Pérolas a Porcos | Rita Gomes

So long, farewell, auf wiedersehen, goodbye…

É com muita emoção que chego ao fim deste capítulo da minha vida blogosférica. Do capítulo, sim, porque o blogue continua lá e apesar de saber que não vou ter tantos leitores como vou tendo semanalmente aqui (de vez em quando o fotógrafo deixa-me espreitar as estatísticas, shhiiiiiiuuuuuuuu, não contem nada a ninguém…) vou voltar a escrever para os meus 33 seguidores e mais 3 ou 4 pessoas que vão lá parar por engano, de vez em quando.

A vida é assim, feita de ciclos e capítulos e episódios. Este foi um dos bons. É curioso que eu tenha um blogue semi-anónimo desde 2006, de que nunca ninguém ouviu falar, e que só quando comecei a escrever aqui alguns amigos mais próximos se tenham apercebido. Suponho que seja o poder da fotografia e da identificação de quem escreve. Ou talvez o efeito “cusquice” que resulta nos blogues como no Facebook: “Ai é esta gaja?! Deixa lá ver o que é que ela tem para dizer…”. E vão lá espreitar. Tipo as ex-namoradas que espreitam os Facebooks dos ex-namorados sem ninguém saber, só para ver… diz que isso acontece muito, mas eu não sei, se calhar é um mito urbano.

A verdade é que foi positivo ter algum feedback das parvoíces que vou escrevendo. Ou então só me fizeram chegar os feedbacks positivos… não sei. Mas se quiserem continuar a seguir este chorrilho de opiniões sem qualquer tipo de fundamento ou imparcialidade basta irem passando por aqui, que como dizem os americanos (ou os ingleses… por falar nisso, parabéns! Já há mais um dependente para viver principescamente à conta dos vossos impostos!!), “we don’t say goodbye, we say see you around”.

Quero agradecer (hora dos óscares…) a todos os Preguiçosos deste mundo pelo excelente trabalho que têm feito e por mostrarem todas as semanas que mesmo sem ovos se fazem omoletes muito suculentas. Quero agradecer especialmente à Preguiçosa que assina Paula Lagoa, mas que deveria assinar Paulinha, porque é assim que todos a conhecemos (e não é por ser pequenina…) porque foi ela que me convidou a escrever aqui e eu fiquei muito “derretida” por ela se ter lembrado de mim. Continuem o excelente trabalho e contem comigo para qualquer coisa que seja preciso. Excepto trabalhos pesados, que eu já não vou para nova e ando com muitas dores nos joelhos. Ainda dizem que o desporto dá saúde.

Pronto, já chega. Mas não me queria ir embora sem me despedir:

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 25 Julho 2013)

Quem és tu, PH?

Basta andar um pouco pela cidade para reparar. Por todo o lado surgem frases escritas (mal escritas) nas paredes, que nem me atrevo a chamar-lhes graffiti porque seria um insulto aos artistas que os fazem. Não sei bem o que é, um belo conjunto de poluição visual, talvez. Lugares-comuns, pensamentos  que provavelmente se pretendiam profundos mas que na realidade são verdades de La Palisse, escarrapachados pelas paredes, um pouco por toda a cidade.

No final destas pérolas de sabedoria, das quais me ficou na memória, por exemplo, a da Av. Marquês de Pombal: “a ovelha negra não é que seja ruim, é apenas difrente”, assim mesmo, com erros ortográficos e tudo, sempre a mesma assinatura enigmática: P.H.

Eu por acaso até conheço um PH, mas apesar de ter uma certa tendência para o desastre, é um puto porreiro; e ponho as mãos no fogo que não é ele que anda a escrevinhar pelos muros. É um trabalho demasiado extenso e intensivo, tanto mais que há locais onde alguém já se deu ao trabalho de pintar novamente, só para vir o “artista” e escrever por cima.

Aqui artista está entre aspas propositadamente, diz que é assim para ter uma conotação negativa. Sim, que esta personagem de artista não tem nada: nem as letras são certinhas, nem é capaz de escrever uma frase a direito (tipo aluno de escola primária que escreve pela primeira vez numa folha sem linhas e vai a subir ou a descer, conforme a disposição nesse dia), nem diz nada de jeito, nem sabe escrever, nem as frases são de sua autoria, nem um desenho bonito, nada.

A única coisa que tenho de admitir é que o senhor (senhora? Vamos partir do princípio de que é um homem… só porque o instinto me diz que sim…) tem muito tempo livre e muita persistência.

Pelo “sotaque” de algumas frases até arriscava dizer que é brasileiro, ou pelo menos de outra nacionalidade que não portuguesa. O que também explicaria os erros ortográficos… ou não. Vamos lá ver uma coisa, P. H. (Paulo Horácio? Pedro Henriques? Pancrácio Hilário? Patrício Hipólito? Pirolito Horta?) para escrever coisas sem jeito nenhum que nos surgem na alma, ou repetir frases de pessoas famosas como se fossem nossas, já inventaram o Facebook. Ou o Blogspot. Ou o WordPress. Ou o Twitter.

Não há necessidade de te fazeres passar por uma espécie de Banksy WannaBe armado ao pingarelho com uma lata de spray que roubaste da caixa de ferramentas do teu primo pintor de automóveis e bate-chapa na Reixida porque na net tens tudo isso e ainda imagens bonitas que também podes plagiar, tudo isto com corrector ortográfico automático para não pareceres tão burro.

Além do mais, nessas tuas incursões de vigilante-escritor estás sujeito a ser apanhado e a alguém te obrigar a limpar/pintar as parvoíces todas que andaste por aí a escrever, o que a meu ver era mais do que merecido. Por isso, vê lá se atinas e se precisares de dicas para fazeres um blogue, manda-me um e-mailperolas.porcos@gmail.com , que eu tenho uma vasta experiência em escrever coisas que não interessam nem ao menino Jesus, mas ao menos só crio lixo electrónico.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 18 Julho 2013)

Nem sei o que vos diga

Estou aqui que não posso com tanto calor! Isto é o que dá ter uma nação inteira a reclamar que está muito frio, e que o Verão nunca mais chega, e ai que este vai ser o Verão mais frio de sempre, e só vamos ter bom tempo lá para Outubro… toma, vai buscar!

Agora queixamo-nos porque está demasiado calor e que não se aguenta, que estas temperaturas não são boas para trabalhar e mesmo na praia está demais porque a areia escalda os pés. Somos assim: uma nação descontente com o tempo (e não só…), que só está bem é a criticar.

Hoje não me apetece falar de política, não puxem por mim que está muito calor para falar de novelas, amores e desamores, demissões e readmissões. De uma maneira geral dou-me bem com o calor, mas tenho de admitir que realmente uma pessoa bufa tantas vezes que às tantas já não sabemos se estamos a bufar com calor ou com falta de paciência.

Dois flagelos que andam a afectar muito os portugueses: o calor e a falta de paciência. Só a semana passada houve dois maridos que perderam a paciência com as mulheres ao ponto de as terem assassinado. Já aqui há tempos houve um que matou a mulher e uma das amigas; só não matou a outra amiga porque esta foi avisada a tempo.

Há uns meses foi um que matou a mulher porque, alegadamente, estava farto de que ela não lhe fizesse o jantar. Lá está… perderam a paciência. Olha, como aquele árbitro no Brasil… perdeu a paciência com um jogador e os presentes perderam a paciência com ele. De vez.

É impressão minha ou está tudo parvo? E não me venham dizer que é só do calor, que o calor não é desculpa para tudo. Já dizia o Gandhi: “olho por olho e o mundo acaba cego”. Mas esse não tinha problemas com o calor, que andava sempre com aquelas túnicas bem arejadas.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 11 Julho 2013)

É oficial…

…começou a “silly season”. Andam para aí ministros a cair que nem tordos. Ao que parece, os mesmos que há duas semanas atrás acreditavam muito neste governo e no programa do FMI e na retoma da economia e coise… mas afinal queriam era ir de férias mais cedo e vai de se demitirem.

Será que já receberam o subsídio de férias? Eu já recebi, mas não senti nada. Aqui há uns anos (e eu já trabalho há alguns anos, embora não aparente… fui a última pessoa da minha geração a acabar o curso, começar logo a trabalhar e a ainda não ter passado pelo flagelo do desemprego) era um mês maravilhoso: recebia dois ordenados, ia de férias e ainda sobrava para ir aos saldos.

Agora é só o mês em que consigo deixar a conta a positivo. Acho que tem a ver com o investimento em Euromilhões. Com aqueles jackpots todos que houve de há umas semanas para cá. No fim só fiquei mais pobre, mas ainda não perdi a esperança de ser milionária.

Ontem fui pela segunda vez à Quinta da Regaleira e achei que era um sítio muito bom para viver, por exemplo. Mas depois lembrei-me que tenho problemas de joelhos e aquilo são muitas escadas e eu já não vou para nova. Fico no meu pequeno T2. Pronto, chega de silliness por hoje.

Beijinhos e até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 4 Julho 2013)

Brasiu, laia laia laia la la

Eu, ao contrário dos Da Vinci, nunca fui ao Brasil. Gostava muito de ir, mas não consigo meter o meu marido num tubo de avião durante 9 horas para ir a um país onde não pode andar a fotografar à vontade no meio de uma cidade. Podia ter ido com os meus pais, quando era solteira e boa rapariga, mas quando eles começaram a ir de férias para o Brasil eu estava naquela idade estúpida em que já não queremos ir de férias com os nossos pais porque achamos que é mais divertido ficar em casa. Enfim…

Mesmo sem ter ido gosto muito do país, do povo, da música, da poesia, da maneira de estar na vida… ou pelo menos da ideia que eu tenho. Sim, porque na verdade os brasileiros que vemos por cá nem são assim tão simpáticos nem estão assim tão “dji bem com a vida”. Gosto da ideia romântica que eu tenho do país: se algum dia for lá, eu depois conto-vos se é mesmo assim ou não.

Mas isto tudo para falar da grande agitação que anda por lá, que eu não tenho visto muitas notícias, mas já percebi que os brasileiros, logo agora que parecia que iam ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, resolveram vir para a rua manifestar-se como os turcos e os tunisinos. De repente perderam aquela postura de “somos pobres mas felizes com o pouco que temos” e lembraram-se de vir para a rua atirar pedras uns aos outros porque acho que queriam aumentar o preço do bilhete do “ônibus” ou lá o que era.

E nós, claro, nós portugueses… como não temos cá nada com que nos chatear, ficamos logo todos solidários com os nossos irmãos brasileiros e enchemos os nossos Facebooks de vídeos brasileiros, apoiando sem restrições o facto de eles estarem contra os gastos na construção dos estádios e todo o investimento por causa do Mundial e dos Jogos Olímpicos quando há brasileiros a passar fome. Sim senhor, muito bem, apoiado, clap clap clap. Então e nós, caralho?! Desculpem a expressão… então e o dinheiro que nós gastámos em 2004 em estádios que ninguém usa e que ainda hoje andamos a pagar a factura?!! Onde é que andavam os vídeos nessa altura e as vozes de apoio?! Também tínhamos fome e… pasme-se… ainda temos!!

Mas os brasileiros são mais fixes do que nós. Primeiro porque se manifestam por aquilo em que acreditam. Vão para a rua, não ficam atrás dos computadores a partilhar vídeos. E depois porque o país está cheio de manifestações e rebuliço, mas quando joga a selecção canarinha pára tudo para ver a bola. Depois voltamos à rebelião. E assim é que é bonito.

Até sempre.
Texto de Rita Gomes
(Publicado a 27 Junho 2013)

Macacos me mordam

Há certas coisas que me deixam maravilhada, nomeadamente ao nível dos estudos que se fazem por aí. Li hoje que Scott Napper, investigador bioquímico da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, fez um estudo e concluiu que comer macacos do nariz traz benefícios para a saúde. Não sei o que é mais surpreendente, se o resultado do estudo ou o estudo em si. Gosto de imaginar o momento em que este senhor estava muito bem sentado no sofá e exclamou: “Já sei! Vou fazer um estudo sobre as virtudes das catotas do nariz como alimento!!” Ou então ia no trânsito e viu os condutores que aproveitam o sinal vermelho para retirar os ditos cujos das fossas nasais e gritou: “Eureka!”, ou assim…

Como foi exactamente não sei, mas o que é certo é que este homem se fechou no seu laboratório e, através de experiências que nem quero imaginar, porque isso dos macacos do nariz é uma coisa que sempre me fez muita impressão, chegou à conclusão de que o contacto com os germes contidos no muco nasal ajuda a fortalecer o sistema imunitário das crianças. É assim como uma espécie de vacina badalhoca. Segundo ele, comer os macacos que se alojam no nariz pode trazer benefícios para a saúde das crianças, uma vez que aquele “alimento” guarda diversos germes, que provocam uma reacção positiva no sistema imunitário, reforçando-o. Segundo esta teoria, as crianças não deviam ser repreendidas por tal prática, uma vez que “pode servir como vacina natural”.

Pessoalmente acho nojento, mas se pensarmos que a maioria dos cremes hidratantes que utilizamos, por exemplo, têm ureia na sua constituição; ou aqueles que agora estão muito em voga, com baba de caracol vendida ao preço do ouro, quem sabe se não haverá aqui uma oportunidade de negócio a surgir. Medicamentos contra infecções à base de “burriés”… olha, até podia virar uma coisa gourmet, não é? Nunca se sabe…

Só espero que isto não sirva de desculpa para a malta que passa o dia a tirar macacos do nariz e a comê-los, que as vacinas é uma coisa que se toma em pequenino, nos adultos já não faz efeito e o estudo é bem claro nesse aspecto. Só tenho mais um comentário a fazer sobre este assunto: ca nojo! Desculpem lá.

Até sempre.
Texto de Rita Gomes
(Publicado a 20 Junho 2013)

Proverbialmente falando…

Eu, que tenho a mania da perseguição e que acho sempre que a galinha da vizinha é melhor do que a minha, certo dia acordei com o rabo virado para a Lua, disposta a tudo, e decidi pegar o touro pelos cornos. Peguei em armas e bagagens e deixei este cantinho à beira-mar plantado em busca de uma vida melhor.

Fui para trás do sol posto, onde o Judas perdeu as botas. Comi o pão que o diabo amassou numa terra onde quem tem um olho é rei e onde a lei do mais forte impera. Preguei como Santo António aos peixes, achava que podia mudar o mundo, teimosa que nem um burro, estúpida que nem uma bota da tropa.

Passei as passas do Algarve até que percebi que, por mais que me esforçasse, ficava sempre tudo em águas de bacalhau. Pior que estragada, entrei a matar, apostei tudo e perdi à grande. Fiquei sem eira nem beira, sem rei nem roque, sozinha no mundo e mais triste do que as coisas tristes.

Mas a tropa manda desenrascar e enquanto há vida à esperança, nunca é tarde para recomeçar e quem espera sempre alcança, quanto mais não seja, um pontapé na pança. Já dizia a minha avó que mulher honrada não tem ouvidos e vozes de burro não chegam ao céu.

Outra volta de 360 graus e bola pá frente que esta vida são dois dias e o Carnaval são três. Segura-te, Lurdes, que não há amanhã! Vive um dia de cada vez, como se  fosse o último! Carpe diem! Tristezas não pagam dívidas!

Quando Deus fecha uma porta abre sempre uma janela, e escreve direito por linhas tortas. Mas cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Temos de andar sempre com um olho no burro e outro no cigano. Isto tudo proverbialmente falando, claro…

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 13 Junho 2013)

Lá em casa tudo bem

Quando as pessoas (des)conhecidas passam por nós na rua e perguntam: “Então, tudo bem?”, na verdade não querem saber a resposta. É uma coisa que se diz. É como o “vamos beber um café?” que pode ser um chá ou uma outra coisa qualquer, apenas um pretexto para 10 minutos de conversa. E ainda bem, porque nós também não queremos responder nem entrar em pormenores, por isso normalmente respondemos um “tá tudo” meio de esguelha e continuamos a andar, preocupados com tudo aquilo em que já íamos a pensar.

Esse tipo de pergunta irrita-me, mais vale não perguntarem nada. Um dia vou fazer a experiência. Se um desses (des)conhecidos passasse por mim na rua hoje e me perguntasse se estava tudo bem, eu parava e sentava-me a desfiar o meu rol de preocupações, tipo: “Não, pá, nem por isso. Sabes, anda aí uma grande crise, pá. A vida está cada vez mais cara e os ordenados continuam na mesma. Este mês veio o acerto da luz, sabes? Foi uma grande pranchada. E apanhámos uma multa de velocidade. E tivemos de pagar o IVA. E temos a placa eléctrica avariada. E acendi a luz do corredor e fundi a lâmpada. E deve ter feito curto-circuito porque desligou as luzes da sala. E agora a box da TV Cabo não se liga, cá para mim também avariou. E a semana passada o carro não pegava e afinal era a bateria. E tivemos de pôr uma bateria nova e agora o carro tem de ir à revisão, pá. Já viste o meu azar? E hoje de manhã calcei as meias com tanta força que se romperam e o estore do quarto partiu-se e etc. etc.” (mais uma grande lista de pequenas grandes desgraças que ninguém quer saber a não ser os próprios).

É por estas e por outras que as pessoas que perguntam na realidade não querem saber e as que respondem optam por um “Lá em casa tudo bem”, porque as nossas pequenas tragédias são só nossas e temos de ser nós a resolvê-las. E porque quem pergunta também tem essas mesmas tragédias e não está para se solidarizar com as dos outros. É um bocado como o filme do outro (About a Boy, 2002):

“Marcus: You don’t give a shit about anyone and no one gives a shit about you! “

“Will: I am an island. I am bloody Ibiza!”

Se não quiserem saber, não perguntem. Há dias em que os nossos maus fígados podem extrapolar todas as regras do socialmente aceitável (hoje é o dia…) e ainda acabam os dois sentados no chão a lamentarem-se por terem partido o quadro do menino da lágrima ou coisa assim.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 6 Junho 2013)

Memórias (in)Felizes

Há certas coisas que fazem parte das nossas memórias e que nunca deveriam sair de lá. Coisas que nos lembramos que eram bestiais e que, vistas à luz dos dias de hoje, são uma valente desilusão, para não usar um termo pior.

No outro dia num dos meus zappings frequentes parei na RTP Memória a ver um episódio da mítica série portuguesa Duarte e Companhia (1985-89). Do alto dos meus oito anos aquilo parecia-me muito bem, uma série de detectives à portuguesa, com humor e com uma heroína feminina, a Joaninha, que deveria ser um exemplo de vida para todas as mulheres, com a sua coragem e destreza física.

Lembrava-me de tudo, do genérico, do célebre 2CVs, dos nomes dos bons e dos maus, de tudo! Quase tudo, vá… não me lembrava que aquilo era tão mau. Que os efeitos especiais eram do mais básico que havia, que as piadas não tinham tanta piada assim, que o guarda-roupa era medonho e que aquilo espremido não dava grande coisa. Foi pena, preferia não ter voltado a ver e continuar com aquela sensação de que era muito bom.

Já não é a primeira vez que isto me acontece. Quando era miúda passei horas da minha vida a jogar Golden Axe (1989) e aquilo era mesmo o tipo de jogo que me agarrava. Uma missão (salvar a princesa), coisas para ir apanhando pelo caminho, porrada e andar para a frente. Mais uma vez com uma personagem feminina que eu adorava, mas que nunca ninguém escolhia porque mesmo nos jogos de computador as personagens femininas tendencialmente são mais limitadas.

Enfim… Por isso quando aqui há tempos vi uma edição adaptada para a PS2 não hesitei em comprar e saí da loja com o ar mais feliz do mundo, o ar de quem comprou um tesouro por menos de 10 euros e não disse nada a ninguém. Quando cheguei a casa até estava nervosa e fui logo experimentar, mas depois de andar meia hora naquilo, o sentimento de desilusão instalou-se, mais uma vez.

Bonecos que só fazem três ou quatro movimentos quando é para andar à porrada e cenários miseráveis, depois de uma pessoa estar habituada por exemplo a um God of War, não satisfazem nem correspondem à imagem que eu tinha da coisa.

E podia estar aqui a tarde toda nisto, se não tivesse mais em que pensar: as pastilhas Gorila gigantes, as bombocas, os desenhos animados do Tom Sawyer, os livros da Anita, o clip do Vitinho, enfim, um sem-número de memórias felizes que não devem ser remexidas para não corrermos o risco de as estragar.

Recordar é viver, dizem, mas há certas coisas que só num determinado contexto fazem sentido. Ou então fomos nós que mudámos.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 30 Maio 2013)

Agir localmente…

“Think globally, act locally” é uma expressão que se usa em vários contextos, mas que se ensina aos meninos da escola quando se fala de ecologia e ambiente. A lógica é simples: se reutilizarmos uma folha de papel, por exemplo, estamos a minimizar o abate de árvores para produção do mesmo e, supostamente, estamos a contribuir para a melhoria da quantidade de oxigénio na Terra. Até uma criança percebe a intenção disto. “Ok, não é por eu mandar um papel para o chão que o planeta vai morrer, mas se pensarmos todos assim não vamos conseguir andar com tantos papéis no chão”. Lógico.

Mas parece que a coisa não é assim tão simples de entender. Sobretudo por quem até se dá ao trabalho de ir aos eventos organizados pelas escolas para apoiar a paz no mundo, a reciclagem, o meio ambiente e todos esses valores que se devem passar às gerações vindouras e onde “fica bem” aparecer. Sim, estou a falar do poder local. Hoje não me apetece cortar no governo. Estou numa, também eu, de agir localmente, a ver se contribuo para melhorar o planeta… até porque foi o dia da cidade e assim…

Não basta aparecer, de tochas na mão, a plantar árvores, a meter uma garrafa de plástico no ecoponto amarelo, num processo que demora sempre no mínimo 3 minutos, para que todos os fotojornalistas tenham tempo de apanhar a cena e fazer campanha eleitoral encapotada nos jornais locais. “Sim senhor, estes presidentes são muito amigos do ambiente, até plantam árvores e tudo!” Mas não são, desculpem mas não são… moro em Leiria há mais de 15 anos e nunca percebi porque é que os aspersores regam rotundas e respectivas estradas, mesmo em dias de chuva. Nunca percebi porque é que as luzes da rua acendem invariavelmente às 19 horas (mais coisa menos coisa…), seja Verão ou Inverno, mesmo quando o sol se põe às 22 horas. E nunca percebi porque é que a atitute dos autarcas é “façam como eu digo, não façam como eu faço”, se estão lá porque votámos neles dando-lhes o poder/dever de tornar a cidade melhor, para também fazer do mundo um sítio melhor.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 23 Maio 2013)

Nunca a expressão “Ó mulher, cala-te!” fez mais sentido

Estou convencida de que há coisas que só acontecem nos Estados Unidos. Não sei se é do clima, não sei se é dos hambúrgueres, não sei se eles são mesmo todos estúpidos, mas o que é certo é que são uma nação à parte. São uma espécie de “Entroncamento” do mundo.

Parece que um destes dias houve uma aterragem de emergência de um avião da American Airlines no aeroporto do Kansas, de um voo que seguia de Los Angeles para Nova Iorque. Não, não era falha no motor. Também não era falta de combustível. Era sim, imagine-se, uma passageira que não parava de cantar a plenos pulmões o “I Will Always Love You” da falecida Whitney Houston.

Segundo a Lusa, o porta-voz da American Airlines, Joe Mcbride, explicou a uma televisão local do Kansas que o comportamento da mulher era “perturbador” e que teve de ser retirada do avião por estar a “interferir com a tripulação do voo”. Trocado em miúdos, já não a podiam ouvir. O comandante do voo declarou uma “situação de emergência e solicitou uma aterragem no aeroporto da cidade do Kansas”. Tenho cá para mim que ligou para a torre de controlo e disse: “Houston, we have a problem!”

Quando aterraram, a senhora foi levada algemada pela polícia local para as instalações do aeroporto (sim, que isto nos Estados Unidos não se faz a coisa por menos…) e a American Airlines recusou voltar a incluir a passageira noutro voo. Uma espécie de terrorismo musical, ou coisa assim.

Eu tenho uma teoria. Dada a altitude e a proximidade do céu onde a diva certamente descansa em sossego, a passageira foi possuída pelo espírito da Whitney e começou a cantar um dos seus maiores êxitos. Na notícia não explica se ela cantou bem ou mal. É pena, porque se ela estava a cantar bem, uma música que – quer se goste quer não – é difícil de cantar, acho que não merecia ser tratada como o bardo do Astérix.

Não acredito que haja uma lei contra cantar em público – mesmo nos EUA, onde há leis que proíbem de fumar na rua -, mas ter um arsenal de armas para defesa pessoal já é tranquilo. Depois de interrogada pela polícia, a passageira foi deixada em liberdade e explicou que sofria de diabetes, o que, em algumas ocasiões, lhe provocava comportamentos ridículos. Não sei se esta explicação é mais credível do que a minha teoria, mas pelo sim pelo não, diabéticos deste mundo, tenham muito cuidado com o que cantam por aí.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 16 Maio 2013)

Álcool mau e álcool assim assim…

Eu não queria estar a cortar no governo outra vez, mas vai ter de ser… Cada vez me surpreende mais a falta de coerência e a parvoíce de certas medidas. Não vou falar da crise nem da austeridade, disso já nem vale a pena. Vou falar da nova lei do álcool, que sempre é um assunto mais fresquinho.

O governo de Passos Coelho e sus muchachos, do alto da sua sabedoria e magnificência, anunciou o aumento para 18 anos da idade mínima para aquisição e consumo de bebidas alcoólicas em público. Sim senhores, muito bem, clap clap, estamos a harmonizar com a tendência europeia e, parecendo que não, o álcool faz mal à saúde.

Mas afinal voltou atrás, e o diploma saiu, sim, mas só para as bebidas brancas. Aparentemente vinho e cerveja é tranquilo, podemos beber a partir dos 16 anos. Bebidas brancas é que é pior, só podemos beber a partir dos 18. Em público, entenda-se. Porque se o amigo mais velho for comprar ao supermercado e beberem todos em casa ninguém consegue controlar, óbvio.

Portanto, continuamos a incentivar os esquemas e as asneiras “às escondidas”, que até sabem melhor quando temos 15 ou 16 anos e achamos que somos mais espertos do que todos os outros. Já para não falar que beber vinho e cerveja em maior quantidade faz tanto mal como vodka e rum em menor quantidade, acho eu, que não sou médica nem percebo nada de matemática…

Assumimos então, num diploma oficial, que há álcool mau e álcool “assim assim”, para gáudio dos produtores de vinho e cerveja, cujo lobby, dizem as más línguas, teve assaz importância no volte-face do governo. Mas para mim a parte mais gira disto tudo é a garantia do secretário de Estado adjunto da Saúde, que diz que a intenção não é penalizar os consumidores.

Fiquem descansados, meninos e meninas, teenagers ávidos de experiências deste país: se forem “apanhados” a consumir bebidas alcoólicas desadequadas à vossa idade, o máximo que levam é um recado para casa, a fazer queixinhas aos pais de que estavam a beber.

Quem se lixa é o estabelecimento comercial, que já tem pouco com que se preocupar, visto que a restauração e bebidas é um negócio que cada vez dá mais, como toda a gente sabe, com IVA e licenças e SPA e certificados e tudo o que é exigido (e muito bem) para ser o estabelecimento perfeito.

Portanto, para evitar (mais) multas, o Sr. Manuel da Tasca vai ter de pedir o B.I. aos jovens que entram no estabelecimento e depois vai ter de se lembrar que “este tem 16, posso vender cerveja; este tem 18, posso vender aguardente; este tem 15, fica a ver os outros e bebe uma coca-cola”. Vou acabar por aqui, que esta conversa já me está a dar sede.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 9 Maio 2013)

Dos comentários tristes e outras parvoíces

Aos 31 anos vejo-me confrontada pela primeira vez com a necessidade de fazer dieta. Sou uma sortuda, eu sei. Nem por motivos estéticos, nem por motivos de saúde, nunca precisei de abdicar de nada do que me apetecia comer.

Geneticamente tenho uma boa herança, é um facto, e ao nível do gosto também tive alguma sorte, visto que não me perco muito por bolos ou açúcares em geral. Toda a vida ouvi coisas como “ai filha que estás tão magrinha”, “se continuares assim, vais desaparecer”, “tens de comer mais, que parece que estás doente”, entre outras pérolas. Quando as balanças continuam a indicar o mesmo peso há mais de uma década, estes comentários deixam de ser preocupantes; é só uma coisa que as pessoas dizem porque não têm mais nada que dizer.

Mas houve um comentário que nunca apaguei da memória, e hoje parece que o estou a ouvir constantemente. No meu primeiro estágio da faculdade havia uma colega de trabalho que do alto dos seus 40 anos me dizia: “Sim, eu também era assim elegante. Depois dos 30 é que tu vais ver…”. Parece que a Isabel tinha razão. E isto de ter filhos também não ajudou. Apesar de toda a gente me dizer que estou muito bem e já recuperei e parece que nem tive um filho há 5 meses e blá blá blá. Mais uma vez, independentemente do que os outros dizem, a balança não mente e as calças também não.

Posto isto, só c0nsigo tirar duas conclusões: primeiro, as dietas são para nós, não são para os outros. O que interessa é o que nós sentimos e não o que os outros acham. Segundo, vou mesmo ter de passar uns tempos sem comer molhos, petiscos, pão com manteiga, batatas fritas, pão com manteiga, petiscos e pão quente… com manteiga. Amanhã volto ao trabalho e parece-me que as calças da farda vão passar o dia a chorar.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado a 2 Maio 2013)

O Inferno das férias em família

Estar de férias é das coisas melhores do mundo. Passamos o ano todo a trabalhar e a suspirar por férias, nem que seja um fim-de-semana prolongado, qualquer tempinho que dê para mudar de ares e usufruir do tão almejado descanso. Mas o problema é que, mesmo por uns dias, a logística é um inferno.

É preciso pedir a alguém que trate dos animais de estimação, é preciso deixar água e ração suficiente. É preciso lavar roupa e fazer a mala. É preciso levar toalhas e lençóis e toalhas de praia e todo o tipo de tralha que ocupa imenso espaço no carro. Mas com crianças pequeninas, a coisa complica consideravelmente. É biberões, esterilizador, pratinhos, colher, papa, fruta, sopa, fraldas, chapéu de praia, tenda de praia (?!), mais roupa, cama de viagem, banheira de viagem, o carrinho, o ovinho, o boneco para dormir, a varinha mágica, o intercomunicador, o raio que parta. Andamos dias a preparar o estaminé e no último dia ainda há mil coisas por arrumar, programamos sair às 15h e às 18h ainda estamos a dar mais um biberão ao menino.

E depois as crianças não percebem que vamos de férias. Ao contrário dos animais de estimação, que assim que começam a ver o rebuliço percebem logo que vão gramar a pastilha de estar sozinhos uns dias e ficam com cara de cachorrinhos abandonados, às vezes literalmente, o que é muito triste. Não, os putos não percebem, para eles é um dia normal e querem atenção como em todos os outros dias. E têm de comer a horas como em todos os outros dias. E querem que o carro ande assim que se sentam lá dentro, não fazendo a mínima ideia de que os pais estão a jogar Tetris na parte de trás do carro, a tentar encaixar metade da casa dentro da mala do carro. E debaixo dos bancos. E aos pés do pendura. E invariavelmente mais um saquito ao colo de alguém, porque é impossivel que caiba tudo, a não ser que vão de férias num camião TIR.

Depois desta odisseia passamos 4 ou 5 dias descansados, só para depois enfiar tudo no carro outra vez: normalmente ainda é pior, porque as coisas não estão tão bem arrumadas e parece que crescem durante as férias. Para chegar a casa e desarrumar tudo outra vez, encarar o gatinho com cara de amuado e ficar com mais uma pilha de roupa suja para lavar, antes de voltar ao trabalho. Ufa, só de escrever já estou cansada. Bom feriado e até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 24 Abril 2013)

“Hi. I’m not here but my shoes are, so leave them a message.”

Sarah Jessica Parker, a eterna Carrie Bradshaw de O Sexo e a Cidade, foi proibida pelos médicos de usar sapatos de salto alto. Segundo a actriz, o uso excessivo de saltos altos provocou-lhe deformações irreparáveis nos pés, e agora poderá usar apenas saltos altos em ocasiões muito especiais.

Parece que esta grande maluca chegava a passar até 18 horas em cima dos seus stilettos e já estava tão habituada que até conseguia correr de saltos altos. Sarah, querida, de viciada em sapatos para viciada em sapatos te digo, nem só de saltos altos vive a sapateira de uma mulher – ou, no teu caso, o closet.

Podes continuar a gastar fortunas em sapatos porque mesmo rasos há sempre muitos, muito giros, de todas as cores e feitios. E também há os sapatos que só servem para estar sentada, que são aqueles que normalmente a malta leva aos casamentos, mas como são tão altos que ninguém aguenta, no fim do almoço trocam-se por umas sabrinas e depois começa a festa.

Por isso não deves doar toda a tua colecção de sapatos só porque o médico te disse isso. Aliás, nem sei como foi preciso ires ao médico para reparares nesse problema, podias ter-me ligado que eu tinha-te dito logo: a tua forma de andar não é muito natural, deve ter a ver com isso. Vá, não fiques triste, que também não é o fim do mundo (embora possa parecer…). A ironia da coisa até tem uma certa piada, não?

Um beijinho para essa grande querida que é a Sarah e até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 18 Abril 2013)

Então e agora cortamos onde?

Ficámos muito contentes por saber que o Tribunal Constitucional considerou anticonstitucional o corte nos subsídios de férias e Natal. Uma espécie de “nha nha nha nha nha nha, eu já sabia” como fazem os putos de 4 anos. Mas esquecemo-nos que isso significa que o orçamento ficou truncado e, portanto, até eu que não percebo nada de finanças consigo perceber que vão ter de ir buscar o mesmo valor a outro lado qualquer.

Não me entendam mal, que eu gosto muito de receber o meu subsídio e, na realidade, o meu depende do dos outros, uma vez que o meu negócio é férias. Mas não pensem que o Passos Coelho e a sua corja vão passar a andar de bicicleta ou baixar os ordenados deles para remediar este pequeno contratempo de milhões.

Quem vai pagar somos nós, na mesma. Por isso não vale a pena celebrar nada, que daqui a uns dias temos aí mais impostos para pagar: mais IVA, IRC, IMI e outros assim. Menos condições nas escolas públicas e hospitais; cortes nos desempregados, que cada vez são mais; cortes nos pensionistas, que passaram a vida a trabalhar para ganhar uma miséria (sim, esses é que me preocupam, os que ganham pensões milionárias não passam fome mesmo sem metade da reforma), etc.

O que eu gostava mesmo de perceber é até onde é que a corda vai esticar. Porque a mim parece-me que as pessoas não aguentam muito mais. E eu estava a fazer conta que quando o meu filho tivesse 20 anos, isto já estivesse resolvido, mas assim parece-me que ainda vai demorar mais. Como diria um amigo meu: Segura-te Lurdes, que não há amanhã!

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 11 Abril 2013)

Eco Gumelo

Hoje venho falar-vos de cogumelos. Não é desses, esqueçam lá isso, que esses fazem mal à cabeça… é dos outros, dos gourmet, dos de comer e chorar por mais! Eu adoro cogumelos, é sempre ponto essencial na lista de compras cá para casa. Mas dos verdadeiros, que os de lata podem ser muito bons, mas não são a mesma coisa.

Pois há uns senhores que “inventaram” uns cogumelos para criar em casa. Manda-se vir pela net (ou compra-se nos distribuidores oficiais, mas não há nenhum perto de Leiria…) e depois é só borrifar duas vezes por dia para ter no mínimo 3 colheitas de cogumelos ecológicos e saudáveis e fazer pratos para lá de bons.

A ideia é da Eco Gumelo. Segundo eles, “depois de colhidos, os cogumelos podem ser cozinhados frescos ou guardados no frio por alguns dias. Como não têm aditivos nem conservantes, são um produto biológico e gourmet genuíno”. A espécie é Pleurotus ostreatus, fiável a 100%: sim, porque isto de andar pelos bosques a colher cogumelos (trá lá lá) é muito bonito, mas um gajo passa a refeição toda a olhar para o companheiro do lado, à procura de sinais de asfixia ou daquela tonalidade esverdeada que avisa que o almoço vai acabar nas urgências.

Para além do mais, também tem um efeito decorativo: se, como eu, só conseguem ter plantas que duram duas a três semanas, dependendo do sol que fizer nesse período de tempo. Os cogumelos crescem aos magotes na relva da casa dos meus pais sem ninguém lhes fazer nada, por isso não pode ser muito difícil.

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 4 Abril 2013)

A Primavera chegou…

… mas pouco. Não me venham cá com histórias que a Primavera é uma estação muito bonita porque antecede o Verão e os passarinhos e as flores e não sei quê. A Primavera em Março é muito cedo. Está um tempo de merda, chove e faz frio, não é nada disto que ensinam na escola quando se aprendem as estações do ano. A Primavera propriamente dita é em Junho. Só um mês de Primavera ajudava.

Assim a malta não ficava depressiva e frustrada porque é Inverno em Março, e está frio e chuva, e é normal porque é o tempo do frio e da chuva. Andamos em ânsias para arrumar os casacos e os gorros desnecessariamente, e uma pessoa já tem tanto com que se chatear que não precisava mais da meteorologia. E não me venham dizer que isso é agora que já não há estações do ano e o El Niño e o diabo a sete, porque sempre ouvi dizer “Abril, águas mil” (e os provérbios não são de agora…) e porque desde que sou gente que me lembro de chover na Queima das Fitas e na Feira de Maio.

Parece que queriam mudar a chegada da Primavera um dia. Eu proponho no mínimo um mês de diferença, que frustrações já temos muitas. Por exemplo, o Sócrates ajudou a dar cabo das finanças todas desta bela nação à beira-mar plantada, saiu de cena por uns tempos, e eis que surje agora, qual fénix renascida, para ser comentador político num canal que é pago por mim e por todos nós. Era só o que me faltava agora sentir que os meus impostos servem, mais uma vez, para encher o cu a pançudos. E o tempo que não melhora…

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 28 Março 2013)

A hora do planeta

Eu sei, eu sei… este ano os leirienses e malta dos arredores já contribuíram muito para esta causa. Mas mesmo assim acho que é bom divulgar. A hora do planeta é uma hora em que é suposto dar “descanso” ao planeta, apagando todas as luzes e aparelhos eléctricos em geral. Um pouco por todo o mundo apagam-se as iluminações de monumentos, as luzes das casas, tudo o que luz. Este ano vão fazer isto no dia 23 de Março, próximo sábado, às 20h30. Quem quiser saber mais pode ir ao site da organização nest link .

Por cá já temos contribuído bastante. Primeiro porque roubaram os holofotes do castelo e passou uma temporada apagado. Depois quando houve o temporal e ficámos todos sem electricidade, alguns durante horas, outros mesmo durante dias. Cá em Leiria é assim, tudo pelo bem do planeta. Este sábado podem fazê-lo por opção: acendam umas velinhas e deixem o clima rolar.

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 21 Março 2013)

A emigração vista daqui

Nem preciso de contextualizar, toda a gente tem amigos ou família que se viram forçados a emigrar. Eu tenho vários, aliás, se fosse aproveitar todos os convites dos amigos que estão longe, dava a volta à Europa e ainda fazia uma visita à Malásia, ao Brasil e ao Senegal. Infelizmente, com muita pena minha, e pelo mesmo motivo que os levou a emigrar, não posso: não tenho dinheiro para isso.

Mas não são só os emigrantes. Também conheço casos de migrantes, alguns bem próximos de mim, mas infelizmente, tão longe. Quando penso neles, e penso muitas vezes, só me vem à cabeça o Adriano Correia de Oliveira:

“Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão (…)”

Pois… nem só de Grândolas vive a nossa história… Mas o que me entristece não são os que emigram porque vão ganhar o triplo do salário, viver numa vivenda brutal com empregada a tempo inteiro, ter mais tempo e melhor para estar com a família directa (que podem levar com eles), passar a madrugada a correr na praia e o final do dia a relaxar num spa.

A esses eu só tenho de dar os parabéns e ficar muito feliz com a escolha que fizeram e com o que conseguiram na vida. A mim o que me deixa furiosa são as pessoas que são obrigadas a emigrar (ou migrar) para estagiar de borla, para ganhar dois ordenados mínimos, para conseguir sequer ter um emprego, porque cá não conseguem. Pessoas que sacrificam todos os dias a possibilidade de estar com os filhos, com as famílias, dormir na casa que andam a comprar com tanto esforço, para viver em condições piores, só porque não é opção ficar.

Qual exportação de inteligência qual quê, exploração de afectos, isso sim.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 14 Março 2013)

A mulher, esse bicho estranho…

Se há dia em que sinto uma espécie de vergonha de ser mulher é no dia 8 de Março, já amanhã. O Dia Internacional da Mulher é o dia em que as mulheres que não têm liberdade para sair nos outros dias vêm para a rua demonstrar que são muito livres.

E juntam-se em grandes bandos, vão jantar fora com as amigas, cantam no meio da rua e fazem todo o tipo de disparates para compensar as outras noites, que passam tristemente em casa, muitas vezes sozinhas, a pensar na vida que poderiam ter tido, se tivessem optado por ter sido diferentes. Por isso, é uma altura em que faço questão de não sair de casa, não comemorar, não achar bem que haja este dia. Não há o Dia Internacional do Homem, pois não?

Enchemos o peito de ar para falar de igualdade de direitos, paridade no trabalho, blá blá blá, mas depois temos um dia só para celebrar o facto de termos nascido com um cromossoma a mais. É quase tão estúpido como as paradas do orgulho gay. Tenho tanto orgulho em ser mulher como tenho orgulho em ser heterossexual, ser caucasiana ou ter o cabelo castanho. Nasci assim, vivo bem com isso, não vejo motivos para uma efeméride. Logo eu, que gosto tanto de efemérides!

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 07 Março 2013)

Procura-se Papa

O Papa demitiu-se. Disse adeus. Bazou. Ou resignou, ou o que lhe quiserem chamar. Acho bem. Acho que já era tempo de os mais velhos darem lugar aos mais novos quando já não se sentem capazes de desempenhar as suas funções. O que não é muito fácil, com os cortes nas reformas antecipadas e com o aumento da idade de reforma.

Pelos vistos, o nosso Governo não concorda comigo. Este exemplo do Papa podia ajudar a resolver o problema do desemprego (e o problema dos profissionais cheios de boa vontade mas demasiado chechés para cumprirem com o que lhes é pedido). Quê? Nunca vos aconteceu depararem-se com ninguém assim? Um empregado de mesa quase surdo? Um médico que não sabe usar um computador? Uma cabeleireira que só sabe fazer cortes dos anos sessenta? Não?! Estão cheios de sorte. É que uma pessoa nem pode reclamar porque eles não têm culpa, são vítimas do sistema.

Mas já me estou a desviar… Mário Soares, ironia das ironias, veio dizer que esta decisão do Papa, inédita por sinal, vem comprovar que este é um Papa muito equilibrado e inteligente. Lá está… mas eu, no fundo, desconfio que deve ser um suplício ter uma profissão que só se abandona por morte. É que quando fazes asneira começam a acontecer atentados e tentativas de assassinato e tal, à laia de carta de despedimento. O homem devia andar aterrorizado. E, assim, olha: fica para a História como o Papa que mudou as leis do jogo.

Por isso, malta jovem e desempregada, ‘tá a mandar currículos para o Vaticano, que deve ser a única profissão do mundo onde não exigem experiência nas mesmas funções. O problema é que, mais uma vez, terão de emigrar para conseguir emprego. Mas deve valer a pena… emigração de luxo.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 28 Fevereiro 2013)

Sai uma revolução, s.f.f.

O ministro Miguel Relvas, esse grande querido que tantas alegrias tem dado ao País e tantos jornais tem vendido, participou esta semana num debate no “Clube dos Pensadores”, o que a meu ver foi logo à partida um terrível erro de casting. Quando chegou a vez de o senhor falar, logo se levantaram na atenta plateia cerca de uma dezena de pessoas a cantar a uma só voz o “Grândola, Vila Morena”. O ministro tentou levar a coisa na desportiva, foi buscar o seu melhor sorriso amarelo e também tentou cantar, assassinando ao microfone este belo hino da Revolução.

Querido Relvas, se um dia fores para o desemprego, como muitos dos portugueses que ajudas a desgovernar, por favor não vás cantar para o Metro, porque podes muito bem morrer à fome com essa voz de cana rachada, já para não dizer algo pior. Como se isso não bastasse, porque ninguém tem culpa de nascer a cantar mal, não sabias a letra, e isso sim, já me parece mais grave, tendo em conta todo o simbolismo da canção. A teu favor, devo dizer que  também já se sabia que a memória não é uma das tuas melhores qualidades, pelo menos a julgar pelas barbaridades que dizes num dia e negas passado uma semana. Não sei se tens noção de que normalmente estás a ser filmado e eles – quem diria? – gravam o som. O meu conselho é que não deixes o teu emprego de dia, agarra-te a ele com unhas e dentes, mesmo quando todos à tua volta te disserem que se calhar era melhor demitires-te.

Escusado será dizer que com governantes destes não vai ser fácil fazer outra revolução. Então uma pessoa vai para um sítio para cortar a palavra a um dos braços direitos do governo e o asno ri-se e ainda começa a cantar?! No fim ainda agradeceu e bateu palmas?! Então mas o homem é assim tão limitado que não percebeu que as pessoas não estavam a cantar com ele, nem para ele, mas sim contra ele?! Bem fizeram os alunos do ISCTE, que nem lhe deram hipótese de falar: ao menos assim não houve equívocos. Se não fosse verdade, até podia ter alguma piada.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 21 Fevereiro 2013)

São Valentim

Ora então São Valentim, não é? Dia dos Namorados! Ah e tal, porque isso é uma americanice que nós importámos… é… e os hambúrgueres também são uma americanice e toda a gente gosta. Ah, mas o São Valentim é uma coisa consumista, é só para as pessoas terem de gastar dinheiro em prendas e isto agora com a crise… é… mas não é obrigatório serem prendas caras, o que conta é o gesto. Às vezes as prendas melhores são as mais baratas ou até as que não custam dinheiro. Mais vale uma rosa roubada de um quintal do que um grande ramo de flores que se encomenda pelo telefone e nem se sabe o que lá vai dentro. Ah, mas eu não gosto de ter datas para oferecer prendas, prefiro dar prendas em dias “normais” e fazer surpresa… sim, sim, normalmente as pessoas que oiço com este discurso nunca dão prendas nenhumas, nem nos dias normais nem nos outros. Ah, mas eu não sou romântico, não ligo a essas coisas… pois, mas uma relação é a dois e a outra pessoa provavelmente é; se gostarem mesmo do vosso par, fazem um esforço para lhe agradar. Ah, mas nesses dias é sempre uma confusão para arranjar uma mesa num restaurante… é… mas dá para fazer um jantar romântico em casa, gasta-se menos dinheiro e tem mais valor, já para não falar que a sobremesa pode ser bem mais agradável.

Enfim, deixem-se de tretas e desculpas e mimem-se, mimem a vossa relação. Nestes dias ou noutros dias, há sempre um bom motivo para cuidarmos daqueles a quem queremos bem. Estas datas só servem para nos irmos lembrando disso antes que seja tarde demais. Feliz Dia de São Valentim e até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 14 Fevereiro 2013)

Favores em cadeia

Eu hoje ia falar sobre o Carnaval… que está quase aí, de que eu gosto muito, mesmo sabendo que hoje em dia gostar do Carnaval é foleiro, com as músicas brasileiras e os bailaricos e tudo o mais. Mas depois essa conversa não ia dar em nada porque cada um gosta do que gosta e ninguém vai passar a gostar do Carnaval só pelos motivos que eu iria apontar. Nem eu vou deixar de gostar do Carnaval, que é uma coisa que me está demasiado entranhada. É o meu guilty pleasure anual!

Depois andava a passear na rede e descobri uma coisa muito mais interessante para vos contar. Lembram-se daquele filme com o Kevin Spacey e a Helen Hunt e aquele puto que era muito giro quando era pequeno e agora nem por isso? Que criou um projecto para a escola que eram os favores em cadeia? E que no final tem uma cena de fazer chorar as pedras da calçada que envolve vigílias com velinhas? Pois muito bem, parece que alguém resolveu meter mãos à obra e trazer essa ideia para a vida real. Ou pelo menos para este site.

Podem criar a vossa própria cadeia de favores ou continuar as que já estão criadas. Podem divulgar, o que já é um grande favor. Há causas pessoais, familiares, animais, é para todos os gostos. Por isso, meninas e meninos, bora lá ajudar, que a solidariedade não é uma coisa que só se usa no Natal.

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 7 Fevereiro 2013)

Cantigas de escárnio e maldizer

Esta semana um amigo e leitor da Preguiça disse-me: “Essas coisas que tu escreves… aquilo tá giro e tal, mas olha lá… tu dizes sempre mal de qualquer coisa?”. Não, ou pelo menos não é essa a ideia. Também posso dizer bem, mas ultimamente aparecem-me mais coisas para dizer mal do que para dizer bem, o que é que se há-de fazer?

Deve ser uma condição nacional, falar mal disto e daquilo. Já para não falar de que é sempre mais fácil dizer mal de alguma coisa do que bem. Os elogios custam a sair, as críticas aparecem naturalmente e dão muito mais pica para escrever. Ou para ter uma conversa de café. É como os escritores, os letristas ou os poetas, que só escrevem quando estão mal de amores e a vida lhes corre mal. O desabafo tem um efeito catártico e a escrita floresce muito mais rápido quando estamos aborrecidos ou deprimidos com qualquer coisa.

Quando estamos bem e andamos felizes, o terreno não é tão “fértil” para escrever. Deve ser por isso que é obrigatório haver livros de reclamações e é opcional haver livros de elogios. E depois nestas coisas dos blogs temos de ter muito cuidado quando dizemos bem de alguma coisa. Seja um livro, um filme, uma marca, um produto. Podemos sempre ser acusados de publicidade encapuçada e isso é muito mal visto na blogosfera.

Ou estamos a dizer bem porque a marca nos vai oferecer contrapartidas ou estamos a dizer bem porque queremos que a marca repare nisso e nos venha mais tarde a dar contrapartidas. E eu tenho uma casa pequena, não quero que me mandem caixotes de cremes, pacotes de bolachas ou aparelhos eléctricos porque depois não tenho onde os arrumar…

Até sempre!

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 31 Janeiro 2013)

Com algumas reservas

Foi com algumas reservas que vi, finalmente, o No Reservations filmado em Lisboa. Quando vi nas notícias que o Anthony Bourdain vinha cá, comecei logo a imaginar onde eu achava que ele deveria ir. Se dependesse de mim, o chef arraçado de rock star não tinha falhado os pastéis de Belém e um bife à Trindade, pelo menos. Mas isso sou eu, que conheço pouco da restauração lisboeta.

Mesmo assim parecia-me lógico ir a dois sítios tão icónicos. Não, vão optar por cenas mais modernas e passar uma imagem da Lisboa contemporânea, dos restaurantes novos, de sítios “da moda”… pensei eu, mal. Que grande desilusão ver este episódio da aventura culinária internacional do Tony a representar tão mal a nossa cozinha extraordinária.

Não digo isto tanto pelos locais visitados. Certamente são muito bons, e até compreendo que os nossos chefs mais sonantes tenham aproveitado a deixa para divulgar os seu espaços. Mas, verdade seja dita, de tudo o que o senhor comeu, a única coisa que lhe pareceu agradar genuinamente foi uma bifana no pão com mostarda e uma imperial. Simples.

Outra coisa de que ele também gostou foi da nossa morcela de arroz, que é mal apresentada, pois dizem que é típico do Norte, e eu nunca vi morcela de arroz sem ser na zona de Leiria. Mas o pior, dizia eu, nem foi a comida em si. O pior é a imagem que passa do nosso país e do nosso povo. Muito por culpa das pessoas que o acompanharam na visita.

Fala-se demasiado na ditadura, nos tempos do Salazar, na Guerra Colonial… isso não tem relevância nenhuma na nossa vida hoje em dia! Por momentos pareceu-me que estavam num qualquer país da América Latina em reconstrução por uma guerra recente. Isso não nos define. Não somos assim, nem sequer nos lembramos disso!

O Lobo Antunes cada vez me desilude mais: que pessimismo e total alheamento do presente! A Carminho ainda tentou animar a conversa, mas depois de explicarmos o fado, não é fácil contrariar a ideia de saudosismo e dor inata do povo português. Mesmo os mais novos só falam de crise, de dificuldades em vender música, em conseguir emprego… credo! Se não fossem as ginjinhas, o homem tinha saído daqui deprimido.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 24 Janeiro 2013)

Neurowear

Lembram-se de quando andávamos no liceu e passava aquele rapazinho/rapariguinha que nós não conhecíamos mas achávamos o máximo e ficávamos coradas/os até às orelhas? Ou quando estávamos numa aula a pensar em tudo menos no que o professor estava a dizer e, de repente, éramos chamadas/os à terra e corávamos que nem um tomate? Pois, era uma merda.

Felizmente com a idade adulta vem a capacidade de disfarçar a nossa surpresa, camuflar algumas emoções, continuar conversas com lugares comuns como se tivéssemos estado a ouvir com muita atenção. E essas habilidades são muito valiosas ao longo da vida, se usadas com moderação, claro.

É a passagem da inocência infantil que tudo diz sem reservas, para o socialmente correcto adulto. Uma passagem difícil, mas necessária e muito útil. Ou não, pelos vistos não… então não é o que os japoneses – grandas malucos – inventaram orelhas de gato e caudas de cão para os humanos usarem e demonstrarem através destes gadjets as suas emoções? Ao que parece, as orelhas já são corriqueiras, a invenção mais recente foi a cauda.

A Neurowear é a empresa japonesa que constrói estes aparelhos curiosos que funcionam à base de estímulos de ondas cerebrais. Começou pela invenção do Necomimi, o par de orelhas de gato controladas pelo cérebro, e agora avançaram com o Shippo, a cauda de cão. A minha pergunta é porquê. Para quê? Quem é que quer isto? Pior, esta coisa da cauda não só te embaraça bastante na vida real como ainda manda informações para as redes sociais a informar os teus “amigos” de que estás contente por estar no parque, por exemplo.

Se quiserem encomendar é aqui.

Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 17 Janeiro 2013)

Do fim do mundo e início da Preguiça

Se estiverem a ler isto significa que o mundo não acabou. Significa que os Maias estavam equivocados e o Nostradamus continua a ser, até prova em contrário, um grande charlatão mal traduzido. Se assim for, devo estar muito feliz porque quando estive no México o guia queria impingir-me um calendário maia e eu não fui na conversa. Gosto pouco de calendários que acabam a 21 de Dezembro. Mais feliz porque isso significa que este projecto, que andava nas gavetas e nas conversas de hora de almoço há já algum tempo, foi finalmente para a frente. E tinha tudo contra, até a eventualidade do fim do mundo. Ainda mais feliz por me terem convidado para dar este pequeno contributo ao qual espero corresponder, já que a escrita é totalmente amadora e as ideias enviesadas e parciais, como a de qualquer blogger que se preze.

Posto isto, ainda bem que o mundo não acabou antes de este projecto avançar, até porque era um evento que não estava previsto na agenda. Daqui para a frente vai estar, como é óbvio. Porque se está sempre a acontecer qualquer coisa e continuamos a ouvir por portas e travessas que “não se passa nada”; se continuamos a assistir a espectáculos que dão trabalho e dão despesa e dão sustento aos artistas e até são interessantes em salas meio cheias de habitués; se continuamos a deixar de ir a sítios e vivenciar coisas únicas, só pode ser porque essa informação não está acessível. Acabaram-se as desculpas, desfrutem.

Aproveitem esta experiência pré-apocalíptica para encarar a vida de uma forma mais intensa e desfrutar do que está aqui tão perto, às vezes ao lado, às vezes grátis. Levantem os reais traseiros do sofá e deixem a preguiça de lado. Que qualquer dia é fim do mundo outra vez e depois é tarde. Estou para ver o que é que os maluquinhos que andaram a encher garagens e abrigos subterrâneos com compotas e enlatados vão fazer àquela mercearia toda. Até sempre.

Texto de Rita Gomes
(Publicado em 10 Janeiro 2013)

4 responses to “Pérolas a Porcos | Rita Gomes

  1. Em relação ao programa do Bourdain, e como já tive ocasião de explicar a um amigo que está em N.Y. e que também ficou furioso com a imagem que aquilo dava de Portugal, o problema é simples, a nossa capital é habitada por uma espécie humana denominada “alfacinha”. Caracterizam-se por um estado mental entre o possidónio e o deprimente, e não parece haver solução para tal condição psico-cultural. Por vezes, até os considero dignos de compaixão, mas geralmente, só irritam. Bendita seja a serra que a sul do nosso distrito nos protege de tais ares. Parabéns pela qualidade dos teus textos.

  2. O Bourdain em Lisboa foi mm mt deprimente! e o pior convidado foi o Lobo Antunes!
    este fds foi no Mexico, numa “zona de guerra” e conseguiram projectar uma imagem muito positiva!
    Parabéns pela qualidade dos textos!

  3. A propósito da crónica “Álcool mau e álcool assim assim”, concordo na generalidade, mas de qualquer maneira nestas questões “é-se preso por ter cão e preso por nao ter”. Indepedentemente dos critérios do diploma, esperemos que se promova mais responsabilidade aos estabelecimentos e que a formação dos jovens seja mais eficaz a partir de casa. Sim, porque a ilusão da bebida/divertimento(?) deveria ser desmistificada em ambiente familiar e não nas tristes e lamentáveis ressacas.

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