Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: ; Porto 0 x 0 Belenenses; Porto 1 x 0 Braga; Sporting 1 x 0 Arouca; Sporting 2 x 0 Setúbal; Besiktas 3 x 0 Moreirense; Marítimo 2 x 1 Benfica

Nuno Brites: “Qual caga? É mística, carago!”
Foi um bonito fim de semana. Com os tímidos descontos do Black Friday a convidar ao passeio longe das lojas, o Benfica foi visitar a ilha do Alberto João e aproveitou a boleia da chuva diluviana para meter alguma água na fervura dos chatos dos lampiões que já andavam por aí a cantar o 36. Maravilha de silêncio… Foi um descanso! O Sporting lá ficou mais perto mas o Natal está à porta e, com ele, vêm as prendas e vem um derby. Como diria o Super Mário Jardel, o deputado que cheirava o golo, “derby é derby e vice-versa”. Que percam os dois no domingo e por muitos! E nós? Que maravilha de jogatana fizemos contra o Braga do Peseiro! Aos olhos dos desconfiados, até parecia que estavam em campo 10 trapalhões a engonhar (sim, 10. O Casillas é trapalhão, não conta) e sem saber o que fazer com a bola e a enganar o golo. Sois uns cegos! Esteve sempre tudo controlado. E quando a concorrência já estava preparada para invadir as redes sociais com “memes” do nosso treinador Nuno, o homem saca o coelho Rui Pedro da cartola e mete o ainda júnior em campo para marcar o golo aos 90+5’. Só para contrariar os empatas e chatear mais um bocado o Peseiro, especialista em Quântica Quase. Que momento! És brilhante, Nuno! E por falar em golos engolidos a seco, degustem lá este Porto vintage com casta dos 90’s, onde a defesa é o melhor ataque, pelo menos até prova em contrário. Já não sofremos um golo há quatrocentos e oitenta minutos. É que isto de andar a empatar ainda é difícil de manter mas, meus caros, nada é por acaso. Foi assim que Portugal ganhou o Euro 2016… Qual caga? É a mística, carago! E termino com esta: O Kelvin está de volta…

Valdemar Iglésias: “A subjectividade das regras FIFA em jogos em que entra o Sporting”
“Qual é a sensação de sentir o bafo quente de um leão a respirar na nuca? Imagino que não seja agradável. É coisa para enervar qualquer um. É coisa para lançar uma série de gente a correr em todas as direcções. É o que se observa nos painéis futeboleiros nacionais nestes dias. Poucos dias antes de um derby que não sendo decisivo, é importante. Algo que nos asseguravam eles, até há pouco tempo, seria improvável. Tão improvavel como o William Carvalho marcar golos de cabeça. Portanto nem foi titular nos primeiros jogos do Euro porque, garantiam eles, para além de ser lento e só jogar para trás, não é tão bom no jogo aéreo como o seu substituto Danilo. Mas na realidade, como regista a estatística, é dos que mais corre nos jogos, faz excelentes passes verticais e de desmarcação, e já encavou duas batatas de cabeça esta época, “versus” o substituto, que… bola e pouco calça. Então, foi do “Sir” William um dos 4 golos limpinhos, limpinhos com que o Sporting ganhou 2-0 ao Setúbal. Confusos? Também o Rui Costa, árbitro desse jogo. Fico sempre surpreendido com a subjectividade das regras FIFA em jogos em que entra o Sporting. Como um episódio do Twilight Zone em que a realidade pouco tem a ver com aquilo que surge aos olhinhos desse espectador privilegiado de apito na boca. É sempre difícil e extremamente aberto a interpretação ajuizar lances leoninos. Mas deixemos o calimerismo para outros por agora… Fico também surpreendido de termos obtido o Coates por empréstimo. Como é que o Sunderland empresta assim um defesa central de nível europeu? Era como se o Sporting emprestasse o Gelson Martins. Como se a Nazaré emprestasse o Canhão do McNamara. Como se a Sasha Gray… enfim, vocês entendem a coisa. Segue daqui um forte abraço para o Nuno Espírito Santo. Ou pela boa nota em Geometria Descritiva ou pela conquista da Liga dos Campeões no último minuto de compensação. Porém, convém recordar que do outro lado estava o José “pé frio” Peseiro, perito em derrotas dramáticas nos últimos instantes de jogo. Um forte abraço também para o Benfica, que descobriu subitamente que aquilo que equipas pequenas vão fazer ao Dragão ou a Alvalade, de queimar tempo e se atirarem para o chão a fingir lesões e câimbras, afinal é feio e anti-desportivo…

Pedro Santos: “O Benfica ganha sempre! Não existem derrotas ou empates, só vitórias!”
Pois é, fui Inácio e vi o bailinho da Madeira em casa, naquele streaming manhoso onde a bola vira pixel. Para mim o Benfica ganhou. O Benfica ganha sempre! Não existem derrotas ou empates, só vitórias! Sempre!! Ser lampião é isto. Conseguir finalmente assistir a um jogo do maior foi um privilégio. Queria ver a resposta do Rui Vitória e dos seus pupilos aos meus textos anteriores. O Benfica jogou, massacrou e tentou arranjar soluções durante 90 minutos, onde só se jogava no meio campo do Marítimo. Verdade seja dita, este novo Caldeirão só precisava de meio relvado, porque chegava bem. Não precisavam de gastar em relva, cadeiras e betão, e ficava um campo bem mais barato para as gentes da Madeira. Falando do jogo, deu-me gozo ver o Maior a jogar à bola, embora coxo da esquerda na primeira parte e manco da direita na segunda, o que assistimos foi o verdadeiro baile de bom futebol que culminou com um golo… desculpem… golão de calcanhar do Guedes. Visão, classe, prestígio, envergadura. Aquele golo, que uns chamam ressalto ou lance fortuito de calcanhar, do nosso golfinho (ver texto da semana passada) foi uma maravilha. Sobre o jogo, o Luís Miguel é bom, mas ele que esqueça fazer passes de 30 metros… não vai lá… aquilo não está no sangue dele. Não vale a pena Luigi. Ele aguenta aquele meio campo, é certinho, faz aquela assistência, mas precisamos de um louco a acelerar o jogo, a rasgar a defesa, a pensar out of the box (gostaram da utilização de um estrangeirismo no texto para aumentar a qualidade do mesmo?! Just foking amazing crazies). Para mim, o Horta é o jogador indicado. É novo, doente pelo benfas, tem técnica, risco e imprevisibilidade. Muitas das coisas que precisamos no nosso jogo. Mas, tal como os passes de 30 metros não estão no ADN do Luís Miguel, também a derrota é algo estranho para nós benfiquistas. Não estamos habituados a este tipo de sentimento, não sabemos bem o que fazer. Para mim, a solução que arranjei foi “o Benfica ganhou”! Na verdade o Benfica foi um belo convidado, deixando o anfitrião inaugurar o seu estádio com uma vitória, alegrando as suas gentes. Isto é a grandeza do Maior. Prefere relançar o campeonato no natal, dando um chapelinho de chocolate aos rivais directos, para que o espírito natalício entre em casa de todos os portugueses, do continente e das ilhas. Últimas palavras vão para o Nuno Espírito Santo. O PAN vai propor um decreto-lei para que ele seja obrigado a plantar 10 árvores por cada vez que, qual Miró, rabisca de modo informativo sobre a tela. Agora a sério, ofereçam um tablet ao homem com o Paint. Pode apagar, escolher cores, pincéis, lápis, canetas e até marcadores. Escrever num quadro, em papel, é tão anos 90! Até para a semana, que vai ser forte. PS: vou trabalhar na terça e domingo naquelas horas, por isso vamos rebentar com eles!