Temos boas e más notícias. A boa é que a Preguiça Magazine tem uma nova rubrica. A má é que é mais uma sobre culinária. “Oh não, mais uma?” Sim. “O Bourdain não chega?” Não. A ideia é abordar o consumo, mas de uma forma sustentável. E, não, sustentabilidade não tem de ser necessariamente a malta virar toda vegetariana.

Se nunca ouviram os mais velhos dizer que antigamente se aproveitava tudo e hoje em dia é uma estragação, é porque andam demasiado ocupados a olhar para os vossos hambúrgueres, ou uma alternativa vegetariana, mas cheios de óleo de palma, o tal veneno, perdão… recurso natural, que por acaso anda destruir o planeta.

A ideia é por estas linhas e ao longo dos tempos , sem periodicidade fixa – literalmente quando calhar – abordar novas formas de estar no planeta que, caso ainda não tenham reparado, não temos outro. Um dos grandes problemas é a inevitável escassez de recursos a curto/médio prazo, muito por culpa do consumo desenfreado.

Com conta, peso e medida, sem extremismos nem fanatismos, porque não voltar a reaproveitar as partes ditas “menos nobres”? Sem tretas: se só se aproveitar um terço da matéria-prima, isso tem repercussões no consumo, ganham alguns com isso, mas perdemos nós.

Parte do problema está em satisfazer a procura. Se essa procura se dispersar no mesmo produto, no fim do dia matam-se menos animais. A tese é esta. Descobrimos a pólvora? Nada disso. Mas a palavra-chave é “potencializar”. A cultura actual de superprodução e desaproveitamento não é sequer racional, e com essa premissa criou-se um núcleo duro de duas pessoas mais uma.

Bruno Monteiro já escreveu para a Preguiça em edições anteriores, rotulámo-lo de “infiltrado gourmet“. Tem formação em biologia e esta referência serve para dizer que é um gajo que percebe de animais, por fora e por dentro. Literalmente. Para além disso, é um dos melhores chefs que conhecemos, apesar de o ser apenas (ainda) a título recreativo. Podem, aliás,  conferir isso e muito mais, ao vivo, no próximo dia 26 de Novembro, no Leiria Plaza, com outro preguiçoso cá da casa, o Ricardo Graça, num show cooking e humor de frigideira.

Ricardo Ribeiro é o nosso braço armado, o perfeito inside job. O Talhante DJ – com muito orgulho e sem preconceito – é uma pessoa que começou a trabalhar desde cedo. Na sua família já havia a tradição desta actividade, e é um estudioso do assunto. Não se limita a aviar bifes: tem gosto na apresentação, na diversidade e, sim, na sustentabilidade. É o tipo de talhante que também vende hambúrgueres de cogumelos, tranquilo.

Depois há o gajo da Preguiça que juntou esta malta e está a escrever isto, porque alguém tem de o fazer, e fez um negócio do caraças. Vai andar a comer pitéus de outro mundo, mas, claro, é tudo trabalho. Um sacrifício, portanto.

A primeira reunião já aconteceu, o texto sairá em breve, mas já se pode adiantar que a coisa meteu um chispe de porco, cozinhado lentamente, que se desfazia na boca, com uma pele crocante e caramelizada. A opinião foi unânime e gerou uma pergunta, que foi: como raio é que aquilo conseguia saber quase a leitão? Não acreditam? Então não percam os próximos capítulos. As coisas que um gajo aprende.

A saga começa em breve, muito em breve.