Bola, suor, pitons, magia, tíbias e pataniscas! Classe, massacre, vinho e panados! Dribles, pés esquerdos, cortes para canto e perninhas de frango. Tudo isto e nunca mais do que isto. A Segunda Bola promete ser a análise desportiva de que precisas para continuares a saber exactamente o mesmo, o comentário de pé em riste feito num teclado pelado e sem caneleiras. Valdemar Iglésias é do Sporting, Pedro Santos do Benfica e Nuno Brites do Porto: eles são os três filhos bastardos do Bruxo de Fafe com Zandinga e entram em campo sem se benzerem. Que vença o melhor!

Resultados da semana: Porto 2 x 1 Chaves; Belenenses 0 x 1 Sporting; Benfica 2 x 0 Rio Ave

Nuno Brites: “Este campeonato é nosso!”
Estou como os jogadores do Sporting: Não gosto do Natal! Só não sei se é amar de mais ou amor a menos. Ou sorte ao azar, que sou de boa pontaria. “Sorte ao jogo, azar no amor”, reza assim o popular mas, caramba, jogo no Euromilhões e não acerto mais do que dois míseros números, premiados com migalhas que não me cobrem a aposta. Sendo assim, devia estar milionário da coisa do sentimento mas… azar, não está fácil. É uma porra! É mais ou menos isto que vai na alma do Rui Patrício, Adrien e restante cambada verde e branca. Eles jogar até jogam mas falta amor. Do Presidente Bruno que, convencido com os resultados da fórmula Tallon, andou a ameaçar aquela malta com uma dieta nos gordos ordenados. E da claque que até é o maior amor mas foi à Academia dar aquela força extra que traz cagufa e faz borrar a cueca de qualquer jogador. Amar de mais ou amor a menos, ninguém merece, mas lá ganharam ao Belenenses e com muita sorte ao jogo. Quanto aos lampiões, já estavam avisados do regresso ao Dragão do pinga-amor Kelvin, o tal que nos deu um campeonato na única vez que não fez a trapalhice de sambar com a bola nos pés. “Não há duas sem três”, reza outro popular e este campeonato é nosso! Considerem-se avisados… A minha mãe é que diz sempre o contrário mas acreditem que sou mesmo uma boa pessoa e até vos poupo da conversa da nossa fome de vitória. É que ainda está tudo com a ressaca da comida do Natal e não queria ofender balofos nem o presidente Bruno que, coitado, sofre com a história da dieta. Bem hajam e boas entradas. A pés juntos, de preferência.

Valdemar Iglésias: “Na-na-na-na-nanana-Bas Dost!”
Em primeiro lugar, salientar o colinho que sente o Sporting em cada jogo. Aquele 12.º jogador que desequilibra tanto, que quase se torna um jogo desleal. Refiro-me, está claro, ao apoio da Curva das bancadas. Apesar do jogo ser no Estádio do Restelo, mais parecia um mini-Alvalade, mais bonito até porque sem fosso. Excepto, talvez, aquele em que caíram os adeptos pastel, aí uns 14 milhões, lá perto do minuto final e mais uns pozinhos. Segundo, destaque para o segundo melhor guarda-redes nacional, o pimpão Beto Pimparel a quem devemos os 3 pontos. Aquela defesa no lance de 3 para 1 vai estar entre as melhores do campeonato, momento Kodak para mais tarde recordar lá em Maio. Quando o Sporting for campeão. Na semana em que se falou nos prémios individuais de futebol, destacando justamente o nosso CR7, claro, mas também o Fernando Santinhos, engenheiro do Euro, como melhor técnico de selecção, pode ele ficar descansado quanto a guardiões das redes do clube de todos nós. Foi também a semana em que a Juve Leo invadiu o treino na academia de Alcochete com forquilhas e tochas para dar um abraço aos jogadores e ameaçar o técnico JJ da seguinte maneira:
– JJ, campeões?
– Ya, men. Na boa.
– Tass. Peace out. Vamos andando para fugir ao trânsito na ponte. Abraço.
(o repórter Preguiça estava lá)
Mas não se pense que é tudo um mar de rosas nesta crónica. Voltando ao jogo, sou obrigado a referir um lance na área do Belém em que um defesa toca com a bola na mão. Como é habitual, é um lance duvidoso. Fica a pergunta, se o defesa fosse o Douglas ou o Coates a coisa se manteria no reino dos achismos arbitrais ou passaria a certeza. Mas desenjoar de outros jogos, em que o Sporting jogou de carago sem, no entanto, amealhar os pontos em disputa, desta vez o guião foi o inverso. A jogar mal, quase sem merecer, no último lance do encontro lá amealhou 3 pontos da cabeça do (inserir excerto dos AC/DC) Na-na-na-na-nanana-Bas Dost! Um golo terapêutico. Principalmente para os jogadores adversários, que até aí estavam cheios de maleitas, nomeadamente câimbras, osteoporose e peste bubónica e milagrosamente começaram a trotar pelo relvado com renovada saúde. A OMS devia investigar. Ou o departamento de milagres do Vaticano. Como eu previa há umas semanas, a luta contra esse autêntico cancro do futebol, o vergonhoso anti-jogo, voltou à gaveta… Coisas de equipas pequenas.

Pedro Santos:”a todos um bom natal”!

Acho que mais do que comentar a jornada, esta é a altura indicada para falar das figuras e momentos do ano. Imaginem o coro de Santo Amaro de Oeiras a cantar aquele hit de inverno “a todos um bom natal”… e estamos prontos para começar. Começo com o erro de casting do ano. Peruano, 25 anos e a única coisa de jeito que fez, na sua curta carreira, foi marcar um golo ao Benfica na Supertaça. Esta foi a única vitória que o Bruno de Carvalho teve sobre o Benfica, em 3 anos. Fez-nos acreditar que o Carrilo era um bom jogador, e nós acreditámos…e ainda pagámos uma nota preta por ele. Com isto, passo para a frase do ano. “O meu feeling é que ele vai ser a mais cara transferência do futebol português.” A entrevista do nosso presidente teve momentos que mais pareciam tirados do “how I met your mother”. Quando ele falou sobre o Jimenez foi um desses momentos. Feeling diz ele. Deve ter sido o mesmo feeling que o fez contratar o Ola John, Tarabat, Djuricic, Celis, Cortez, Steven Vitória ou o Djaló. Todos são bons jogadores que poderiam estar, para mim, na equipa do ano – o CANELAS 2010, a nova potência do futebol nacional. Façam um favor a vocês, se acham que o Benfica é levado ao colo, vão ao Youtube e escrevam as seguintes palavras “resumo pedrouços 1-2 Canelas 2010”. Vejam 10 minutos deste vídeo e depois venham falar de arbitragem comigo. Se depois disso acham que o Benfica é levado ao colo é porque só viram 20 segundos do jogo. O jogador do ano, para mim, foi o André Horta. Como benfiquista e doente que sou, desde 2008, quando o príncipe de Florença saiu ao minuto 82 sobre a maior ovação de sempre do estádio da Luz, que nunca mais tivemos um verdadeiro número 10. O Rui Costa deixou saudades. Oito anos depois, ver um miúdo como o André Horta a jogar no nosso Benfica é um alívio. Seguimos com o momento do ano. Dia 5 de Março de 2016: Sporting – Benfica, minuto 72. Quando muitos falam em arbitragens e colinhos eu respondo com aquele falhanço do Ruiz. Essa foi realmente a razão do Benfica ter ganho o campeonato. Assumam isso e parem com as desculpas e com esta pressão, doentia, sobre as arbitragens. Por isso, para 2017, peço para o bem do nosso futebol, e para que isto continue como uma paixão e não uma conversa entre pessoal do Júlio de Matos, que vejam o futebol como nós o vemos aqui, um sítio onde somos doentes saudáveis e bem dispostos pelos nossos clubes. Rivalidade é fixe, agora andar nervoso por gajos que recebem 2 milhões por ano… não vale a pena! Abraço txitxos e boas entradas.