Comenta a Dor | Miguel Reis

Adeus Comenta a Dor

Caros preguiçosos,

Hoje é a minha última participação como blogger no Preguiça Magazine. Quero agradecer a toda a equipa da Preguiça e em especial ao meu amigo Ricardo Graça, pelo convite mas sobretudo pela sua amizade.

Hoje, então, morre o Comenta a Dor! Nada de chorar, pois ele não existe na realidade; é apenas uma personagem, uma extensão “artolas” de Miguel Reis. A verdade é que tive muito prazer em escrever para o magazine… algumas vezes sim, outras nem por isso. Confesso que estava a ser penoso já para o fim, nada que ver com a Preguiça, claro, mas sim estava chateado comigo próprio: esta figura desajeitada de artista escritor estava a cansar-me de vez. E posso explicar. Agarrei esta semana uma fotografia que tenho de quando era pequenote. Era um miúdo, acho eu, girinho, de carinha bem feitinha e cabelo loiro. Essa fotografia fez-me voltar muitos anos atrás e percebi todo este descambar “artístico” que veio distorcer-me nos dias de hoje.

Quando era aquela criança lembro-me de ser reguila, brincalhão, ou melhor um pequeno palhaço cujas imitações ou exercícios físicos tinham aquele objectivo ingénuo e verdadeiro: fazer rir. Desenhar sorrisos nas caras familiares, nas dos meus pais, e assim receber um “amo-te” esculpido no rosto com esses mesmos sorrisos porque dificilmente essas palavras me chegariam, aliás, não me lembro de me terem chegado.

Desenhei também bem cedo. Gostava de desenhar, criar pequenos universos coloridos em folhas de papel que deixava depois espalhadas ao acaso, pelos cantos da casa para que as pudessem ver. Lembro-me que fingia muitas vezes estar adormecido no carro, quando regressávamos de casa de familiares, para que a minha mãe ou o meu pai me pegassem ao colo, e pudesse sentir o apertar dos seus braços. Desiludam-se os que acham que Miguel Reis tem algum dom, o da escrita, o sentido de humor, o canto ou o desenho! Não há dom nenhum. Tudo isso foi apenas uma aprendizagem que fiz, para dizer “estou aqui”. O pequeno loiro aprendeu rapidamente que podia fazer rir os que ama para receber “amo-te”, podia desenhar para ouvir palavras de apreço e admiração, podia cantar para ver olhos brilharem de emoção à sua volta. E foi assim que aprendi e cresci com os que amo, foi esta bengala que me acompanhou principalmente nos momentos mais difíceis da vida.

É este Miguel Reis, Comenta a dor, cantor, desenhador e escritor que hoje cai no fosso onde nasceu há muitos anos. Foi ele que me impediu de viver olhos nos olhos com os meus medos, embelezando muitas vezes ao longo da vida cenários escuros e penosos, deixando-me apático. A figura “cliché” do artista que por ser criativo não sofre nem teme nada que o possa rodear é uma verdade pálida e pouco consistente. Escrevi um livro porque nada mais tinha para fazer, desenhei pelos mesmos motivos, cantei e escrevi para canções porque não tinha ocupação, estava no desemprego, numa tortura lenta e desassossegada, onde o choro e a raiva são vividos em frente ao espelho e bem longe do olhar dos que amamos. Hoje o Comenta a dor leva consigo o resto desse “artista”.

Quando passarem por mim na rua, não me voltem a perguntar: “Então, o que estás a fazer de novo, a preparar mais um livro ou uma merda de uma BD?” Não me perguntem isso porque a verdade é que prefiro mil vezes que me perguntem como está a correr o meu novo trabalho. Sou ainda aquela criança. Frágil, desajeitado, que só quer um pouco de atenção e sonha ter uma vida feliz e normal. Até eu tenho aquele sonho popular, de passar a vida a mudar fraldas, fazer barulhos esquisitos para alegrar uma criança e ir às compras de fato de treino, correndo os corredores de ponta a ponta à procura de outro loirito como eu já fui. Eu sei, isto não tem nada que ver com os “artistas”.

Este artista morreu, sim. Deveria ter morrido há mais tempo, teria sido melhor para mim se ele nunca tivesse existido. Essa fotografia foi a confirmação de óbito, pois o “artolas” faleceu oficialmente quando passei cinco dias a percorrer titubeante os corredores do hospital perguntando vezes sem conta a Deus: “Porquê, porquê, porquê?!” Nessa semana percebi que era tão ou mais difícil a perda de um sonho partilhado quanto a perda de alguém.

Agora só eu estou aqui, só eu, pequena criança loira mais velha e com menos cabelo. Um dia mais tarde quando a velhice for a minha única certeza, espero estar sentado à beira de um rio, em cima de um calhau, levando pequenos e repetidos apertos na minha mão direita e ter à minha esquerda a voz de uma bela menina, dizendo: “Trouxe-vos aquele desenho que fiz de nós quando era miúda.” Nesse desenho naïve, colorido a lápis, está um homem, uma senhora e uma criança juntos a uma pequena casa, um rio e uma pequena flor. Nesse dia vou dizer-lhe: “Filha, não somos nós! Aquilo que desenhaste é o teu próprio sonho, a família que tu vais ter um dia mais tarde.”

Até sempre,

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 25 Julho 2013)

Escrever

Caros preguiçosos,

Vamos lá mais uma vez escrever qualquer coisita para alegrar a malta. Bem, hoje não sei muito bem o que escrever, talvez fosse mais fácil dizer, soletrar, abanar os lábios fazendo sons em vez de escrever. Esta coisa da escrita não deveria ter sido inventada. Umas alminhas bem inspiradas quiseram transformar as palavras em rabiscos mais ou menos coerentes, isto há uns largos milhares de anos; mais preocupados em inventar a escrita do que inventarem casas de banho, sanitas ou simplesmente a merda de um sabonete para se lavarem. Eu até percebo essa preocupação maldita em registar as histórias e costumes em paredes e depois em papel, mas teria sido melhor para nós, hoje, se esses iluminados inventores estivessem quietos ou pendurados numa oliveira, pelo pescoço por serem loucos. Hoje seria tudo mais fácil. Eu, por exemplo, não estaria a escrever para o Preguiça. A própria Preguiça seria um magazine falado, de boca em boca, sendo virtualmente falado. Não teríamos sms, livros e na escola as provas seriam todas orais. Na saúde, por exemplo, ou na falta dela, os médicos não teriam outra hipótese, em caso de dúvida, senão falarem uns com os outros. O orçamento de Estado seria nada mais nada menos do que um conjunto de palavras e promessas, o que ele já é! Sim, este caso não se aplica! Seria tudo mais fácil e a Humanidade iria ganhar com isso, pois tudo teria de ser resolvido falando uns com os outros. Imaginem que não existissem contratos escritos! Maravilha. Iríamos ao banco e apenas diríamos: “Eu não pago a prestação da casa!” E o banco replicaria: “Tem de pagar!”. Ao que responderíamos: “Não, não.” Já para não falar das multas que só poderiam ser passadas verbalmente, até as de estacionamento!

A escrita, as letras, enfim, o abecedário desassossegam-me; incomoda-me a escrita e esta forma de comunicar, mas isso é talvez porque me sinto um verdadeiro macaco, um homem das cavernas, depois de ouvir as declarações de Cavaco Silva e não só. Hoje apetece me virar costas à escrita, baixar-me para apanhar o sabonete ou a borracha. A Humanidade começou a expressar-se com os sons e gestos, depois vieram os desenhos e mais tarde a fala e a escrita. Entretanto, a Humanidade esqueceu-se dos gestos e dos sons e isto porque a escrita existe. Hoje, sim, quero ser macaco, fazer “Uh! Uh!”, mijar de gatinhas para o rio, catar piolhos às fêmeas, porque isto de escrever desumanizou-me a mim e a muitos outros.

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 18 Julho 2013)

Canetas

Caros preguiçosos,

Eu sei! Mais um texto?! Perguntam os assíduos, os adeptos dos meus rabiscos coloridos. Posso explicar? Já não tenho estojo de canetas coloridas, tinha um mas era emprestado. Miséria, dirão alguns mais críticos; vergonha, dirão os ainda mais críticos ou os que não sabem sequer escrever. Como é possível um rabiscador como eu não ter um estojo de canetas? Tenho de comprar um estojo de canetas de cor, mas isto não se resolve de um dia para o outro, pois fiquei sem força nas canetas e agora tenho de tomar vitaminas. Por falar em vitaminas, alguém me sabe dizer onde posso adquirir canetas de tinta de cor? Se calhar vou apostar na tinta em vez das canetas de feltro e logo se vê se consigo desenhar qualquer coisa de interessante para o Magazine e seus leitores.

Bem, mas adiante, este assunto das canetas é aborrecido e ao mesmo tempo em que estou a escrever este texto tenho um espelho mesmo à minha frente. Este não pára de me dizer “oh pá, esquece lá as canetas e tira mas é umas fotos”, como se eu precisasse de uma sessão fotográfica para me sentir bem! A Natureza foi justa para comigo e continua a ser, felizmente, ainda que os anos passem… e as canetas, pá! Do corpinho, claro; essas são levadas pelo coração e o gajo tem cá um peito e não tarda até rabisco as fachadas do castelo de Leiria. Com o Comenta a Dor, nunca vai faltar cor. A verdade é que comecei pelo preto e branco, depois passei para o preto e uma cor ou outra, e mais tarde já estava na cor.

Bem, mas adiante, esta conversa da cor é aborrecida e agora lembrei-me que amanhã é quinta-feira, véspera de sexta; logo, existe uma grande probabilidade de aparecer o fim-de-semana logo atrás. Eu sei, sou perspicaz! O fim-de-semana irá trazer férias. Santíssimas férias! E ainda há pouco comecei a trabalhar! Bem, a ver vamos se tenho férias pois estou a aguardar ainda uma aventura laboral ainda mais colorida. Lá estão alguns mais perversos a imaginar que vou vender a caneta à beira da estrada, e não digo Edding porque sou humilde. Em boa verdade o meu coração tem bem mais tinta do que todas as canetas que por aí andam, até as que não têm cabeça ou aquelas tipo brinde, de plástico ranhoso e sem recarga. Andam sempre canetas destas no porta-luvas do carro, ainda que só sirvam quando não encontramos outra de jeito, principalmente para assinar um cheque no supermercado.

Eh pá, cala-te lá com a merda das canetas! Não fui eu que disse! Foi a minha cadelita Jessica que disse num tom ameaçador que só ela sabe detonar e que se aparenta mais ou menos a este som – uhhhheeehhaaaa! Mas o que é que ela poderá saber sobre as canetas? Ela não percebe nada disto do desenho e da cor, é apenas um animal peludo que gosta de cagar em seixos, passa a vida a roer pequenos peluches e tenta morder o seu próprio rabo quando está em frente à sua gamela. Bem, mas devo reconhecer que estas figurinhas dão uma certa cor à vida e até é inspirador para o que virá a seguir. Todos somos meio pintores, uns pintam a cor outros pintam a preto a branco, uns pintam alegria outros pintam o mal, talvez por nunca terem sido pintados a cor e apenas terem levado com rajadas de tinta.

Já o meu avô dizia: raios abrasem o catano. Eu sei, isto não tem nada que ver com o tema, era só para acabar de vez com a conversa das canetas e da tinta. Olha, está a faltar-me a tinta do Windows e vou terminar.

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 11 Julho 2013)

São Pedro

Caros preguiçosos,

O calor do Verão instalou-se, ou quer instalar-se, apesar de São Pedro andar a semear nuvens e uma chuvazita, como quem diz: “eu é que mando nisto tudo”. Bom! Quero dizer a São Pedro que ele e muitos outros santos e sãos não sei o quê, já há muito perderam legitimidade para dizerem o quer que seja. Este São Pedro em particular acha-se muito importante e parece-me que deve estar, de alguma forma, ligado a uma das grandes marcas de roupa. Anda de certeza a receber subornos para aumentar as vendas da dita marca. Ora envia chuva e frio mesmo na altura em que colocam a nova colecção de Outono/Inverno, ainda que estejamos em Julho, ora envia um sol farto em Fevereiro, quando colocam a nova colecção Primavera/Verão nas lojas.

Ainda há pouco tempo, São Pedro foi visto a passear pelas praias de Ibiza, não num Seat mas sim ao volante de um Ferrari descapotável. Estacionou perto da marina e quando saiu do seu automóvel, era notório que vestia roupa da Zara em vez das suas vestes tradicionais e celestiais. Dizem por lá que São Pedro sempre que pode vai para lá dar uma voltinha com as amigas e tem sido discreto, não bebendo álcool em discotecas.

Por cá a malta não liga muito a São Pedro, a não ser ao fim-de-semana, quando a praia se torna o único espaço respirável e onde a frescura gratuita emana das ondas. Existe uma petição no Facebook reclamando aos céus a proibição de acesso de São Pedro às praias do país, com excepção feita, claro, à praia de São Pedro de Moel. Se os céus tiverem em conta a dita petição temem-se as represálias do Santo em outras zonas do país, com fortes chuvas e até pedraço. Isto foi confirmado pelo porta-voz da Agência de Comunicação Celestial, São Judas. Este último, que entregou Jesus, está desertinho para assumir as funções de São Pedro alterando as estações, anunciando chuva quando quer enviar sol e prometendo neve quando, na realidade, o que vem aí é uma vaga de calor.

Bom, se alguma coisa é certa no tempo, é que tudo é incerto e por isso devemos andar com um sorriso todos os dias, quer esteja calor quer esteja frio. Os mais pragmáticos dirão que o melhor, neste caso, é andarmos sempre com um casaco no carro.

Eu sempre achei que o tempo era feito por São Pedro. Como muita gente, acreditei que esse gajo tinha um papel activo nos céus, mas enganei-me; afinal, o tempo somos nós que fazemos dele o que queremos, nós é que lhe damos calor ou frio e o tempo sem nós não é nada, é apenas uma ilusão, uma dependência que gostamos de criar.

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 4 Julho 2013)

Avé, avé…

Caros preguiçosos,

Em primeiro lugar, quero pedir-vos desculpa pela interrupção do blogue Comenta a Dor nas últimas duas edições. As minhas desculpas aos leitores e à equipa editorial da Preguiça.

Hoje vou falar-vos de Fátima. Não, não é a Fátima Lopes. Fátima, a senhora, a Nossa Senhora. Estive a semana passada que nem um peregrino, um verdadeiro devoto, caminhei e tive quase vontade de comprar umas joelheiras para percorrer a pista de skate que o santuário teve a boa ideia de colocar à disposição dos fiéis, proibindo a utilização do mesmo skate e recomendando a utilização dos joelhos. Fátima tem qualquer coisa, de facto. O local transborda de tranquilidade, pelo menos quando está vazio, pois nos dias com mais afluência temos a sensação de estar no meio de um lar da terceira idade ao ar livre, uma espécie de Rock in Fátima, com concertos episcopais e onde a cerveja é substituída por velas. Eu próprio fui à festa da queima… das velas, claro. Os dias que por lá passei queimei muita vela junto à capelinha onde reside a senhora. Fartei-me de queimar! Velas e cigarros! Segundo as leis da igreja, apenas são considerados os pedidos à virgem através das velas, o tabaco aqui não conta, nem tem validade “milagrística”.

Olhei para a Senhora longas horas, olhei, olhei! Eu sei, sou mesmo parvinho. Achei que a Senhora iria pestanejar, piscar-me o olho ou que iria sorrir-me como se dissesse: “Sim, eu ouvi-te.” Mas não, isso não aconteceu. Um desses dias em que tentava seduzi-la com os meus pedidos fui interrompido por uma senhora, outra, velhinha e de carne, muita carne e osso, que me disse: “Oh, menino, está com conjuntivite?” Eu respondi que não, era apenas uma alergia ao pólen das árvores, e o santuário tem muitas. A velhinha ficou mais descansada. Dei uma voltinha atrás e dirigi-me até à cruz de Cristo, junto à basílica nova. É uma estátua imponente, bela, que não revela aquele aspecto ensanguentado de Jesus na cruz, como é habitual vermos. Pelo caminho senti que Nossa Senhora estava a olhar para mim. Primeiro pensei que devia estar a gozar comigo, tanto tempo a olhar para ela e nem uma palavrinha me dirigiu; agora que virei costas, sinto que me está a chamar. Depois lembrei-me que talvez a sensualidade do meu “olhar conjuntivite” e as minhas novas calças da Zara estivessem a causar-lhe algum constrangimento.

Virei-me de repente e caminhei na sua direcção, pensando para mim: “Ó querida, isto aqui é um lugar sagrado, não tens hipótese nenhuma comigo. É verdade, tens um ar angélico, és uma linda mulher, há muitos interessados em ti, mas não tens olhos claros e não usas calças de fundilho.” Quando cheguei mais perto, tive a sensação que estava meio corada. Até ali tinha aquela carinha branca e mais parecia estar com anemia; mas agora estava coradita ou pelo menos parecia. Voltei a olhar para ela fixamente, à espera de uma meiguice, e a única coisa que me apareceu de repente foi novamente a velhinha que me lançou um sorriso esguio.

Tocaram os sinos e enquanto deixava Nossa Senhora para trás, reparei numa lona enorme que está afixada junto à entrada da antiga basílica e que diz “Não tenhais medo”. Soou-me bastante mal este slogan! Como não ter medo? Quando se vai a Fátima queimar velas, não é com certeza porque somos destemidos, sem problemas, cheios de felicidade e notas no banco. Não sei se foi Cristo que disse isto, talvez até fosse, mas no tempo dele não havia o desemprego que há hoje, o stress, as crises, a falta de dinheiro e as prestações a caírem. Enquanto caminhava até ao carro, a minha cabeça entoava sinais de esperança seguidos de sinais de desespero, um vai-e-vem intermitente de optimismo e pessimismo. Porra! Um gajo vem para aqui para ficar mais sereno e sai de cá com a cabeça a ferver de confusão. Quando entrei no carro fez-se luz. Ou seja, liguei as luzes do carro. Mas sim, fez-se luz, e percebi que não devia ter mais fé; apenas deveria olhar em frente e não para trás. Devia não mais ter medo e seguir outro caminho, o meu e apenas o meu.

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 27 Junho 2013)

Quase vos falava de futebol

Caríssimos,

A semana passada ficou recheada de notícias palpitantes, para não dizer “taquicardiantes” no que diz respeito ao futebol, mas como é sabido o Comenta a Dor não comenta futebol. Porquê? Em primeiro lugar, porque desde há muito o futebol português tem sido bem mais cómico, bem mais hilariante do que eu, e não quero fazer gracinhas com o tema. Em segundo lugar, o meu posicionamento desportivo, futebolístico, não me tem causado tristeza alguma e por isso me afasto de comentar o que causa regularmente dor aos amigos e familiares próximos. Por último, a nação está suficientemente sofredora com a crise, o desemprego e a falta de quase tudo para eu não acrescentar mais pedras pelo caminho penoso de cada um. Olhemos para Jesus, talvez consigamos aliviar algumas dores.

Como disse, não quero falar de futebol. O espaço que é reservado a este tema já é suficientemente alargado nas televisões. Horas e horas de debates, de análise às partidas, estatísticas, convidados especiais, reportagens em directo, nos balneários, junto à relva, às chuteiras, analisando os atacadores dos “craques” e as suas cuecas. Comentadores sempre de olhos postos nos sinais, nos rostos dos jogadores tentando perceber se o gajo está bem, se está animado, satisfeito ou se tem andado com diarreia. Ver um desses programas é seguramente um momento de aprendizagem sobre a humanidade mas também uma espécie de workshop sobre matemática e estatística. Bem, não me quero alargar com este tema! Só queria acrescentar que, como disse uma senhora que participou num dos programas de opinião na SIC Notícias, durante uma tarde inteira reservada ao tema do futebol: numa altura em que estamos todos a levar com sacrifícios, os canais de televisão deveriam dar mais atenção a outros assuntos mais positivos. Existem alguns.

Com este pensamento vos deixo. Vou ver televisão. Hoje à tarde, temos várias reportagens sobre a selecção nacional, ou seja a equipa de futebol de Portugal. O Nuno Luz, jornalista e especialista da área, vai como sempre estar perto do hotel onde estão os “craques”, vai mostrar-nos onde dormem, as caminhas, almofadas e lençóis, sujos ou não. Depois, vai falar com o chefe cozinheiro do hotel, e ficaremos a saber o que o Cristiano e companhia vão petiscar à nossa conta. Em seguida, o Nuno vai analisar o relvado do campo de treino, ver se não há grilos e se está bem nivelado. Claro, isto tudo sempre com uma entoação quase orgásmica e um brilho nos olhos, pois ele sabe da importância destes detalhes.

Ah! Já me ia esquecendo! Em relação à final da Taça de Portugal, nada comento porque se trata de futebol e também não vi o jogo, para ser sincero. Estava a cortar as unhas dos pés e nunca mais me lembrei.

Texto de Miguel Reis
(Publicado a 31 Maio 2013)

Domingo de desempregados

Comenta a dor_20clicar para ampliar Ilustração de Miguel Reis (Publicado em 23 Maio 2013)

A vida do caracol e não só

Caríssimos, À hora em que estou a escrever esta rubrica, não tenho condições para vos falar da vitória ou da derrota do Benfica na Liga Europa, uma vez que hoje é quarta-feira e são 15 horas. Amanhã, quinta-feira, será um dia importante, repleto de azia, ressaca ou ainda de um incrível volte-face no PIB português. Mas adiante. Não havendo resultado a esta hora, vou falar-vos do passeio que dei hoje à minha cadelita Jessica. Antes disso, servi-lhe o almoço, uma ração bem completa com nutrientes e tudo aquilo que é preciso para o equilíbrio físico e mental de uma “pequinois” ou “pequinês”, como quiserem chamar-lhe. Após um mastigar cheio de ternura e apenas dificultado pela falta de alguns dentes, ela dirige-se sempre para junto da sua trela, pois sabe que a seguir à papinha vem o passeio. E lá fomos nós caminhar pelo loteamento, mais precisamente numa zona verdejante do mesmo, onde a pequena gosta de abrir as pernas numa primeira fase, deixando uma pequena maré e logo de seguida, ficando meio corcunda para poeticamente descarregar um belo de um cocó. Bem, os mais atentos e exigentes preguiçosos estarão agora a perguntar-se «mas que conversa é esta, e o que é que o Comenta a Dor está para aqui a inventar? Ele que nos habituou a rubricas tão interessantes, de uma pertinência e eloquência que não têm igual neste país?». Bom, isso até pode surgir nesta fase do texto, e até percebo que possa haver alguma desilusão entre vós, mas deixem-me continuar e falar-vos dos caracóis, formigas, moscas e aranhões que fazem parte do cenário deste passeio e desta estória. Ora vejam. Durante o percurso, e seguindo pelo passeio até uma zona de pinhal, fiquei maravilhado em primeiro lugar por vários caracóis, tranquilos, serenos e portanto, colados em folhas e troncos. Ali estavam, estáticos, e pareciam dizer-me: «Oh pá! Estarmos estáticos na vida não é sinonimo de infelicidade, olha para mim, pá!» E é bem verdade! Nada altera a felicidade de um caracol, mesmo que ele esteja parado e colado num calhau, numa parede ou num pau durante semanas. Que bela lição nos dá a Natureza. Mais à frente, um grupo de formigas faz 150 mil vezes o mesmo trajecto, dentro e fora de um mesmo buraco, levando com elas, migalhas e uma série de merdinhas cujas características desconheço. Estas parecem dizer à humanidade que é possível ser-se feliz entrando e saindo de um mesmo buraco uma vida inteira e sempre com o mesmo alento. A Jessica, alheia ao fenómeno, passa por elas e por cima de algumas também sem se preocupar, e firmemente arrasta-me para um cantinho de areia onde habitualmente gosta de cheirar. Este lugar é manifestamente frequentado por outros colegas caninos. Ali, a sua graciosidade é interrompida por uma mosca que voa e saltita entre as suas orelhas e pequenas caganitas secas. Esta mosca vive assim, bem com a vida, chateando permanentemente quem por ali passa, nunca lamentando a sua condição. Parece dizer à nossa classe política: «Eh pá, sejam humildes, olhem para mim, ando sempre a fazer merda, sem um pingo de vergonha, chateio toda a gente, mas ninguém me paga balúrdios para isso!» Porra! A Natureza diz tanta coisa quando paramos a olhar para ela. No regresso a casa, bati com a testa numa teia de aranha. A verdade é que fiquei por momentos com raiva do aranhuço, mas logo que vi o seu ar meio envergonhado e retraído, fiquei com pena de lhe ter abalroado a casita. Recompus-me rapidamente ao lembrar-me que ao contrário da maioria das pessoas, o aranhuço não precisa de fazer um empréstimo para ter casa. Faz tudo sozinho, sem licença de construção, onde lhe apetece, não precisa de projecto, esquece lá o IMI, como é óbvio, e os materiais de construção saem-lhe da boca. Parece dizer aos presidentes de Câmara: «Eh pá, connosco estavam bem lixados, que não vos calhava nada de subornos e leitões! E esqueçam lá as alterações do PDM para meterem mais uns trocos ao bolso!» Em resumo, o caracol, a formiga, a mosca e o aranhão parecem saber muito mais da vida do que nós. Será que eles olham para nós com fascínio? Talvez. Ou melhor, é muito provável que tenham fascínio por nós, pelo menos os que nunca viram os programas da TVI. Texto de Miguel Reis (Publicado a 16 Maio 2013)

Qual crise!

Sem Títuloclique na imagem para ampliar Ilustração de Miguel Reis (Publicado em 9 Maio 2013)

Quem é este “trabalhador”?

Caríssimos trabalhadores e empregados, Ontem foi dia 1 de Maio, o grande Dia do Trabalhador. Há muitos anos, este dia era celebrado transversalmente na sociedade, não havendo qualquer sombra de dúvida sobre o seu significado. Hoje a confusão é muita, começando pelo próprio título da celebração, “Dia do Trabalhador”. Não sei se devo sentir que é o meu dia também. Ora, eu sou trabalhador, ou pelo menos considero-me como tal. Tenho vários trabalhos, tenho trabalhado em vários projectos, ainda que não tenha qualquer tipo de rendimento desses mesmos trabalhos. Aí está a dúvida! Será que este “trabalhador” significa trabalhador remunerado? Ou a questão do vencimento aqui não se coloca? Não sei se devo participar nesta celebração por esse motivo. No tempo dos nossos avós, todos eram trabalhadores, na cidade ou no campo, mesmo não havendo nem contratos de trabalho, nem recibos de vencimento e muito menos sindicatos. Todos eram trabalhadores, bastava para isso executarem tarefas, o chamado ofício, como cavar, semear, ou ainda tirar leite às cabras, tarefa essa que é hoje bem mais frequente nas cidades, aos sábados à noite. Não sei se devo ir para a rua com uma bandeira vermelha mostrar ódio e desprezo pelo patronato, sem o qual não existiria “empregato”. Normalmente nestas ocasiões festivas juntam-se os sindicatos para gritarem o seu desdém pelos patrões que oprimem o trabalhador – e lá está a dúvida de novo. Estamos a falar de trabalhador empregado ou trabalhador na sua dimensão universal? É que se formos por aí, também há muitos empregados que não trabalham quase nada, ou até bem menos do que trabalhadores desempregados. E esses também podem considerar este dia como deles? Por estas dúvidas e por outras é que este dia tão importante já não é celebrado por todos. É confuso, e talvez devesse ser adaptado aos dias de hoje. Ou talvez devêssemos ter um Dia do Trabalhador Independente, um Dia do Trabalhador por Conta de Outrem, um Dia do Trabalhador Desempregado e um Dia do Trabalhador Não Reconhecido para a Prostituição. Confusões à parte com este dia, a verdade é que é necessário respeitar esta data, e os que a viram nascer muitos anos atrás. Quanto à nossa geração, a dos trintas e quarentas, tendo em conta o panorama desastroso que a geração dos cinquentas, sessentas e setentas nos deixou, e tendo em conta que a grande maioria dos líderes das manifestações do 1.º de Maio é precisamente destes últimos, o melhor é estarmos atentos às promoções do Pingo Doce. Texto de Miguel Reis (Publicado a 2 Maio 2013)

Quem quer ser deputado

Meus caros preguiçosos, Tenho a certeza de que todos já notaram que existe nos nossos representantes políticos uma disfunção – ou melhor, várias -, mas uma delas é mais saliente e trata-se de uma disfunção mental. Quantas vezes viram um deputado responder à pergunta que lhe fora colocada? Ora aí está! Poucas vezes ou nenhuma. Perguntei a vários médicos e psicólogos se esta patologia tinha cura. Unanimemente responderam que esta disfunção é genética e não existe cura para já. Mais: os laboratórios acham um disparate investir um cêntimo que seja para encontrar uma cura, sabendo que o mercado, ou população-alvo, é composto de duas centenas de deputados. Seja como for, a maioria deles manifestamente recusa tratar-se. A semana passada fiquei preocupado com esta patologia quando vi o António José Seguro responder quatro vezes da mesma forma a uma pergunta simples de uma jornalista. O governo havia convidado o José para debater soluções para o País e a pergunta era qualquer coisa como “Ficou satisfeito? Com esta reunião o Governo parece estar a mudar e demonstra ‘abertura’ para o entendimento”. Resposta do Zé: “Aquilo que eu lhe posso dizer é que o PS esteve sempre disponível para o diálogo e o governo é que nunca quis ouvir as nossas propostas.” Esclarecedor! A jornalista, incansável, voltou a perguntar se ele achava que era positivo, e o Zé respondeu umas quatro vezes da mesma forma, ou seja, nunca respondeu. Esta patologia está instalada há muito na “Deputância”; todos sabem, por exemplo, que a perguntas como “O que podemos fazer para resolver os problemas do Desemprego, Economia, Pensões, Justiça ou Agricultura?” o Bloco de Esquerda tem sempre a mesma resposta: “Aquilo que não se pode fazer é o que os governos PS e PSD fizeram ao longo destes últimos anos.” Ao que parece, nas Lojas da Maçonaria uma das últimas provas para admissão de novos recrutas é um jogo semelhante ao “Quem quer ser milionário”. Trata-se do “Quem quer ser deputado”. Ao contrário do primeiro, este jogo requer capacidade de não resposta, sendo eliminados os concorrentes que responderem correctamente às perguntas. O pior é que a bactéria que está na origem de tudo, a PDDD1 (Poder Dá Dinheiro a Deputado) já teve uma mutação e agora atinge outras populações, como o designado poveco. E tenho provas disso. Se tiverem mais cinco minutinhos de paciência, vejam esta filmagem. http://www.costapereira.net/retratos.html Abraços preguiçosos. Texto de Miguel Reis (Publicado em 25 Abril 2013)

Caros preguiçosos,

Esta semana poderia abordar inúmeros assuntos bombásticos, e não estou a referir-me aos atentados de Boston que todos lamentamos, ou ainda à genial e responsável declaração de José António Seguro: «Quem criou o problema que o resolva». A quantidade de acontecimentos é de tal forma extensa que estou com a cabeça a ferver, e isto até é bom para o meu crescimento capilar, mas por outro lado o excesso de informação afecta-me a criatividade sarcástica cuja nobreza me vinculou ao Magazine. Ontem folheei virtualmente os principais jornais portugueses à procura de uma notícia com potencial. E confesso que nada encontrei de interessante -ou será que eu é que estou desinteressado agora que chegou o sol? Que merda! Não vale a pena eu falar dos novos sapatos tamanho 156 de Joana Vasconcelos porque não vou conseguir distorcer a informação, nem fazer sorrir ninguém com isto. Já o meu avô dizia: «gozar com o ridículo não tem piada». Desculpem a cobardia, mas se eu citar uma terceira pessoa, neste caso o meu avô, ninguém me vai cobrar por estar a gozar mais uma vez com a Joanita. Como vos dizia, nada encontrei nos jornais que me estimulasse a criatividade irónica do costume. O Papa, que até teve grande protagonismo no início, agora parece afastado, distante, como se lhe tivessem puxado as orelhas para ir mais devagarinho nas suas apresentações ao povo cristão. Cá para mim ele ficou sentido ou amuado por não ser convidado pela Oprah, como foi o Diogo Morgado, que apenas fez de Jesus durante uma hora. Dor de cotovelo! É quarta-feira, e tenho mesmo de enviar alguma coisa para o Magazine. Dois segundos! Estou na net a ver se encontro alguma coisa. O Correio da Manhã até tem umas coisitas giras. Não sei o que escolher. Estou indeciso entre três notícias – jovem de 18 anos rouba maçã e suicida-se, mas antes disso esfaqueia irmão e tio com 34 facadas cada um – avô assalta multibanco da Charneca para pagar dívidas à Segurança Social – prostitutas do IC2 pedem alargamento das faixas de circulação e zonas de descanso às Estradas de Portugal. Desisto! Deixem-me cá ver se encontro alguma coisa sobre o Relvas. É uma fonte de inspiração para qualquer crítico, uma verdadeira enciclopédia do riso, mas já atingiu o estatuto de coitadinho, já sentimos pena dele e o melhor é deixá-lo em paz. Ah! Aqui está uma notícia interessante. Big Brother Vip da TVI é já no próximo domingo. Finalmente vamos ter alguma coisa para fazer aos domingos à noite. Já tenho as pontas dos dedos dos pés a encaracolarem de alegria, o fígado dormente de felicidade com a azia que já espreita. Falta saber os nomes dos concorrentes VIP desta edição, quais os actores, cantores ou modelos em carreira descendente, com pouco trabalho nas suas áreas “artísticas”, talvez por excesso de talento, que fazem parte do elenco. Aceitam-se apostas! Vai ser giro ver novamente VIPs em situações hilariantes, como fazer comida, lavar a loiça, secar o cabelo e aquelas maravilhosas conversas debaixo de edredão. E sobretudo vai ser óptimo poder revisitar a gramática portuguesa através do discurso, da dicção, diria do exercício poético da palavra que tanto caracteriza os habituais concorrentes deste programa. Não podemos esquecer que expressões como «porque é assim» ou «qué-mandá-beijinhos» não estariam hoje no nosso vocabulário sem os momentos literários do confessionário. Até lá, aproveitemos o nosso belo sol. Texto de Miguel Reis (Publicado em 18 Abril 2013)

No mesmo barco

Já alguma vez saíram de casa como se um giro de carro pudesse resolver quase tudo na vida? Isso aconteceu-me hoje. As notícias das últimas semanas, expressões trágicas de um país à deriva, tocam-me eu diria de muito perto e esvaziaram-me a tal ponto que a estrada pareceu-me ser uma solução. Enquanto conduzia para lado algum, pensei eu que o telefone iria tocar e uma voz simpática iria dizer-me que os meus 15 anos de experiência profissional tinham algum valor e desde logo a minha colaboração seria bem-vinda. Sou optimista por natureza! Por obrigação também e por desespero, mas sou. Primeira, segunda, pára, arranca. Entretanto, a merda do ponteiro do gasóleo tocou no limite vermelho e um bip sonoro avisa-me de que, optimismo à parte, o carro precisa de petróleo para se mover. A viagem traz serenidade, já dizia não sei quem muito sábio, seguramente alguém que usava a bicicleta para se deslocar. Essa bela serenidade, malandra por vezes, distante mas tão necessária, neste momento até surge como a única coisa a que eu posso realmente ambicionar. Como já disse, as notícias cortaram-me as pernas, cortaram o pio e, pior do que tudo, esmagaram o meu optimismo, esse guerreiro sem espadas e escudos, sempre disponível para os outros, espalhando esperança à sua volta, como se de sementes de trigo se tratassem. Vem aí a colheita, já semearam tudo! Acabei por estacionar o carro no parque em frente ao estádio de Leiria; mais uma facada no estado de alma, pois na minha mente como um martelo, como um machado, a voz do optimismo entoava, alto e bom som, que havia ali estacionado por ser um parque gratuito. Nesse preciso momento e ao som da rádio ultra Comercial fiquei esmagado pelas lembranças de dezenas de esguichos moralizadores de pessoas em meu redor, pessoas asseguradas e confortáveis nas suas existências e que acham que todos estamos no mesmo barco. Mas não! Nem todos estamos no mesmo barco. Alguns nem sequer chegam a sair da praia, não embarcaram e ficam ali tal como os sobreviventes da Ilha à procura de alimento sem utensílios adequados. No fundo, é assim que eu e muitos outros nos sentimos neste momento, nesta Pátria; somos capazes, estamos capacitados, mas estamos na praia enquanto outros – embarcados num cruzeiro em águas que, por muito agitadas que estejam, nunca irá afundar – olham para nós e até acham que ali se está bem. Peguei no carro e enquanto deixava para trás o estádio às mil cores, às mil e uma dívidas, pensei para mim: “Porra! O Taveira nunca deixaria nada para trás, nem por detrás.” Subitamente toca o meu telefone: é um número começado por 21 e sinto uma palpitação optimista na sobrancelha esquerda ao imaginar que possa ser o resultado de uma entrevista recente. Afino a voz, não atendo de imediato para não transmitir algum desespero e diz-me a senhora do outro lado da linha: “Boa tarde, estou a falar com o Sr. Miguel Reis?”, ao que respondi peremptoriamente: “É o próprio, boa tarde, como está?” A senhora acrescentou: “Estou a ligar da Sofinloc, estamos associados à Metlife e queria apresentar-lhe o novo seguro de saúde.” É claro que amanhã algo vai mudar, como sempre. Texto de Miguel Reis (Publicado em 11 Abril 2013)

Já faltou menos

Comenta a dor_13 Ilustração de Miguel Reis (Publicado em 4 Abril 2013)

As previsões de Nostradador

Comenta a dor_12 Caríssimos, No dia 24 de Janeiro de 2013, o Comenta a Dor publicava um artigo intitulado “Ele está aí, revelando em primeira mão a visão do regresso do Eng.º Sócrates. Pois esta semana tivemos a confirmação, diria, a triste confirmação do seu regresso. Fiquei estupefacto e angustiado por ter infelizmente acertado, mas também fiquei intrigado com esta capacidade de prever o futuro. Ainda que eu possa considerar que se trate apenas de um golpe de sorte ou paio, decidi continuar a apresentar-vos algumas visões vestindo a pele do Nostradador. Sendo possível o supra-sumo da engenharia financeira, da artimanha económica e da matemática amiga dos grandes grupos em prol da falência do País, receber um convite para comentador na RTP, estação pública, financiada por todos, antevejo com alguma facilidade outros acontecimentos. O primeiro é a nomeação de Miguel Relvas para reitor de uma grande universidade portuguesa, uma vez que ninguém melhor do que ele saberá como tirar uma licenciatura em tão pouco tempo. Se eu acertar nesta previsão, vou poder arriscar ainda mais e prever com tranquilidade a nomeação de Jorge Jesus para professor de Português. Mas veremos. O segundo é a nomeação de um dos braços direitos de Bin Laden para mandatário das Nações Unidas para os direitos humanos. Penso não arriscar muito com esta: afinal, os atentados financeiros causados por Bin Sócrates, Vítor Gaspar e Troika foram e são manifestamente injustos, severos e brutais e, ainda assim, são pagos pelas próprias vítimas. O terceiro é a TVI lançar uma série de programas culturais, sem a presença do Goucha, e onde nem o Toy nem o David Carreira poderão aparecer. Por fim, e esta é a última visão que posso acrescentar, vejo um edifício lisboeta amarelo em chamas, e um tipo na janela do mesmo edifício gritando “deixem-me concluir o programa de ajustamento financeiro!”. Ah! Esqueci-me da Branca de Neve! Vejo que vai trocar os 7 anões pelos porquinhos. Os 7 anões têm um apetite do caraças e já não dá para os alimentar. E mais! A desgraçada e sem vergonha já foi vista na mata a fazer olhinhos ao lobo, para ver se caça os porquinhos à borla. Texto de Miguel Reis (Publicado em 28 Março 2013)

Intervalo

São 20 horas e 45 minutos, e estou a ver a SIC. As notícias estão centradas na humildade do Papa Francisco. Ora vejam, ele não quis quaisquer alterações ao anterior papamóvel, mantendo o modelo inalterado. “Poupadinho”, dirão os mais crentes, ou “Totó”, dirão os fanáticos do sector automóvel, que bem sabem que a dita viatura bem precisava de umas jantes especiais para ser mais gira. Já se diz por aí, nos bastidores, que dada a sua jesuitez a Shimano está a criar um papaciclo. De facto, ele não liga a essas coisas! Até a roupa que usa é barata, e não usa sapatos de marca nem nada. Querem ver que o Chico ainda manda descolar a tinta de ouro que reveste as paredes do Vaticano, para dar aos pobres! Isso é que era. Agora que estava a curtir ver as notícias do Papa, aparece-me o messias financeiro do Vítor Gaspar. Sempre com aquelas olheiras de meio metro. Parecem dois puffs! Bem, vou ter de vos contar a verdade. Eu estou com rinite alérgica, o nariz não pára de pingar, infecta a garganta, depois tosse e febre. Há pouco, liguei ao Ricardo Graça, membro fundador da Preguiça, fotógrafo genial e irreverente como todos sabemos, e disse-lhe com uma voz grave e algo ternurenta: “Ricardo, pá! Posso meter o atestado médico? Estou com febre, enfim, rinite!” Sendo uma questão de saúde, é claro que me disse, não esperava eu outra coisa: “É pá! Tás à vontade, mas já sabes que os leitores não vão gostar e o mais certo é apareceres um dia deitado numa berma ou numa valeta”. Por isso, meus caros, comecei a escrever sobre o que simplesmente se estava a passar no canal televisivo, mesmo à minha frente. Isto é uma clara prova da minha entrega à Preguiça, aos seus leitores e do claríssimo desdém que tenho pelas valetas ou bermas deste país. Queiram desculpar-me e deixem-me aproveitar este espaço público para enviar um beijinho à minha afilhada e sobrinha Bianca, que está longe, no país da neve e do chocolate, e faz hoje aninhos. Sejam compreensivos, por favor. Para a semana, sem esta “gripe”, prometo espingardar para todos os lados. Vai tudo pelos ares, até a Branca de Neve vai sofrer! Texto de Miguel Reis (Publicado em 21 Março 2013)

Vale a pena respirar fundo

Comenta a dor_10 Ilustração de Miguel Reis (Publicado em 14 Março 2013)

Adeus

Comenta a dor_9 Cheguei já eram 9h30. A sala imensa e gelada estava já cheia de amigos, conhecidos e desconhecidos, cada um carregando a sua dor, os olhos perdidos no chão, nas paredes e no tecto, evitando o olhar de outros tantos. Disfarçando a tristeza da perda, de cabeça erguida, um passo à frente, outro ou vários para o lado, como se nada fosse. O silêncio é apenas perturbado pelo movimento da porta de entrada, que deixa entrar zumbidos de carros no seu vai e vem. Eu ali estou, no meu pesar, a garganta apertada, torcida por pequenos mas violentos ataques de emoção. Porquê? Deixou-nos a todos um vazio, um abismo que nada parece poder preencher de novo. Estamos aqui, unidos pela tristeza, o desalento e uma vergonha que se transforma numa espécie de romantismo urbano, já comum e próprio dos nossos tempos. Que saudades! Tanta falta me faz, a mim, e aos outros também. Estávamos habituados, acostumados à sua presença diária, às suas exigências também. Ele preenchia-nos, dava-nos alento e motivação, gravava no nosso pensamento palavras de alegria que eram alimento para os nossos sonhos. O que vai ser agora de nós sem ele? Já são 10h30, o ambiente está cada vez mais difícil, sufocante e pesado, com a chegada de mais gente; o espaço tornou-se pequeno subitamente. Pergunto-me se lhe dei tudo, se fui sempre honesto e sincero com ele, se o estimei o suficiente. Todos aqui parecemos carregar essa dúvida, e não só, também carregamos o ódio da perda, o desprezo por esta injustiça, a raiva de Deus porque de manhã ao acordarmos, uns olhando para a namorada, o namorado, mulher ou marido, outros olhando para os filhos, tínhamos um sorriso cheio de mil viagens, e agora que já não estás, que nos deixaste tão precocemente, tudo à nossa volta se veste de negro. Adeus! Deixaste-nos, TRABALHO! O que vai ser de nós sem ti? Saí do Centro de Emprego já eram 13h40. Texto de Miguel Reis (Publicado em 7 Março 2013)

Pança em mim

Comenta a dor_8 Hoje quero falar-vos de um grupo de indivíduos cuja importância na sociedade civil é irrefutável. Estou a referir-me aos pançudos ou barrigudos, cuja principal característica é a saliência exagerada e quase poética da zona abdominal. Claro que este grupo de indivíduos não se caracteriza apenas pela pança de 6 a 7 meses, mas também por um estilo de vida muito particular e pela sua idade, entre os 50 e os 65 anos. É frequente encontrarmos estes indivíduos em espaços de diversão nocturna onde a média de idade não ultrapassa os 21. Sabemos que fazem rondas por esses espaços, em grupos de 3 a 6 elementos, sempre de mãos nos bolsos, onde se nota alguma movimentação circular do dedo indicador. Não é de todo um ser dedicado à dança ou qualquer expressão artística, preferindo estar um pouco mais distante, encostado ao balcão, por exemplo, ou ainda sentado num sofá. O pançudo tem uma postura observadora, como quem não quer a coisa, não está interessado em nada e em ninguém, apenas saiu de casa, porque lhe apetecia, não tinha nada para fazer, o carro estava ali, na garagem, é uma máquina e é bom sair para estacionar no parque subterrâneo da Caixa Geral de Depósitos. Fique bem claro que nem todos estes indivíduos são empresários, negociantes ou simplesmente – como a grande maioria – donos de empresas. Na nossa cidade podemos afirmar que sim, este é predominante. Quem não conhece pelo menos um? Usando calcinha de ganga, camisa aberta e um blazer com botões dourados para compor isto tudo. A mensagem é muito clara – Sou homem de gravata porque tenho camisa, a ganga é a juventude que me resta e o blazer é para o estatuto.  No fundo, chegou a casa de fato e gravata como é habitual, já era tarde pois sai sempre a altas horas da empresa, atirou a gravata para cima da cama com um ar de matador, tirou as calças e vestiu uma ganga 501 que ainda tem as marcas da forma do joelho da semana anterior. Se encontrar um elemento deste perfil, antes de lhe dirigir uma palavra amiga, verifique sempre se não está rodeado por duas ou três avestruzes caducas, rainhas da noite cuja actividade teve início em solteiras, nos anos 80, sequência interrompida por um casamento e vários filhos, e agora, divorciadas, são guardiãs e animadoras destes adoráveis pançudos. Estas últimas apresentam-se geralmente com um traje irreverente, que nem as de 18 anos tentam alcançar, trajes esses muito inspirados nas grandes galas da TVI. Os pançudos adoram a companhia destas ladies, de 25… não, de 35… de 53 anos. Assim é que está certo! É sempre difícil datá-las com exactidão. Bem, vou deixá-los com uma palavra de esperança. As empresas estão a falir, os divórcios estão em queda, ao contrário dos casamentos – que estão em alta -, e o ginásio está na moda: por isso, amigos dos 40, relaxem! Não vamos cair em tentação e havemos de chegar aos 60 sem barriga e afastados da noite juvenil. Texto de Miguel Reis (Publicado em 28 Fevereiro 2013)

Depois do Lance

Comenta a dor_7 Hoje, acordei com a ponta dos cabelos a quererem fazer caracóis. Tarefa hercúlea, dirão os que me conhecem pessoalmente e sabem que o que menos força tem no meu organismo é precisamente o cabelo. Talvez seja uma questão genética! Bem, certo é que logo pela manhã, as mais irrequietas pontas de cabelo e também as mais revolucionárias, as que ficam logo acima das orelhas, reclamavam alto e bom som a formação de caracóis saudáveis e duradouros. Tive uma discussão acesa com o porta-voz do CGC (comité geral capilar) que está enraizado na zona cervical desde os meus primeiros dias de vida. A antiguidade deste cabelo e experiência são irrefutáveis, mas não pude deixar que os seus argumentos e prepotência se sobrepusessem a uma triste realidade, a da calvície. Sei que foi líder da minha testa durante muitos anos, assumindo novas tendências, como o risco ao meio e a extensão da patilha, sei que travou grandes batalhas contra os movimentos caspeais, mas isso não lhe dá agora o direito de exigir o impossível. Durante os anos dourados em que o cabelo se erguia vigoroso em cada milímetro quadrado da minha cabeça nunca havia reclamado o caracol para si; agora que se apresenta ao mundo, enfraquecido e murcho, grita por novas tendências! Dá me a sensação que isto deve ser a crise dos 40! Fui tomar um café com o porta-voz do comité capilar, deixando uma porta aberta para a negociação, uma vez que não quero de modo algum entrar em conflito com os cabelos que me restam. Nesse mesmo café matinal tentei ser pacificador e deixei claro – também para ganhar algum tempo – que qualquer decisão sobre este assunto deveria juntar à mesa não só as pontas de cabelo, digamos de origem craniana, mas também outras pontas que florescem e muito, noutras zonas do corpo. Fizemos a tal reunião de emergência com os vários representantes capilares do meu organismo. Não foi boa ideia! Um dos representantes até bastante pentelhoso estragou logo tudo ao não se opor a esta ideia, dizendo que as pontas de cabelo da cabeça também têm o mesmo direito que eles. Ao fim de algumas horas de reunião, chegámos a um acordo! Baseado nas 7 vitórias na Volta a França de Lance Armstrong, decidimos a utilização de várias substâncias para estimular o crescimento capilar numa primeira fase e a obtenção de caracóis numa segunda fase. Não foi fácil combater a argumentação das pontas de cabelo mais radicais. Estas últimas, inspiradas no Lance, acham que o fim justifica os meios, que o mais importante são os resultados. Nada será igual depois do Lance! O impossível será possível porque podemos usar todos os meios ao nosso alcance. Um ministro poderá ser Dr. mesmo que não tenha curso, um ministro poderá ser licenciado ao domingo, um presidente de Câmara poderá ser condenado por vários tribunais mas nunca preso e o Emanuel poderá comprar os seus próprios CD para aparecer nos primeiros lugares do Top Mais. Mas isso ainda vai demorar algum tempo a acontecer. Obrigado, Lance! Texto de Miguel Reis (Publicado em 21 Fevereiro 2013)

Cacilheiro da Joana

Comenta a dor_6 O projecto criado por Joana Vasconcelos para a representação oficial de Portugal, na 55.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, é – adivinharam – um cacilheiro. Os amantes da cultura e das artes em geral devem estar hoje muito orgulhosos com a notícia seguinte: vamos ter um cacilheiro na 55.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza elaborado, revisto, revisitado pela “artista plástica” Joana Vasconcelos, e isto tudo em representação de Portugal, pago por Portugal para promover Joana… para promover Portugal. Em primeiro lugar gostava de saudar a Direcção-Geral das Artes, que conseguiu assim alojar 170 mil euros no projecto da querida Joana, não havendo aqui qualquer dúvida sobre a importância deste investimento para o País. Saliento ainda que a Bienal de Veneza reconhecendo o talento e envergadura da “Artista” tinha já informado que não havia espaço para as obras dela. Talvez por questões de tamanho das obras ou pelo volume da própria “artista”; fica a dúvida, pois a Bienal não especificou. O certo é que há males que vêm por bem, pois havia um cacilheiro a apodrecer no Seixal e a miúda viu logo uma oportunidade soberba para estar na Bienal, ou lá perto… nos canais. A verba atribuída pelo Estado é de 170 mil euros, mas deverá a obra final custar mais de 300 mil euros. Sabemos que o cacilheiro vai ser recuperado, vão tirar-lhe alguma ferrugem e seguirá para Veneza. Perguntam agora os mais revoltados. Tanto dinheiro para arranjar um cacilheiro? Pois é! O mais caro é a instalação “artística” e, neste caso, de tecidos e possivelmente de alguns bordados que vai ser apresentada no espaço interior e requintado do cacilheiro. Bom, eu não vou discutir a obra da senhora, até porque não tenho experiência e competências para tal. Parece-me no mínimo gozar com os milhares de artistas portugueses, actores, pintores, músicos, sejam eles famosos, profissionais ou amadores que fazem cultura e arte todos os dias, nas suas aldeias ou cidades, esbanjar este dinheiro numa só obra, e para uma só “artista”. O Jornal Libération, jornalito francês de pouca relevância informativa, ou de fraca competência jornalística, dizia da querida Joana, aquando da sua exposição em Versalhes e passo a citar: « Son travail s’apparente à de la décoration, qui peut être jolie, sympathique, parfois étonnante, mais sans profondeur dérangeante». E mais: «L’artiste elle-même est fatigante. La part d’inquiétante étrangeté qui manque à sa création est compensée par un prêchi-prêcha politiquement correct, dans lequel le calcul le dispute à la fausse ingénuité. L’analogie de légitimation est simpliste : je fais de la broderie, donc je me révolte contre la condition féminine.» Nem vou traduzir! Posso, sim, resumir que no fundo a senhora cansa com a sua “arte”, as suas peças são mais decorativas do que outra coisa, e a analogia que a própria faz é simplista, resumindo-se a : Faço bordados, portanto, estou revoltada contra a condição feminina. O facto é que à custa disso sacou 170 mil euros à Direcção-Geral das Artes. Enviem os vossos pedidos à Direcção-Geral das Artes, caso tenham uma ideia como esta, de interesse nacional, e que sirva para promover o País e a nossa cultura. Eu, por exemplo, tenho uma bicicleta toda podre, ferrugenta e sem pedais que vou transformar num centro de mesa e uma panela toda furada que vou transformar em guitarra portuguesa. Vou pedir 30 mil euros! Vou argumentar que estas obras revelam o meu inconformismo latente com a violência doméstica dos anos 30, na região de Trás-os-Montes. Texto de Miguel Reis (Publicado em 14 Fevereiro 2013)

De quem é a Indignação

Comenta a dor_5Caríssimos, Esta semana quero falar-vos da Indignação. Esse mal que se difundiu por toda a sociedade nos últimos meses como se de uma gripe suína se tratasse. Faço esta comparação por motivos óbvios. Para além do carácter viral com que se espalhou, existe também o mau cheiro político e social que lhe deu origem. Para percebermos ainda melhor a dimensão da palavra Indignação, consultei a bíblia dos tempos modernos, o Wikcionário, da Wikipédia. Ainda liguei ao Professor Marcelo, mas ele não me atendeu. Ora vejamos o que diz: 1. Sentimento de cólera ou de desprezo excitado por uma afronta, uma acção vergonhosa, uma injustiça frisante, etc. Numa democracia, o direito à indignação é sagrado. Tudo isto se torna muito mais claro com esta descrição. Todos concordamos com os termos cólera, desprezo, afronta, vergonha, injustiça. Mas como é possível o sagrado estar metido nisto? Bom, talvez seja uma referência ao evidente compromisso da Igreja com a indignação das vítimas de pedofilia, ou ainda com as vítimas de falsas vítimas de pedofilia. Espero que nenhum jornalista da TVI ponha os olhos nesta afirmação que acabo de fazer! Isto dava para 15 dias de notícias e reportagens. Mas adiante. Aquilo que me preocupa é que a Indignação, que nasceu no povo e em vários movimentos mais do que legítimos, está a ser apropriada e utilizada pelos que mais contribuíram para ela vir ao de cima, e menos fazem para que ela desapareça – ou seja, os nossos maravilhosos políticos. Diariamente, aparecem nos ecrãs das nossas televisões, deputados, presidentes de câmara, ministros, ex-ministros, sindicalistas e outras personagens manifestamente indignados. O primeiro-ministro está indignado porque o PS não quer partilhar as responsabilidades da vinda da Troika para nos salvar da bancarrota, através da bancarrota dos portugueses, preservando a banca, da mesma bancarrota. O Seguro está indignado com o PM e, por isso, já é candidato a PM porque sabe, entende e está próximo da realidade dos portugueses. Esta indignação percebe-se: ele que nunca foi um tecnocrata, um gajo do sistema; acabando a universidade, foi logo para o Partido e nele faz carreira. Mas anda tudo indignado agora! Os deputados da oposição sempre indignados com qualquer declaração, dos indignados do governo. O antigo dirigente do BPN indignado por querem julgá-lo porque houve uma diferençazita de caixa no Banco. Fogo! Já não se pode falhar! O Bloco esteve indignado, ou melhor, esteve ainda mais indignado do que o habitual esta semana porque o Paulo Portas estava contente com a possibilidade de Portugal voltar mais cedo aos mercados. Aqui existe claramente alguma inveja por parte do Bloco! Deixem o Paulo voltar aos mercados. Ele que passou grande parte da sua vida no mercado do peixe, da fruta e dos legumes, tem agora o momento mais alto da sua carreira. Entretanto o Bloco, o PCP e mais alguns, decidiram estar indignados com os lucros do Pingo Doce, mas também com os descontos de 50% de que todos pudemos usufruir. Isto não bate certo, pois não? Indignados por uma empresa ter lucro e ao mesmo tempo indignados quando não têm lucro. É a mesma coisa que estar contra uma empresa que ganhe dinheiro e estar contra ela fechar por não ganhar dinheiro! Parece-me evidente que a nossa classe política se apoderou injustamente – quase hipocritamente, diria – deste estado de alma que é a Indignação, e que nos pertence só a nós. Com esta banalização da Indignação, já podemos antever o aparecimento de novos indignados, como por exemplo Isaltino Morais ou ainda Fátima Felgueiras. Proponho a criação de um Observatório Nacional da Indignação, cujo objectivo seja regular e avaliar as indignações que andam por aí, denunciando as que forem falsas ou abusivas. Texto de Miguel Reis (Publicado em 7 Fevereiro 2013)

Preguiçosos inconformados,

Comenta a dor_4 Hoje é dia de escândalo! Esqueçam as páginas sensacionalistas da revista Maria ou ainda as páginas “classificados Amizade” do Correio da Manhã que os nossos avós costumam ver às escondidas! Aquilo que tenho para vos revelar é da maior importância e peço-vos, por isso, que sejam cuidadosos na divulgação desta notícia. Tive acesso aos dados demográficos que a OCDE pretende actualizar no que diz respeito ao nosso país. O organismo defende que a teoria de Darwin sobre a evolução do ser humano, como nós a conhecemos, deve ser revista e actualizada exclusivamente para o caso português. A fotografia que acompanha o documento da OCDE é muito clara. Os argumentos que fomentam este novo mapa e definem cada período da nossa evolução são os seguintes: Era do Australopithecus Broeiris Este período é vasto. Não sabemos ao certo quando é que os primeiros seres apareceram, mas sabemos que o período acaba mais ou menos nos anos 30 do século XX. A OCDE não considera os dados anteriores que evidenciavam um ser de grande riqueza histórica e cultural, viajando e descobrindo vias marítimas, fazendo comércio com o resto do mundo, por não ser possível verificar com precisão qualquer tipo de riqueza oriunda desse passado, nos dias de hoje. De salientar que a OCDE não considerou o recurso apresentado pelo Toy e no qual o artista solicitava o prolongamento da mesma era até aos dias de hoje por questões de fisionomia. Era do Homo Salazaris Este período situa-se entre os anos 30 e 70 do século XX. Esta era revela um novo ser, que adquiriu novas ferramentas para cultivar, deixando a caça para o pessoal de Cascais. O Homo Salazaris trabalha a terra em grupo, em grandes herdades, mas não usufrui do seu trabalho. Mal consegue sobreviver. Aqui a OCDE ainda teve algumas dúvidas em relação ao período, o qual poderia ser também o actual. Este indivíduo constitui grandes famílias, tendo uma capacidade reprodutiva acima do normal para um ser que passa tantas horas por dia no bebedor chamado taberna. É um ser um pouco violento, que não admite que a sopa esteja fria quando colocada na mesa. Era do Homo Erecteuros Este período situa-se entre 1986 e 2010. A OCDE considera um período de transição de cerca de 10 anos entre a era anterior e a seguinte, e onde o Homo Salazaris andou à procura de um novo caminho. Este período revela uma viragem na vivência deste ser. Deixa o campo, as enxadas e o vinho, e instala-se no litoral. Os seus hábitos mudam com o dinheiro que chove do Norte e os novos meios de comunicação, como o telemóvel, que o dispensa de falar directamente com outros elementos da mesma espécie. O Homo Erecteuros já não vive em cabanas, ou buracos, como em outras eras; agora vive em espaços maiores e confortáveis. Geralmente é dominado por um grupo Erecteuros mais pequeno, apenas em número, e que se intitula de Homo Bancaris. Era do Homo Troikus Fodidis Situada entre 2010 e 2014, esta era está ainda em curso, segundo o observatório da OCDE. O português é agora Homo Troikus Fodidis. Sob a tutela da dinastia Socratroikapassos que impõe regras severas ao povo, que agora está a regressar para o campo, ou para casa dos pais para sobreviver. Este indivíduo é agora mais curvo, dobrado, inclinado e estica os braços o quanto pode, na esperança de que lhe seja dada uma moedinha. Este indivíduo tem o sangue mais quente, e sofre agora com o calor, apresentando-se nu. A OCDE ainda não tem uma previsão muito clara sobre o fim desta era, tendo apenas uma certeza: a de que o espécimen irá sobreviver ou terá uma mutação rápida para o Homo Miserablis Emigratus. Era do Homo Miserablis Emigratus Só em 2016 a OCDE irá pronunciar-se definitivamente sobre o início e fim desta era. O organismo aponta, no entanto, para o fim da espécie ou a migração total para sobrevivência. O Homo Miserablis tem características idênticas ao anterior, mas apresenta-se sempre acompanhado de uma mala ou uma mochila, e dizem os peritos da OCDE que cheiram a chouriço e azeite. Já existem dados relevantes sobre uma migração maciça para o Nordeste Europeu, África e América do Sul. Aqui fica mais uma vez demonstrado o à-vontade desta espécie para com os mares. Meus caros Preguiçosos, isto é apenas um resumo do relatório da OCDE sobre a evolução da nossa “espécie”. Não posso revelar muito mais por agora, pois a minha “fonte” ou “chiba” que trabalhava em Portugal para a OCDE teve de emigrar. Texto de Miguel Reis (Publicado em 31 Janeiro 2013)

Ele está aí

Comenta a dor_3Caríssimos preguiçosos, Este fim-de-semana, como todos sabem, foi terrível! Chuvas torrenciais e ventos apoteóticos invadiram as nossas ruas, as nossas casas e quintais deixando uma “onda de devastação”. Os rios não aguentaram e as árvores também não. Por detrás desta casual alteração do tempo está muito mais do que São Pedro e a sua equipa celestial. Digo-vos, com toda a certeza, ele está aí! Ele voltou! O Engenheiro Sócrates! Todo este vendaval foi orquestrado por Sócrates, qual messias, uma espécie de Moisés dos tempos modernos. Agora será Moïse, uma vez que opera desde Paris, onde reside e estuda Ciência Política. Sim, ele agora está decidido e empenhado em tirar um curso conforme as regras, apenas com o fruto do seu trabalho, durante a semana, servindo o domingo apenas para o descanso. Sim, ele mudou! E logo Ciência Política, deixando aqui um ar da sua grandíssima humildade. Pois digo-vos, sim, foi ele que manobrou os ventos e as chuvas desde Paris. Mas porquê? Estarão agora os preguiçosos a perguntar (Os preguiçosos do PS, principalmente, e os que não são, ou são simplesmente antigoverno). Para as pessoas ligadas à espiritualidade, seja ela qual for, a resposta será mais óbvia. Aqui para além dos aspectos técnicos, ou seja a velocidade das rajadas de vento ou os centímetros de água, que podem revelar as intenções do Messias José, existem aspectos mais subtis, mais discretos e cuja leitura é complexa, à semelhança da mensagem bíblica. Após alguns minutos de meditação, consegui alcançar um estado de consciência mais elevada, o que me permitiu ver, observar e dissecar todos os canais energéticos que Sócrates utilizou para difundir a sua mensagem através de cada pingo, cada sopro de tempestade. Há largos meses que estamos sob as asas da troika, e ele mais do que ninguém sabe como lidar com este organismo, pois foi ele que o chamou. Ele sabe que o organismo tem vindo a implementar uma série de cortes violentos, nos salários, nas pensões, nos subsídios, etc… pois ele, o José, enviou-nos uma mensagem muito clara sobre estes cortes. Está a dizer-nos que há outros cortes, diria de primeira necessidade ou essenciais, que só a tempestade é capaz de realizar. Cortes de electricidade, cortes do abastecimento de água, cortes de telefone, cortes de estradas e ruas, e cortes das árvores que caíram sobre as estradas e ruas, obrigando ao corte das estradas… e ruas. Este fim-de-semana quem não teve que acender umas velas em casa para ter alguma luz? Quantos casais não foram obrigados a conversar um com o outro por não haver televisão? Quantos não estiveram sentados num bidé a levar com água gelada por não haver gás? Está muito claro para mim: a mensagem do Messias de Paris é de que temos de voltar ao essencial, não podemos olhar para os cortes da troika como se fossem o fim do mundo! Que mensagem tão nobre esta de um homem, de um semideus que enquanto esteve por cá, só não caminhou por cima das águas porque tinha um iate; um iate em nome de um sobrinho, pois ele nada queria possuir, nada queria ter em seu nome. Um homem que aprovava projectos ao domingo, depois da missa das 11, e depois de passar pela universidade para ir buscar mais um canudo. Um homem que sempre tirou aos ricos para dar aos mais necessitados. Lembrem-se como ele tirava aos países do Norte da Europa para dar ao nosso povo: carpinteiros, pedreiros, estucadores, ladrilhadores, quase todos funcionários da Mota Engil, mas, sim, trabalhadores. Este homem, este criador diria mesmo, que no seu tempo (há pouco mais de dois anos) foi o mentor das PPP orientadas para servirem o povo. Diz a lenda, que o apóstolo Santos, tesoureiro do nosso José, perguntou ao seu mestre na altura: “Mestre José, porquê as PPP?”. O semideus respondeu: “A lei dos 3 ‘P’, meu filho, o Povo Português Paga. E isto tudo é Para Pouparem os Privados”. Ele está aí, mais vivo do que nunca. No temporal, nos olhos tristes dos nossos amigos, familiares que perderam o emprego, perderam capacidade para pagarem as suas contas, a casa, a luz. Ele está mais vivo do que nunca, na memória de muitos, mesmo que esteja em Paris, no seu apartamento do Trocadero. Texto de Miguel Reis (Publicado em 24 Janeiro 2013)

Caríssimos Preguiçosos

Preguiça_2_470 Hoje vou falar-vos da minha tarde de terça-feira, uma tarde de descanso merecido após uma segunda-feira de repouso, a qual decorreu no seguimento de um fim-de-semana onde procurei descansar em casa. Esta maravilhosa tarde de terça-feira! O tempo grisalho e fresco convidava qualquer um a um passeio pelas ruas cobertas de casa. Cada corredor é uma avenida, com os seus recantos, os seus encantos e a sua arquitectura (nesta altura, e após verificarem o “C” de Arquitectura, informo que não aderi ao novo acordo ortográfico, por razões óbvias e que se prendem com a minha cultura e influências históricas, isto é, o facto de eu não ter o Windows actualizado com corrector adequado). Regressando então a plantar o cenário da tarde, dizia eu, que estava numa de relax! Olhei para o meu sofá, esse malandro extenso e confortável. Esse dizia-me do fundo das suas costuras: “Anda aqui, pá! Bora lá esticar as perninhas!” Claro que não cedi às suas tentações e apenas me sentei nele sem esticar as pernas. Numa primeira fase, claro, pois após alguns minutos já parecia um areal de praia, uma areia quente e sem beatas, sem latas ou garrafas de plástico amareladas. Que bom estar aqui! Desprendido e nunca subjugado pelo subjectivo, subjacente da subjectividade do ecrã da televisão. Aqui o sofá é muito mais “Meu” do que o comando Meo… do outro. Que terça-feira maravilhosa no sofá praia! Ainda assim, e pensando melhor, liguei a televisão, só para cuscar. Sempre achei que seria um luxo um dia estar numa espreguiçadeira, na areia, virado para o mar e ter um ecrã gigante ali, mesmo em frente. De comando armado, debaixo do meu chapéu-de-sol, estou pronto para o zapping! Vamos embora! Entro directamente para o universo Fox, e logo na Life. Que maravilha, interrompi uma cirurgia cheia de ternura. O cirurgião jeitoso está a tratar de um doente – ou melhor, das suas tripas – e ao mesmo tempo conversa com uma médica de olhos meio chineses. Estão a decidir se vão viver juntos para a semana… os médicos. Ela está emocionada pois aparentemente ainda não disse ao namorado actual, um médico também, mas que não está ali, que tem um caso com este. O cirurgião cinzento (não seria ele o Grey?) pede-lhe encarecidamente para falar com o namorado claro, dizer-lhe toda a verdade. Ela responde que o mais difícil será ela dizer ao marido, também ele médico, que esta tem um namorado, mas que já tem outro para além desse e vão viver juntos. Passados alguns minutos, e após uma cirurgia bem-sucedida, os dois caminham para a despensa e reviram o stock de medicamentos numa louca cambalhota. Na sala ao lado ouvem-se rugidos e gemidos! É o Dr. Franck, novo estagiário que está loucamente apaixonado por uma especialista, que está a dias do seu casamento com Dr. Bradley! Que loucura, esta série! Isto é que está aqui uma Fox! Passei em frente, e aparece-me mais uma Fox, a Crime! Não me apetece ver isto. Depois do caso de Maddie McCain, é frustrante ver gajos a resolverem casos desta maneira, apanhando sempre os criminosos baseando-se apenas na análise de ADN que conseguem extrair de um pingo de suor que o assassino deixou cair por entre as fissuras do soalho flutuante! Carreguei várias vezes seguidas no Mais do comando e fui parar a um programa de culinária. Há vários por aqui. A grande maioria são concursos, onde tipos fazem pratos que parecem desenhos de Nadir Afonso, verdadeiras obras de arte culinária, cores e sabores únicos. Ainda assim, os concorrentes levam na cabeça do júri! Vou mudar mais uma vez de canal! Isto é ofensivo, para quem como eu faz um arroz branco fabuloso. Agora fiquei com fome, e o ar desta praia também puxa! Fui à cozinha fazer uma “Cama de trigo em Fromage de Antwerp”, ou seja, fui buscar um bocado de pão com queijo, e volto logo para o meu paraíso. Com o estômago já recomposto apetece-me rir, mas o único show televisivo cómico que valha a pena é difundido às quartas-feiras no Canal AR, Assembleia da República. Terei de aguardar ou então posso ir espreitar a TV ou a SIC Notícias; com um bocadinho de sorte estão a passar o best of do Gaspar. Mas não, hoje só falam de duodécimos e taxas de IRS, e isso é só para quem trabalha! Toca o telefone de casa! Quem será? Quem terá a insensibilidade de perturbar o meu descanso, a minha praia, este momento feito de arrepios na ponta dos dedos maiores dos pés? Eu – Estou sim! O Senhor – Boa tarde, o meu nome é João Brito, e estou a ligar da MEO. Estou a falar com o Sr. Miguel Reis? Eu – Sim, é o próprio. Mas, olhe, agora não posso falar, estou no meu local de trabalho. Ligue mais tarde! Texto de Miguel Reis (Publicado em 17 Janeiro 2013)

Bem-vindos à página do Comenta a Dor

Comenta a dor Em primeiro lugar quero agradecer à Preguiça o convite; esta faz parte de mim a maior parte do meu tempo e nunca tinha sido necessário convidar-me para seja o que for, até ao dia de hoje. Sobretudo de manhã, e depois de almoço também, ainda que ela se faça sentir ainda no final do dia, e até à noite… Pensei durante imenso tempo no que poderia ser esta rubrica, esta página, qual seria o objectivo e os assuntos que nela iriam encontrar e logo se fez luz. Iria aproveitar esta oportunidade para fazer uma das coisas de que mais gosto. Não, não é beber vinho ou outra qualquer actividade do género. Estava mesmo a pensar na crítica, no sarcasmo ou na ironia, através da escrita e do desenho. É isso! Uma página onde iria colocar paleio e alguns riscos de caneta para falar sobre um tema actual, seja ele a sociedade, os homens, as mulheres, a crise, a crise das mulheres ou – porque não? – a política. Estes temas são inesgotáveis, são transversais; gosto desta palavra transversal, será sem dúvida uma das palavras que mais irei usar neste blogue, neste espaço de crítica positiva, negativa, assertiva e milhentas outras palavras acabadas em iva, como IVA ou ainda cagativa. Espero criar um espaço interessante e divertido para todos e, se me permitem a comparação, espero ser um comentador hábil e ‘ingenioso’, um cruzamento entre a inteligência de Miguel Sousa Tavares e a sensual sabedoria que emana de cada poro do Toy num dia de calor. Se me deixarem, serei comentador! Para alguns mais eruditos e atentos, seguramente a grande maioria dos utilizadores do Preguiça, já terão reparado no subtil jogo de palavras que está no título desta página: Comenta a Dor. Obviamente que decifrar este jogo de palavras não será para todos! Foram horas de debate e procura de ideias com a equipa da Preguiça, muitos cafés, muitos nervos (sabendo que esta conjugação nervos/cafeína é desastrosa para a actividade intestinal) e, claro, a equipa do marketing, em peso, para encontrar o título certo. Já sabem, aqui neste espaço a dor terá grande destaque. Como podem constatar, tudo roda em volta da dor, isto desde que um primeiro-ministro português, cujo nome ironicamente era grego afundou o País na dívida, gritou por ajuda e apareceu uma fulana com nome de prostituta russa para nos salvar da bancarrota. Logo apareceu outro PM com nome de animal de orelhas grandes, que resume a sua política a fodinhas rápidas todos os dias, até parece um Coelho! Assim será o espaço do Comenta a Dor. Convido-vos a visitar este cantinho regularmente para saber tudo sobre as dores – as da alma, da carteira, do cotovelo, dos pés também e muitas outras que regularmente se manifestam de cada vez que ligamos a televisão –, com especial destaque para a Televisão Independente, feita por si, mas que é feita para eles e se fosse feita por nós não estariam lá o Goucha nem a Júlia! Texto de Miguel Reis (Publicado em 17 Janeiro 2013)

13 responses to “Comenta a Dor | Miguel Reis

  1. Parabéns Miguel! Gosto muito. Comecei a ler o primeiro, aliás último, e só parei quando não havia mais nada para ler. Fartei-se de rir… Obrigada. Bjinho. Fernanda – Lapedo

  2. Gostei da crítica ” do cacilheiro”. Pode ser que se cruze com os submarinos do Portas a meio caminho para a convencao da ferrugem. E a tv emita em directo do cacilheiro a festa da “alheira de Mirandela” num domingo a tarde para providenciar a “cultura” ao povo. Já estou a ver “passamos agora a emissao ao submarino para o momento musica da associacao dos amigos do realejo, alô submarino?”

  3. Pingback: O discurso do Reis | Preguiça Magazine·

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