As coisas pequeninas, assim para o quase anãs, despertam em nós sentimentos que apenas consigo relacionar aos raios que os ursinhos carinhosos emitiam. As transformações ocorrentes nas pessoas quando se encontram defronte de uma coisa/pessoa pequenina revelam isto mesmo. Se um rim/éclair não desperta em mim senão a vontade de o trincar, já uma miniatura de rim obriga-me a um “és tão fofinho” antes de o fazer preencher a cova de um dos meus molares, enquanto me rio à Carlos Cruz.

Quando se aliam comportamentos biológicos relativos a coisas pequeninas e o marketing agressivo das grandes superfícies de supermercado temos a campanha LIDL SHOP.

Quando conheci estas miniaturas primeiro pensei que eram a colecção inteira dos itens de casa de banho de um hotel. Para além do champô e do sabonete tinhas agora também um mini rolo de papel higiénico para fazer conjunto. Assim podias viajar em low-cost usando uma meia como necéssaire.

Mas aparentemente os hamsters que poderiam usufruir destes produtos, e assim seria um bom negócio para quem investia em 15€ de compras no LIDL e recebia algo para manter o seu roedor, afinal não são o consumidor final destas coisinhas fofinhas. Destas coisinhas pequeninas e fofinhas fazem-se colecções. Que giro. Que mini-giro. Uma mini colecção de coisas que um supermercado oferece.

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Até dizia que seria uma ideia parva e que nunca teria resultado porque as pessoas pensam todas da mesma maneira, igual à minha no fundo. Fui relembrado que este raciocínio já teve fracos frutos num passado próximo. E constatei que as filas no LIDL estão maiores. E que quando se paga na caixa se regateia mais uma miniaturazinha porque se são de graça eu posso pedir mais uma. E que se fazem trocas e vendas no OLX, e que a colecção completa destes mini ícones do consumo dos dias que correm vale 50€.

Se a ideia eram os pequenos, a quem coisinhas pequeninas se dirigem, fazerem brincadeiras com estes itens, a verdade é que há uma horda de adultos à procura destes coleccionáveis. Faz sentido, já que são eles que pagam e que se podem intitular donos destas magníficas colecções. A bem ver, fica mais barato do que coleccionar as moedas dos países da Zona Euro ou os Matutazos de uma geração anterior.

De qualquer forma, parabéns à estratégia de reposicionamento da empresa, descrita aqui pela directora de comunicação, já que as filas estão cheias, fala-se muito no LIDL e os mini pratos voltaram a estar na moda. É um bom exemplo de uma estratégia de marketing pensada de raiz para mudar a empresa.

Agora que já agarrei a vossa atenção, se alguém tiver uma banana troco por um frango ou um esparguetinho que tenho a mais.