Cuidado com o que imprimes. Podes estar a deixar a tua marca em todos os documentos que são cuspidos pela tua máquina de casa e do trabalho.

Podes pensar que este artigo pode ser uma espécie de teoria da conspiração, mas… não! Na Preguiça tratamos de assuntos sérios. Podes confirmar já como isto é verdade.

Em primeiro lugar vamos ter em consideração que este artigo só se aplica a impressoras laser e a cores e quando impressas a cor e não a preto e branco.

Vamos por partes:

Que informação é que é impressa sem o meu consentimento?
Na folha impressa, independentemente de ser um texto ou uma foto, irá sair na folha inteira um código que contém a data e hora e número de série da impressora.

Como sabem quem sou eu através dessa informação?
Essa impressora ou fotocopiadora tem o número de série que é registado desde o seu fabrico até à passagem por todos os revendedores e por último a quem a compraste. Existe sempre uma ligação directa entre o consumidor final e o número de série da mesma.

Mas eu imprimi uma folha de teste e não vejo nada.
Aí é que está a (p)arte bonita deste processo e a razão porque quase ninguém sabe. A informação está lá codificada e bem dissimulada. A impressão é feita apenas na cor amarela e recorrendo a minúsculos pontos amarelos. Tão pequenos que se tornam imperceptíveis a olho nu, principalmente porque estão impressos a amarelo. Estes pontos são impressos de acordo com um algoritmo que normalmente só o fabricante da impressora/fotocopiadora (e governos) é que sabem descodificar.

Como posso ver essa informação? Já que eu sou muito pitosga.
Existem várias formas de poder ver esses pontos. O melhor será arranjar um LED azul (a luz azul faz com que o amarelo seja realçado), uma lupa e ver isso num quarto escuro. Milhares de pontos escuros irão sobressair. Normalmente um olho mais treinado consegue detectar imediatamente esses pontos. Já para o comum dos mortais, é preciso uma ginástica suplementar nas primeiras vezes. Outra forma, usada por mim, é com uma lente macro no telemóvel. Tirar uma foto (focada) de um pouco da página impressa e editar a fotografia de forma a realçar os azuis. Novamente, os pontos irão aparecer. Podem ainda usar um scanner e efectuar um scan (600 dpi) de uma pequena porção da página e depois com um programa de edição de foto, alterar os contrastes e o canal de azul. Deixo aqui uma impressão efectuada por mim aumentada recorrendo a uma lente macro do telemóvel. Na realidade é um bocado de uma folha A4 branca normalíssima e o que estão a ver é apenas aproximadamente 1,5cm quadrados dessa folha. Apliquei um filtro de cor azul para realçar os amarelos. E eis que surgem os pontos amarelos.

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Este processo de impressão de marcas é já muito antigo e data já dos anos 90. É mundialmente conhecido como Yellow Dot. Aparentemente parece algo indecifrável, mas não. Basta procurar pelos padrões de repetição, isolar… e… terão acesso ao código usado para mascarar a hora, data e número de série do aparelho. Decifrar, isso é outra história.

Com o aparecimento de impressoras/fotocopiadoras cada vez melhores e mais baratas, os governos (de certos países… EUA???) obrigaram os fabricantes destes aparelhos a incluírem esta “marca de água” de forma a conseguir detectar a fonte de possíveis prevaricadores falsificando quer documentos oficiais quer notas (dinheiro).

É raro o fabricante que assuma este processo, sendo assim notório que não podem dar qualquer informação sobre este tema. Já a Xerox confirma tal processo e afirma que é como se fosse a matrícula que é impressa em todas as folhas. Nem todos os fabricantes recorrem ao mesmo algoritmo para esconder esta informação. Há marcas e modelos cujos códigos já foram decifrados, mas existem outros modelos que ainda ninguém conseguiu decifrar.

Em baixo é possível ver uma impressão com um algoritmo já decifrado pela Electronic Frontier Foundation (EFF). Através de código binário basta descobrir as linhas e colunas correctas para chegar às informações. Neste caso, foi impresso em 21 de Junho de 2005 pelas 12h50 e a impressora tem o número de série 21052857.

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Claro que em casos destes vem à tona o já badalado tema: combate ao crime vs privacidade. É aqui que entra em grande a EFF, fundação que luta pela privacidade na internet, e que, após anos de investigação, continua a pedir às pessoas que enviem amostras das suas folhas para continuarem o processo reverso de decifrar todos os códigos (descobrir os algoritmos usados) e tentar exercer alguma pressão sobre os fabricantes para retirarem esta funcionalidade (imposta) dos seus equipamentos.

Assim, já sabem… se são activistas e andam a imprimir panfletos que possam estar a infringir alguma lei, pensem 2 vezes antes de o fazer. Será mais fácil chegar ao “culpado”.

Aqui fica um vídeo da EFF: