Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Benfica 1 x 2 Napoli; Benfica 2 x 1 Sporting; Porto 5 x 0 Leicester; Feirense 0 x 4 Porto; Legia 1 x 0 Sporting: Benfica 2 x 1 Sporting

Pedro Santos: “Penaltis? O nosso Ederson defendia”
Vamos falar do derby? Vamos botar mais lenha na fogueira? Vamos tentar ser uma mistura de Bruno de Carvalho com Octávio Machado? Eu sabia que este último estava desejoso de entrar na festa. Aquela carinha no pós-jogo… nossa Octávio, estavas rosadinho seu malandro! Os meus amigos sportinguistas (incluindo a equipa de produção da Preguiça e o Valdemar), gostariam da repetição do jogo da época passada, aquele da derrota do maior por 3-0. Eu também esperava um resultado desses. Foi aí que ganhámos o campeonato, foi nesse jogo que os jogadores foram empurrados pelo inferno da luz até ao tricampeonato. Aquele minuto 70 que mostrou o orgulho lampião. O Benfica, uma vez mais, foi o maior em campo. Existe muita confusão, muitas suposições e muita gente nervosa neste pós-jogo. A arbitragem, as mãos na bola, os penaltis por marcar, os cartões e até o poste. Deixem-me dizer-vos que, mesmo com os dois penaltis marcados, o nosso Ederson defendia. Ele só não defendeu aquele golo para dar alguma animação ao jogo. Mais, se repararem, o Ederson estava a beber um café ao primeiro poste, sem dar muita atenção a mais um ataque do Sporting que, como habitual, não iria dar em nada. Mas falando de postes, também o poste da baliza do Glorioso foi culpado pela derrota do Sporting, o poste e o Jorge Sousa. Dois malandros. Eu tenho a solução, não se preocupem. Se acham que o primeiro golo do Benfica vem de um penalti não assinalado contra o Maior, eu vou mais longe – se o Bryan Ruiz remata a bola com efeito suficiente para esta se dirigir à baliza e não ao corpo do Luisão, o Benfica não marcava. Mais, se antes desta jogada o Bruno Cesar remata colocado ao ângulo contrário da baliza do Benfica, não marcávamos. E digo mais, se o árbitro, ao invés de parar o jogo naquela arrancada do Guedes para tirar os papéis, se fizesse a limpeza do relvado antes do apito inicial e o mesmo tivesse início 47 segundos depois do que aconteceu, o Benfica não marcava aquele golo. Acrescento, se o autocarro do Sporting tivesse um furo a atravessar a ponte Vasco da Gama, o jogo começava atrasado e o Benfica não marcava. Ou isso ou então, a partir de agora, fazemos a regra da Múmia. Antes de subir ao relvado, os jogadores de ambas as equipas passavam por uma máquina que liga os braços e as mãos ao tronco, tipo Múmia. Acabava-se a brincadeira dos penaltis e mãos na área. Isto é o futuro. Visão. Classe. Prestígio. Envergadura. Próxima startup no Websummit 2017? Sobre a Champions, calhou-nos, em sorte, o Dortmund. Pois é, lá vamos nós explicar às pessoas de Alvalade como se ganham jogos contra esta equipa. Não é a jogar muito, que isso só conseguimos fazer durante 45 minutos e depois acaba a bomba. É jogar o suficiente e marcar mais que a equipa adversária. Os jogadores do Dortmund ficaram nervosos, como é óbvio, porque em Fevereiro vão jogar contra o tricampeão nacional mais o Jonas. Quanto ao Porto, calhou-lhes a Juventus, e a jogarem como têm feito nestes últimos jogos têm boas possibilidades de passar a eliminatória. Torino love. Quanto ao Sporting… que seja um bom natal para todos nós e até para a semana.

Nuno Brites: “De casta goleadora”
Assim, para início de conversa, vai um Porto? Ou vão quatro ou cinco golos? Uma semana, duas coças. E juro que nem estou a pensar no vaidoso do capitão Cristiano, que hoje apareceu tão inchado de coçar as quatro bolas, número suficiente para fazer dele o mais dotado dos valentes e impor um respeitinho macho nos adversários. O assunto da luta aqui é mesmo este FC Porto de casta goleadora. Qual máquina trituradora doutros tempos mais gloriosos, a equipa do treinador Nuno já largou aquela fase mais parva do “empata aqui, empata ali” – obviamente de propósito e tudo pensado e treinado ao pormenor – e já está a mostrar que quem manda é o Dragão. E o Pinto da Costa, vá. E o Jorge Mendes que é o dono deles todos. Adiante e ao que interessa, saímos da fase de grupos da Liga dos Campeões em grande estilo, ao envergonhar o campeão inglês, mas que ainda assim lhe fizemos a vénia cavalheira de deixar ir em primeiro só porque foi a equipa mais fixe do ano. Depois embalamos e fomos a Santa Maria da Feira semear mais quatro batatas. O que há umas semanas atrás pareciam 11 badamecos atrapalhados com uma bola nos pés é agora é vê-los jogar e a marcar com elevada nota artística. E até com sorte, que aquele penalti do goleador André, o nosso menino de ouro, só entrou por causa de uma relva mal amanhada e que enganou o moço da baliza. Desconfio que andou por ali outra galinha preta e perdida a queimar os últimos cartuchos antes da cabidela… O derby é que não correu muito bem, que eu estava mesmo com aquela esperança de perderem os dois. Ou pelo menos de ver perder o Benfica em casa, que já me dava metade da satisfação. Apesar de tudo, não foi uma má jogatana. O Sporting a jogar e os outros a marcar e um árbitro pouco amigo. É lixado, a vida às vezes não é justa e tudo atrapalha. Sim, nós também já demos para esse peditório este ano mas pelo menos só lhes demos a alegria de empatar… Quem não estava muito feliz era o presidente Bruno. Depois de uma semana em que percebeu que não lhe calha nada dos vouchers porque a UEFA não lhe passa cartão, ainda teve que acabar o domingo aos papéis e com um grande melão. Soa a poesia mas até me dá para ter pena. Só de pensar no trabalho que vai ter a escrever comunicados no Facebook… Descontraia presidente e que o Natal lhe traga alguma paz. Vai um Porto?

Valdemar Iglésias: “Às vezes aquilo parece o Entroncamento”
Recordo-me de um episódio na escola primária. Havia um campo de futebol, com balizas e tudo, onde ensaiávamos uns toques aos intervalos. Numa dessas partidas não tinha ficado bem definido quem era o guarda-redes, eu (juro que não era gordo para ir à baliza) ou um outro coleguinha. Num ataque adversário segurei a bola com as mãos. Deu penalti. Juro que é verdade, assinalámos penalti num desafio na escola primária por mão na bola. Eram outros tempos. Anos mais tarde, já no ciclo, aprendi as diversas modalidades. Não havia que enganar. Basquetebol, andebol, voleibol… Só uma se destacava por ser jogada com os pés. O nosso JJ é um incompetente. Aposto que passou a semana inteira a treinar os jogadores sobre a modalidade errada. Aposto que treinou futebol, e todos vimos que a modalidade que se jogou na Luz era outra. Não estávamos preparados. Uma bela jogada de voleibol à qual não fizemos o devido bloqueio com os braços, contra-ataque e ponto. À conversa com amigos rivais, eles tentaram meter tudo no reino dos acasos singulares. Ingénuos. Nós, sportinguistas estamos mais habituados a cenas esquisitas em relvados em que entre o clube… Às vezes aquilo parece o Entroncamento. Mas nunca a favor dos verdes e brancos. Assim, de azar em azar, de acaso em acaso, aquilo que poderia ter sido um resultado para um lado, acabou para outro. Tudo normal, no Entroncamento que é o futebol (?) nacional.