Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Benfica 6 x 0 Marítimo; Chaves 0 x 0 Porto (Chaves apurado nas g.p.); Sporting 5 x 1 Praiense (todos jogos da Taça de Portugal)

Pedro Santos: “Depois da bonança veio a cagança”
É isto o nosso benfas, que nem na Taça de Portugal consegue reduzir aquele ritmo de triturador ambulante, ao som dos nuggets do Son Goku africano, que afinal é açoriano. Sem desculpas, sem equipas B, sem capeladas, com a carne toda no assador, e quando digo carne toda no assador é o Eliseu e mais dez. Falar do Glorioso e o Maior, que é para isso que me pagam o ordenado multimilionário muito próximo daquele que o CR7 aufere em terras espanholas, começa a deixar-me nervoso. Vamos ser honestos, o Benfica não joga o futebol que fomos habituados em anos recentes com o Jorge Jesus, o denominado Rambo Style. Este estilo tinha como principal característica a equipa adversária levar com rajadas de metralhadora, bazucas, helicópteros, kalashnikovs e granadas, tudo de uma vez, logo após o apito inicial. Se bem me lembro, o guarda-redes era o único que não atacava. Morremos na praia? Tantas vezes, mas isso agora não interessa! O que temos é um estilo de jogo ao ritmo das repetições super slow motion do futebol americano. Troca de bola até adormecer tudo e todos, incluindo adversários, adeptos, apanha bolas, a águia Vitória e por aí em diante. Mas, no meio destes momentos de lusco fusco, onde o cansaço e o sono estão a segundos de suplantar a nossa paciência e a dose de cafeína recomendada que tomámos para aguentar um jogo do Benfica, Ele surge. O monstro, o génio, a rapidez, a ginga do Son Goku açoriano. E isso, meus amigos, ninguém está à espera. Nem os adversários, nem os adeptos, nem o Rui Vitória nem o próprio Eliseu. Acho mesmo que a utilização do Eliseu (e de um gajo que se chama Luís Miguel) são a arma secreta do Benfica. No Maior chamamos a isto “O estranho caso do Luís Miguel”. Falando de coisas sérias, ter o Orelhas Jr não devia ser permitido. Acho que jogar com o Guedes é como ter alguém com super poderes em campo, e isso é batota. O Guedes é tipo golfinho, tem o sonar ligado durante todo o jogo. Ele detecta os defesas, sabe onde a bola vai parar, pressente onde está o guarda-redes… Se isto não é uma coisa de super-poderes, então digam-me o que é! Esta semana não queria destacar tanto o Glorioso, dar 6-0 ao Marítimo é normal para nós, vulgar. Nós devíamos jogar sempre na Champions, todos os fins de semana para ver se isto começa a dar luta. Queria destacar os tomba gigantes. Porque a festa da Taça é a alegria dos clubes pequenos a saírem vitoriosos quando, “teoricamente”, partem em desvantagem. Parabéns ao Torreense, Vilafranquense, Sporting e ao Real Massamá. Despeço-me com um até já e com uma ideia para partilharem com os vossos petizes quando eles pensarem em escolher um clube para apoiar: no futebol existem duas certezas: São 11 contra 11 e no final ganha o Benfica.

Nuno Brites: “O FC Porto foi o único a cumprir”
Taça de Portugal, isso é o quê? Ora, é aquela espécie de competição onde os grandes respeitam os pequenos e o que menos interessa é ganhar. Há até quem lhe chame a festa do garrafão e da família! A dita é assim uma espécie de Volta a Portugal em Bicicleta, mas sem pedalada e sem futebol. E aqui o FC Porto foi o único a cumprir! Senão vejamos: ao Benfica calhava a promoção da Madeira. O que faz? É visitado em casa pela equipa preferida do Alberto João Jardim e espeta-lhe seis pregos nas costas. Já o Sporting, que recebia os Açores, até começou bem, com um daqueles golos que nos fazem entornar copos p’la garganta abaixo. Mas nos segundos 45 minutos estragaram tudo. O que é que se passa com esta gente? Que cagões! Era assim tão difícil receber bem as pessoas das ilhas? Isto é triste. E revoltante. Metam os olhos no FC Porto, que foi visitar Chaves – que é assim uma espécie de ilha ao pé de Espanha – sem estragar a festa daquela boa gente. Servimos um Porto de honra, umas palmadinhas nas costas e ainda lhes fizemos o favor de ir encher chouriços transmontanos e conviver para o relvado com uma bola, como se fosse um jogo a sério. “Para lá do Marão, mandam os que lá estão”. Soubemos respeitar, fizemos amigos e ainda deixámos que a concorrência nos batesse palmas. Um exemplo! Agora anda tudo entretido com o que não mexe, como fazer de estátua e os implantes da filha do Mendes, mas o Dragão não dorme. A nossa grande aposta vai para as competições mesmo muito a sério, como a Taça da Liga, a Champions League (fica mais fino dizer em estrangeiro, coisa que o J.J. não consegue fazer) e o Campeonato. E enquanto uns cospem fumo para os olhos, nós cuspimos fogo. Mais coisa, menos coisa.

Valdemar Iglésias: “É preciso rapidamente alguém fazer um desenho ao Nuno Espírito Santo…”
A Taça de Portugal, a rainha do futebol nacional. Eu e o Jorge Jesus gostamos do troféu. Não sei se o leitor sabe, mas até 1938 era uma competição nestes moldes que determinava o Campeão de Portugal. Não havia liga nesses tempos, o formato era de eliminatória bota fora. Assim, através dela tivemos os campeões de Portugal Carcavelinhos, Olhanense, Marítimo e Belenenses para além dos glutões três grandes. É uma prova onde, por tradição, se tombam gigantes. Como se tipos amadores de divisões terceiras se alimentassem de presuntos de Chaves e outros a bananas podres da Madeira, as surpresas acontecem com frequência. Foi o caso da Sanjoanense que aplicou um golpe de teatro ao Gil Vicente. O Real Massamá que abriu a pestana ao Olhanense. O Vilafranquense que acertou o passo ao Paços de Ferreira. O Nacional que não conseguiu escalar a muralha Torreense. E, claro, o FC Porto que não conseguiu arrombar a fechadura do golo ao Chaves. É preciso rapidamente alguém fazer um desenho ao Nuno Espírito Santo… No outro extremo do sucesso, o altivo Covilhã, o Estoril sempre na linha, a Académica deu uma lição, o Penafiel sempre a si próprio, Setúbal fê-los de caldeirada, Leixões a bom porto, quem deu o tom foi o Tondela, e o Braga viu por um canudo o seu grande rival vitorioso Guimarães, como eles. Mas também o Sporting esteve como se numa praia dos Açores e o Benfica que descobriu o caminho marítimo (com letra pequena) para a ronda seguinte da Taça de Portugal. No Sporting, destaque para Castaignos que se viu dessa cor para marcar golo, enquanto que o André “Balada”, promete que se tivesse entrado mais cedo, mais cedo tinha aberto a pista e dançado. Elias, que infelizmente, joga todos os dias. Meli como na sopa, ainda uns minutos. O Bruno César, imperador que chega, vê, marca, assiste e vence. O Beto, um bocado inocente no golo, mas bem no discurso final. 5-1 foi o score. Destaque obrigatório para o golão do açoreano Filipe Andrade. Figurará certamente entre os melhores da edição deste ano da Taça de Portugal.