que me recordo, apenas um holandês louco lá para as Antas, que fracassou e foi corrido a petardo. Um tal Boloni, caixa-de-óculos sempre de risco ao lado cuja maior loucura da sua vida deve ter sido pedir a esposa em casamento, que foi campeão a usar um falso sistema de 3 centrais: um dos “laterais” era o central Quiroga, que compensava as subidas suicidas de César Prates, Luís Filipe (ahahah!), Paíto (o da cueca ao Luisão) ou Tello. Mas quem tinha o André Cruz a líbero e principalmente, Jardel na frente, tinha tudo… Também ouvi falar de um indivíduo chamado Jorge Jesus que, rezam as lendas, o usou no Felgueiras, para subir da 2ªB à Primeira Liga… Mas no futebol, a verdadeira segurança defensiva vem de se marcar cedo. E assim fez o Sporting, afinal lançado num tradicional 4-4-2. A isso se junta ter ficado a jogar contra 10, por haraquiri do lateral adversário. Há pouco a destacar do jogo, para lá da vitória leonina. O festejo do experiente João Pereira quando o Campbell marcou golo, saltando para as suas costas para o impedir de tirar a camisola vendo o segundo amarelo. O regresso do Adrien “el-rei-dom-sebastião” Silva, o desejado, que mostrou agressividade na recuperação de bolas, bom passe e solidariedade com o seu colega de meio campo, falhando um penalty como quem diz “essas coisas acontecem até aos melhores, pá”. Gelson, mais uma exibição de qualidade lá na frente, chegou a vir recuperar uma bola ao eixo da defesa (conta como terceiro central?). E numa assentada, o Sporting larga a crise, ganha 7 pontos num jogo (3 da vitória própria, 2 a FCP e 2 a SLB), passa para segundo classificado e a depender apenas de si para chegar a Maio em primeiro. P.S.: o futebol tuga é tristemente fortíssimo em futebol nos túneis. Já chega destas brincadeiras e pede-se mão pesada para os prevaricadores. Dito isso, não sei por que é que o presidente leonino, após um fim de semana 100% vitorioso nas modalidades, depois de dar um tranquilo 3-0 ao adversário, sentiria a necessidade de ir para a zona dos balneários insultar o presidente do derrotado Futebol Clube de Arouca… Felizmente, diz que há imagens e todos poderemos tirar isso a limpo. Porém, como me parece que o alvo não vai poder ser o presidente leonino, que normalmente é ilibado depois de cumprir os castigos na íntegra (assim se prova que a pena de morte jamais poderia existir com juízes destes em Portugal) vai ser mais fácil encontrarem o fugitivo Pedro Dias nas filmagens do túnel de Alvalade, que castigos lá para Arouca.

Pedro Santos: “Sobremesa? Melão do bolhão”
Melão em promoção, no mercado do Bolhão. Desta vez pude assistir ao jogo em direto na tv e, por isso, até aos 91 minutos, pensei que era o responsável por aquele resultado. Eu e o Ederson, o gajo da cara inchada (será que ele anda sempre no dentista a arrancar sisos?). O Ederson faz 40 defesas incríveis e depois, qual Bossio, deixar entrar aquilo?! Aquilo, Ederson?!! Tirem-me deste filme, pensei eu. Começar um jogo destes com o son goku africano na esquerda e o el loco aka Samaris sozinho no meio, é começar coxo. A probabilidade do Samaris se passar da cabeça e espetar duas ou três castanhas em jogadores do Porto em apenas 5 minutos, e ficarmos a jogar com 10, era elevada. Mas o nosso Capitão, que está sempre mais à frente no tempo que todos os outros, sai “lesionado” e dá o lugar ao Lisandro. Ele sabia que só tínhamos de esperar por aquele momento que tanto nos atormentava no estádio do dragão, o minuto 92. Aquele minuto que, durante 3 campeonatos (sim, depois do Kelvin já ganhámos 3 vezes o campeonato!) dava um gozo desgraçado aos adeptos do Porto e aos gajos do Canelas, agora passou a ser o nosso minuto. Aquele momento, quando um se ajoelha e deita a toalha ao chão, outros mostram a sua raça, querer e união. Aquele momento em que dá gozo ver o puto André Horta a gritar “Isto é o Benfica Ca….!!”, porque na verdade sabemos que ele é um de nós. Gostei de uma coisa – depois de tanto paleio por causa do árbitro, vimos um senhor que pecou… pecou porque não distribuiu cartões aos mergulhadores profissionais da equipa nortenha. Eles bem tentaram, caiam por tudo e por nada, e mesmo assim foi limpinho, limpinho, limpinho. O Benfica jogou pouco e mal? Verdade! Agora imaginem quando começarmos a jogar à bola… Estamos a dar hipóteses, mas vocês não aproveitam… depois não chorem. Até ao final é sempre a fundo. Eu disse que ligámos o pisca… O alcatrão já está a levantar, e seguimos a alta velocidade a espremer as mudanças até ao último minuto! Sai uma francesinha para a mesa dois s.f.f. Sobremesa? Melão do bolhão.