Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Setúbal 0 x 1 Sporting; Sporting 0 x 1 Braga; Real 0 x 3 Benfica: Estoril 0 x 1 Benfica; Porto 2 x 1 Marítimo; Porto 2 x 1 Chaves

Valdemar Iglésias: Vai-te foder, Stephen Hawking
A Teoria do Multiverso tem as suas raízes na Física Quântica, na Cosmologia e até na velha Teoria da Relatividade. Segundo essa teoria, não existe apenas um universo, mas vários, talvez infinitos, existindo paralelamente. Cada um deles originado numa pequena variação de outro universo. Por exemplo: Imagine-se que um árbitro português de futebol decide que aquela bola na mão deve ser punida, aquele contra-ataque parado, o penalty assinalado. Num universo paralelo, o Sporting segue em primeiro na Liga e ataca o jogo contra o Braga com a confiança e tranquilidade de saber que um jogador mediano que alinha numa posição da equipa onde jogam os tipos medianos/extremos falhados/polivalentes aka tipos esforçados que nunca hão de dar mais que aquilo, que é a de defesa direito, quando se retiram e vestem a gravata, apenas podem evoluir logicamente para treinadores medianos. Desses treinadores medianos que são notoriamente incapazes de darem a liberdade e a confiança a avançados/extremos também eles medianos, que os impulsiona para marcarem o único golo de um jogo, sempre à sua antiga equipa. Como sempre. É um universo paralelo em que o Sporting fez mais uma exibição segura contra o Braga, nas asas de alguns lances bem ajuizados pelo árbitro, a começar por mais um par de penaltis correctamente assinalados que deram origem a um resultado folgado. Também o justo vermelho por uma entrada imprudente às pernas do Gelson aos 40 minutos acabaram por limitar qualquer réplica que este Braga pretendesse oferecer ao Sporting. Que assim, segue cada vez mais líder. Uma vez que o Benfica marcou passo graças a um empate contra o Estoril. Houve um lance polémico de bola na mão/mão na bola, que faz alguns benfiquistas queixarem-se, embora a maioria esteja já farta do futebol medíocre de Rui Vitória após duas épocas e tenham saltado alguns lenços brancos nas bancadas. Destaque para a goleada do FC Porto por 4-1. O árbitro, bem a considerar o primeiro golo em linha, justo penalty no segundo, seguidos de mais dois golos de bom efeito. Imaginem-se os universos paralelos que se criam apenas com a decisão de mão na bola/bola na mão não ter a ver com a cor das camisolas… Infelizmente, como eu sou o meu “eu” mais azarado de todos os meus multi-“eus”, sou forçado a viver neste universo paralelo… Vai-te foder, Stephen Hawking.

Pedro Santos: “O Jimenez, nem oferecido no futsal do Vidigal, a guarda redes”
Olá txitxos, peço desculpa mas só acordei agora dos primeiros 45 minutos de jogo do nosso Benfica. Não consegui aguentar a táctica do funil. Todos juntinhos, ali no meio, tipo Sun Quick. Concentrado de laranja, mas de mecânica nada, zero! Eu sei que sou chato, mas não temos um gajo na equipa dos benjamins a jogar melhor que o Luís Miguel? Não aguento ver um gajo que é lento a pensar, a fazer um passe e a decidir. O Pizzi é isto. Era um bom apanha bolas no Estoril, é um fraco meio campista do Maior. Por isso, peço desculpa, adormeci. Mas pronto, continuamos com este espírito natalício que começámos na Madeira, mas desta vez, em vez de 11 jogadores tínhamos 9, para darmos hipóteses ao Estoril. Quando oiço o nosso presidente dizer – “o Jimenez é uma potência”, “vai ser vendido por milhões”, acho que ele só pode estar a alucinar. O Jimenez, nem oferecido no futsal do Vidigal, a guarda redes, quanto mais vendido! Mas quando eu acordei, já na segunda parte, e vi que o nosso Rui Vitória ia mexer na equipa pensei… ok, agora é que vai. Bota o grego assassino aka Mitroglou, e entre Jimenez, Pizzi, Guedes e o Rafa venha o diabo e escolha… pimba tira o puto maravilha, o melhor em campo! O único que andava ali a correr e a arriscar. Se calhar estava a ver um jogo diferente do meu. Mas para mim o escândalo estava guardado para o fim. Não, não foi a mão na bola e aquele penalti, foi aquele minuto 91! Digam-me que aquele craque do Estoril não estava comprado. Eu não acredito! Falhar a baliza a 32 cm?! Das duas uma, ou foi comprado ou tem síndrome de Postiga – o homem que se sagrou campeão indiano este domingo. Vocês sabem o que estou a falar, aquela ponta de azar, falta de sorte, azelhice, velhice, cromice, eu sei lá. O síndrome tem esta característica, falhar golos que é só encostar e marcar golos impossíveis. Faz-nos questionar se o rapaz é ou não uma potência do futebol. Tipo Jimenez. Por último, destaque a duas pessoas que marcam a jornada. Primeiro o Jorge Simão, excelente treinador, grande trabalho em Chaves e agora, a treinar o Braga. Acredito que vai colocar os guerreiros do Minho a lutar por um lugar na Champions. O segundo destaque vai para o regresso do Jonas. É outro nível de futebol, não existe em Portugal alguém a jogar assim, com a classe deste menino. Por isso, a brincadeira acabou, vamos rebentar com isto tudo. Vamos colocar o Jonas a aquecer os motores durante a Taça da Liga para, em Janeiro, escavacar no campeonato. Bom Natal txitxos.

Nuno Brites: “O Natal este ano é ainda mais igual a tantos outros”
Nota-se muito que o Natal está aí? E juro que não estou a falar da saga parva Sozinho em Casa, da família Aveiro, nem do Natal dos Hospitais que todos os anos me obriga a sentar à lareira vestido com o roupão da doença e as meias com borboto, movido a chá com mel e a comer playback televisivo enquanto espero pelo coro de Santo Amaro de Oeiras. O Natal este ano é ainda mais igual a tantos outros. Na capital, o Benfica não pára de receber prendas. Desta vez foi um bonito penalty embrulhado em papel de dúvida mas que o senhor do apito se apressou a entregar decidido. É que gastar os vouchers no CascaisShopping ainda dá uma certa finésse. Já o Sporting, que é onde está o Jesus desta história, só espera receber alguma lá para o dia de Reis. O presidente Bruno é quem sofre com isto tudo, que a época não é fácil para os fieis das dietas. E nós carago? Já só estamos a um ponto. É que nem foi preciso recorrer ao empate! Recebemos os nossos amigos durienses, ainda lhes demos um golo e alguma moral e depois só foi preciso recorrer aos nossos mais duros, o Danilo e o Depoitre, que até estava avisado pelo presidente que se não metesse pelo menos uma lá dentro não iria à Bélgica comer chocolates. Tecnicamente bem feita, talqualmente como mandam os livros, aquela também foi uma cornada de raiva acumulada. Por esta hora a bola ainda deve estar atordoada… O árbitro, também ele atordoado com os vouchers, é que ainda caiu na asneira de enviar mais umas prendas para a segunda circular mas depois voltou ao mundo real, quando olhou para as bancadas do Dragão e viu por lá o capitão do Canelas Gaia a entoar o A todos um bom Natal. Até a mim doeu! Macaca, desculpa a sinceridade, mas precisas mais do que isso para ir à final do The Voice! Agora gostava de acrescentar uma boa ideia sobre o tema da moda, o vídeo–árbitro: Instalam-se mais umas quantas câmaras nos estádios, retiram-se os árbitros do campo e sentam-se os senhores num estúdio montado numa das simpáticas casas do Reinaldo Teles. Ficarão em boa companhia e mais confortáveis para analisar os jogos. Aposto que as dúvidas desaparecem sempre que o FC Porto jogar… Brilhante não é? Como diz o nosso treinador Nuno Espírito Santo, “Tudo é processo, tudo é momento”. Bem hajam e a todos um Feliz Natal!